terça-feira, maio 30, 2006

então tá... futebol

com a proximidade da Copa do Mundo 2006, corre-se o risco de ser anti-patriótico não "postar" uma notinha - que seja - sobre futebol. Então a contribuição do via gene será a indicação de uma matéria que saiu no Jornal da Unicamp sob o título: "O dom, a ginga, as estratégias de jogo, as cifras e a violência no futebol" da autoria de Manoel Alves Filho. Interessante a pergunta que consta de uma dissertação de mestrado da Faculdade de Educação Física, feita a técnicos de futebol e jornalistas esportivos: o que (eles) entendiam por tática, estratégia e sistema de jogo (note que são 3 coisas diferentes - eu só descobri isso hoje!!) . O resultado foi uma grande divergência de respostas, principalmente por parte dos jornalistas que, segundo a autora, comentam futebol mais por afinidade e gosto pelo tema (na maioria das vezes), enquanto os técnicos possuem formação superior que contempla conteúdos específicos sobre futebol (normalmente formados em Educação Física). Pelo jeito, os desentendimentos entre jornalista esportivo e técnicos de futebol se parecem bastante com a polêmica relação entre jornalistas científicos e cientistas. Para alguns exemplos deste último cenário recomendo o "blog" Ciência em Dia do jornalista Marcelo Leite, com especial atenção à seção de comentários (pule os comentários sobre o astronauta Marcos Pontes, pois são inúmeros e 80% deles são agressivos e inapropriados para menores :)) . Recentemente, os comentários a um "post" sobre futebol no SEMCIÊNCIA reavivaram esta polêmica, onde jornalistas seriam pouco críticos e comprometidos com relação às matérias publicadas sobre ciência e cientistas seriam corporativistas, promovendo a idéia de que ciência é para poucos iluminados (ao algo mais-ou-menos assim...). Quem sabe meu "post" sobre futebol também pega carona nesse "efeito-borboleta" do "post" do Osame...

ana claudia

quinta-feira, maio 25, 2006

acessos... de riso também!


Anexei uma relação de termos que direcionaram à página do "via gene" durante este mês. Estes resultados podem ser consultados pelo botão MAPSTAT (serviço do Blog Flux) que está ao final da coluna direta do blog, sendo apenas uma das categorias de resultados apresentados. Também é possível visualizar qual a origem geográfica dos acessos, o número de acessos por dia (distribuído pelo horário), por semana e por mês, a "via de acesso" (sites que "linkam" para o via gene de algum modo), os buscadores utilizados, os browsers mais comumente utilizados, as mátérias acessadas e vários outros dados interessantes que informam sobre o "quem, como e porques" dos acessos ao via gene.

Termos em negrito e itálico estão destacados por serem os mais divertidos encontrados nesta diversidade surpreendente de possibilidades!!

O que vocês acham?

Search Engine Referrals

gene (13 - 9%)
*note e anote (4 - 3%)
ciencia forense (3 - 2%)
semplagio (2 - 1%)
wikipeia (2 - 1%)
cbmeg home (2 - 1%)
genoma mitocondrial (2 - 1%)
doutorado genetica forense (2 - 1%)
*vantagens e desvantagens da midia (1 - 1%)
o que e mitocondrial? quais sua origens? (1 - 1%)
fotos Cochliomyia hominivorax (1 - 1%)
aspectos negativos e positivos celulas tronco (1 - 1%)
*o que fazer de bom na semana (1 - 1%)
*analise historica e social do orkut (1 - 1%)
*ciclo de las collembolas (1 - 1%)
Defeitos+DNA+Mitocondrial (1 - 1%)
matematica no laboratorio de biomol (1 - 1%)
o conceito de doutor (1 - 1%)
GENE outubro (1 - 1%)
genetica forense (1 - 1%)
"d-loop" "dna mitocondrial" (1 - 1%)
significa: titulo recebido por algumas pessoas ... (1 - 1%)
*o que devemos fazer em caso de picada de inseto... (1 - 1%)
artigo cientifico sobre genetica de vegetal (1 - 1%)
ciencia genetica evolução (1 - 1%)
processo mitocondria utiliza duplicar (1 - 1%)
evolução do genoma (1 - 1%)
tabelas comparativas- vantagens e desvantagens ... (1 - 1%)
dnamt marcador (1 - 1%)
nomenclatura animal (1 - 1%)
Sociedade Brasileira de Genética (1 - 1%)
o que é gene (1 - 1%)
identificaçao de um gene (1 - 1%)
reportagens recentes sobre genes (1 - 1%)
defeitos do DNA mitocondrial (1 - 1%)
DNA Barcodes (1 - 1%)
"habeas corpus" + chimpanzé (1 - 1%)
gene (1 - 1%)
google teses (1 - 1%)
mitocondrial, função estrutura e origem - Bio... (1 - 1%)
DNA barcoding in brazil (1 - 1%)
aspectos positivos e negativos da genética for... (1 - 1%)
limitaçoes do dna barcoding (1 - 1%)
*bom gene (1 - 1%)
portugues gene proprio (1 - 1%)
o que e gene? (1 - 1%)
ciência forense (1 - 1%)
quais as porcentagens para dar erro no diagnost... (1 - 1%)
dna mitocondrial - 2005 (1 - 1%)
taxonomia de Bos taurus (1 - 1%)
Congresso de genética (1 - 1%)
*sana +corpus (1 - 1%)
genoma mitocôndrial (1 - 1%)
"discutindo a sociedade do conhecimento" (1 - 1%)
herança mendeliana e o que é (1 - 1%)
papel da genetica na sociedade (1 - 1%)
RELAÇÃO EMPRESA (1 - 1%)
Genetica e evolução (1 - 1%)
unicamp cbmeg (1 - 1%)
wikipéia (1 - 1%)
unicamp (classificação dos seres vivos (1 - 1%)
Indice de impacto Nature (1 - 1%)
o que é Ciência Forense (1 - 1%)
dna taxonomia (1 - 1%)
investigação forense usando microssatélites (1 - 1%)
índice de impacto de revistas de quimica (1 - 1%)

CIENCIA FORENSE (1 - 1%)
"congresso de genética" (1 - 1%)
*origem genetica dos portugueses (1 - 1%)
gene é um genio (1 - 1%) !!!!
laboratorio gene sp (1 - 1%)
o que e gene (1 - 1%)
taxonomia Haematobia irritans (1 - 1%)
quais as consequencias causada pelo dna (1 - 1%)
tese hereditariedade (1 - 1%)
"formação do povo português" (1 - 1%)
trabalhos cientifico com anfibios (1 - 1%)
*gene do mal wikipedia (1 - 1%)
tabelas comparativas das vantagens e desvantage... (1 - 1%)
como montar um seminario utilizando a metodolog... (1 - 1%)
unicamp (1 - 1%)
estrutura de um gene eucarioto e principais ele... (1 - 1%)
*"concursos publicos" and "taxonomista" (1 - 1%)
*musicas sobre mitocondria (1 - 1%)
http://viagene.blogspot.com (1 - 1%)
evoluçao na genetica (1 - 1%)
pontos negativos de celulas tronco (1 - 1%)
*mitocondria animada (1 - 1%)
GENE (1 - 1%)
citocromo c+evolução química (1 - 1%)
belica imunologia (1 - 1%)
genética e evolução (1 - 1%)
padrões regiões intergênicas (1 - 1%)
determinismo genetico (1 - 1%)
unicamp (1 - 1%)
*qual eo aspecto positivo da mosca? (1 - 1%)
referencias bibliográficas de engenharia gené... (1 - 1%)
genoma musical (1 - 1%)
*paulo em via distinção (1 - 1%)
*quero ganhar a foto do sagrado coração de jesus (1 - 1%)
ciꮣia forense (1 - 1%)
"conquista profissional" (1 - 1%)
anfíbios (1 - 1%)
dna unicamp (1 - 1%)
filogenetico (1 - 1%)
*vantagens e desvantagens do marmore (1 - 1%)
DNA replicação duplicação dinâmica grupo (1 - 1%)
*revista super interessante reportagem cerveja (1 - 1%)
artigos cientificos em projeto social (1 - 1%)
Adilson Leite Unicamp bio (1 - 1%)
habeas corpus teses (1 - 1%)
taxonomia do mosca (1 - 1%)
"congresso de genetica" (1 - 1%)
Célula tronco pontos positivos e negativos (1 - 1%)
genética forense (1 - 1%)
"genotipo X fenotipo" (1 - 1%)
GENOMA MITOCONDRIAL (1 - 1%)
cbmeg unicamp (1 - 1%)
genoma mitocondrial (1 - 1%)
MOSCAS VAREJEIRAS (1 - 1%)
Pontos negativos do Projeto Genoma (1 - 1%)
polemicas de experiencia genética (1 - 1%)
nature vol 441 phd (1 - 1%)
crustaceos+aspectos+negativos (1 - 1%)

sexta-feira, maio 19, 2006

idéia fixa: mais sobre "ads"

Rapidinho... a referência é meio antiga (12/abril/2005) mas está atual para a complementar os “posts” sobre anúncios (ou ads) virtuais que uns abominam (eu me incluo) e outros promovem (chega a ser um “ícone” da cultura blogística). E claro que têm aqueles que não ligam ou perambulam em diferentes pontos deste gradiente...

Achei um “press release”
aqui, derivado da matéria que aparece no “blogkits news” comentando os resultados de uma pesquisa sobre o que os bloggueiros pensam a respeito dos anúncios ("BlogKits has released their first blogger survey focusing on bloggers attitudes about blogs and advertising”). Há uma certa tendência favorável à prática de incluir anúncios em blogs, devido ao próprio público que “freqüenta” este site e que participou da pesquisa, mas já é um começo...

As questões apresentadas pela pesquisa podem ser acessadas
aqui.

quarta-feira, maio 17, 2006

PLoS Biology dá brinde


Reproduzo uma mensagem de email interessante que recebi há poucos dias sobre a vantagem, em termos de números de citações, dos artigos de acesso livre (ou "open access"). Aproveito para manifestar apoio à iniciativa das publicações de formato "open access", onde o artigo científico (ou o conhecimento científico, se ampliamos a perspectiva...) é de acesso livre, ou seja, não é preciso fazer a inscrição (= pagamento de anuidade, por exemplo) na revista para poder ter acesso ao artigo, nem "loggar" de um computador institucional (desde que a instituição tenha acesso aos conteúdos publicados, um tipo de consórcio).
Uma cópia (de acesso livre, lógico) do artigo está aqui.
Mensagem de e-mail:
May 16, 2006

Dear Colleague,

I would like to draw your attention to a research paper published online today in PLoS Biology, entitled "Citation Advantage of Open Access Articles" by Gunther Eysenbach (University of Toronto).

The Study
In this study, Eysenbach compared the rate of citations of open access (OA) with non-OA articles from the same journal, PNAS.

Key findings include:
OA articles are twice as likely to be cited 4 to 10 months after publication and almost three times as likely between 10 and 16 months.
Self-archived articles are cited less often than OA articles from the same journal.
Ah, sim! Sobre o brinde... a instrução é essa:
"Sign up for regular e-mail table of contents alerts. We will send the first 50 respondents a laser pointer (one per individual) just to say thanks for joining us. "
Ainda não recebi o meu... :(

mais sobre o Google AdSense Nonsense

Achei hoje um site chamado Webmaster Articles and Tools, onde encontrei uma referência sobre "Google AdSense: Pitfalls & Alternatives", que apresenta algumas dificuldades relacionadas a este serviço. O engraçado é que os "pitfalls" ou problemas são apresentados sob a ótica dos anunciantes (e não dos "webpublishers" ou autores do site/blog). Achei interessante registrar aqui quais são as questões apontadas como "pitfalls" (traduzi/modifiquei alguns trechos para o português por questões de "copyright") .

Informação complementar sobre o Google AdSense:
Cada "click" recebido por um "ad" (anúncio "linkado" ao site que oferece o produto ou serviço) é contabilizado a favor do dono do site para que este receba uma remuneração equivalente à quantidade de "clicks" (proporcionando uma medida da "penetrância" (por falta de termo mais adequado) da propaganda naquele site). "Ads" de sites/blogs populares têm mais chances de serem clicados, caso o visitante se interesse por algum dos anúncios, como se cada site fosse também um "outdoor", aqueles em avenidas mais movimentadas trariam mais retorno ao anunciante. A tecnologia dos "ads" vem tentando adequar o conteúdo dos anúncios aos conteúdos apresentados no blog, utilizando palavras-chave e outras ferramentas de "match" de conteúdos, aumentando assim a chance do anúncio interessar ao "público-alvo" que frequenta determinado site e, consequentemente, otimizando também a divulgação da propaganda (tipo fazer propaganda de bebida em barzinho ou de vitaminas em academias).

"... open issues with Google AdSense:

1. Click Fraud: a fraude ocorre quando o próprio blogueiro clica sistematicamente (ou usa um programa que automatize a "clicagem") no anúncio que aparece em seu site de modo a simular a divulgação do anúncio (e receber por isso!). Devido ao aumento crescente desta prática, o Google tem inadvertidamente descredenciado sites legítimos do programa de "ads".

2. Ad Blocking: algumas instituições estão bloqueando ativamente os anúncios do Google AdSense. Mas ainda é cedo para especular sobre o impacto desta iniciativa (e de algumas soluções) na divulgação de "ads".

3. Poor Quality Websites: qualquer um pode se inscrever no programa de anúncios AdSense, o que implica em anúncios associados a sites de qualidade duvidosa. Isso nem sempre agrada os anunciantes, especialmente se seus anúncios aparecem em sites de conteúdo ofensivo (pornográficos, racistas, etc.). Apesar das constantes reclamações, nenhuma providência foi tomada no sentido de controlar este aspecto."
Além do Google AdSense, existe um programa similar da Yahoo!, o Yahoo! Publisher Network. Mas ainda ficam as mesmas questões...
Uma vez que os "pitfalls" que interessam aos autores do site (ou webpublisher) não foram considerados (apenas aqueles que afligem os anunciantes), resolvi encaminhar uma nota ao pessoal do site. A nota está reproduzida abaixo, com pequenas edições (e desde já me desculpo pelos eventuais crimes contra a língua inglesa que insistem em me acompanhar...):

"The pitfalls listed here relate to websites/webpublishers that fraud the Ads program or publish bad quality content that do not please the advertisers… well, but there are many examples where the contrary happens: bad advertisements (even frauds, non-ethical and almost - if not - criminal ads) that shows up on very good quality websites and blogs. The owners of these sites have no practical tools for removing those ads that he/she may find offensive or that disagrees with the website theme (if one writes the word “religious” in a post from an atheistic weblog, he may find an ad that links to a catholic website or institution… completely non-sense! In another example I found an academic weblog that advertises on illegal practices of writing-thesis services… Absurd!). I have sent email messages to Google alerting about this, but noting happens… so the only solution would be to delete the ad “service” from your webpage… Isn’t that a kind of a huge pitfall?"
Este link indica um blog que recebeu um aviso de "Google AdSense Account Disabled" e conta um pouco desta história, só por curiosidade...

quarta-feira, maio 10, 2006

receita para fazer um bom doutor?


Vi isso hoje na Nature (referência: vol 441, pg 252, doi: 10.1038/nj7090-252b)
Obs. 1: apenas uma fração do conteúdo original está "postado", espero assim "ferir" o menos possível os direitos de "copyright", mas deixar algumas reflexões em um fórum aberto. Onde achei pertinente incluí - em português - minha opinião pessoal a respeito desta receita (?!). Fiquem à vontade para listar outros atributos importantes ou discordar destes que aqui se apresentam.
Obs. 2: uma questão de conceito - o "doutor" do título do "post" se refere ao título acadêmico concedido àqueles que defenderam uma tese de doutorado (PhD, conforme a sigla em inglês), não inclui médicos, advogados, delegados ou afins.
So what should we be telling prospective PhD students?
1 - Choose a supervisor whose work you admire and who is well supported by grants and departmental infrastructure.
anac: identidade com o tema de pesquisa do orientador/supervisor ajuda, mas 1) um bom orientador pode ser mais importante na formação do aluno do que o tema em si e 2) se você for apaixonado por um tema, você tem grandes chances, independente do orientador (bem, um mínimo de respeito é importante).

2 - Take responsibility for your project.
anac: sim, na medida do possível... há uma certa ingenuidade aqui... nem sempre o aluno está maduro o suficiente para perceber a dimensão de um novo projeto de doutorado. Não raramente, alunos estão envolvidos em projetos de risco (com poucas chances de sucesso) propostos pelos orientadores e assumidos por um aluno com pouca experiência para avaliar o risco inerente. O que quero dizer é: bons alunos assumem a responsabilidade de seus projetos, MAS bons orientadores têm a responsabilidade de propor projetos que os alunos possam responsabilizar-se.

3 - Work hard — long days all week and part of most weekends. If research is your passion this should be easy, and if it isn't, you are probably in the wrong field. Note who goes home with a full briefcase to work on at the end of the day. This is a cause of success, not a consequence.
anac: se você não passa o fim-de-semana rindo ao fazer sua pesquisa de laboratório enquanto um dia ensolarado acontece do lado de fora... calma, vc ainda pode ser um bom cientista. Acho este comentário bem "americano", no sentido "workaholic" de vida. Sim, é verdade que um doutorado consome finais-de-semana, principalmente àqueles em véspera de entrega de relatório, participação em evento científico (congressos) e exames e afins. Mas, sabendo planejar seu tempo, esse "uso" de finais-de-semana podem ser minimizados e você pode - sim - ter uma vida saudável, mental e fisicamente.

4 - Take some weekends off, and decent holidays, so you don't burn out.
anac: óbvio, senão você vai ser tornar um monstro viciado em café e bancada, não vai ter nenhum amigo (família, nem pensar) e não vai saber que existe um mundo do lado de fora do laboratório, bem mais real que aquele que nós cultivamos "inside".
5 - Read the literature in your immediate area, both current and past, and around it. You can't possibly make an original contribution to the literature unless you know what is already there.
anac: óbvio também... seja normal, se optou pelo doutorado, mantenha-se informado sobre o "state-of-art" da sua área e, periodicamente (1x/semana), assista a seminários abrangendo outros temas, não seja um/a bitolado/a, isso não é vida.

6 - Plan your days and weeks carefully to dovetail experiments so that you have a minimum amount of downtime.
anac: já comentei em algum lugar aí em cima... algum planejamento e grade de horário são necessários para um mínimo de organização e para facilitar o trabalho de equipe (aliás, segundo estas "dicas", saber trabalhar em equipe - super fundamental para ser um bom cientista - nem foi mencionado... êta visãozinha "selfish" do aluno de pós... promova a equipe e o trabalho em equipe sempre que puder!)

7 - Keep a good lab book and write it up every day.
anac: claro: tenha seus registros em ordem para não se perder em sua pesquisa.

8 - Be creative. Think about what you are doing and why, and look for better ways to go. Don't see your PhD as just a road map laid out by your supervisor.
anac: confesso, nunca entendi bem essa história de "seja criativo", soa como "seja talentoso"... ou você nasce assim ou vai ralar um bocado tentando aprender a ser criativo. Não acho que seja uma coisa que se quer e imediatamente se consegue, alguns seres são naturalmente criativos, outros bons cientistas aprenderam com a experiência (foram "ficando" mais criativos) e muito espírito crítico (aliás outra coisa importante que não foi mencionada no artigo ou manual). Se alguém te diz: "Tenha uma boa idéia agora", você simplesmente a tem? Então o ítem poderia ser algo como "Só tenha idéias boas ou excelentes"

9 - Develop good writing skills: they will make your scientific career immeasurably easier.
anac: fácil falar... essa é uma daquelas coisas que você passa a vida toda aprimorando... melhor já nascer sabendo, mas com algum esforço e dedicação você pode ser um bom cientista mesmo se não nasceu dotado deste talento. E, se não for americano ou inglês (incluíndo colônias), esforçe-se ainda mais para reverter sua habilidade para a esta línguagem não-nativa...

10 - To be successful you must be at least four of the following: smart, motivated, creative, hard-working, skilful and lucky. You can't depend on luck, so you had better focus on the others!
anac: e ainda – bem-humorado, otimista, crítico, agregador (saiba trabalhar em equipe) e humilde (a natureza vai te surpreender sempre com infinitos enigmas e desafios, mesmo que você passe uma vida toda dedicado a desvendá-la).

Um manual com este conteúdo está disponível aqui.

segunda-feira, maio 08, 2006

inovações ao DNA barcode

um "copy & paste" relâmpago só para alertar que a busca pelo código-de-barras da vida (ou por uma "assinatura molecular" onde, através da análise de um trecho-específico de uma sequência de DNA, seríamos capazes de identificar espécies) tem cada vez mais suporte na bioinformática e inova ao incluir a análise da estrutura secundária de genes de RNA ribossomal (16S e outros) como caráter válido para identificação taxonômica.
"Tradicionalmente", a análise de taxonomia molecular conhecida como "barcode DNA" ou "DNA barcoding" utiliza-se de alinhamentos da sequência primária de um trecho do gene que codifica a subunidade I da Citocromo Oxidase (COI ou cox1), especificamente, um trecho da extremidade 5' (leia-se: cinco linha) do gene. Este gene localiza-se no genoma mitocondrial (DNAmt).
obs 1: estrutura secundária: estrutura bidimensional formada a partir de interações (ligações entre nucleotídeos) da sequência primária de DNA com ela mesma (ligações "intra-fita" que geram a formação de "alças" e "grampos") .
obs 2: genes e regiões gênicas possuem orientação de leitura: de 5' --> 3'.
obs 3: a idéia de caracterizar espécies através de sequências de DNA (primárias ou secundárias) já tem longa data nos estudos envolvendo microrganismos. Mas ganhou uma nova "roupagem" e nome (código-de-barras de DNA) ao utilizar o gene COI do DNAmt para identificação de grupos animais, principalmente. Atualmente há uma tendência em minimizar a polêmica em torno desta estratégia experimental (marketing do marcador universal absoluto para identificação de espécies X defensores da falácia do "DNA barcoding" como ferramenta de identificação taxonômica) , de modo que o "barcoding DNA" tem sido reconhecido como uma ferramenta que agrega informação taxonômica válida e que tem como vantagem a caracterização de "etiquetas taxonômicas" em uma estrutura de larga-escala, baseada em uma plataforma operacional envolvendo isolamento de DNA, sequenciamento e bioinformática (bancos de dados e análises comparativas). Aliado a isso, há o esforço genuíno de integrar conhecimento taxonômico tradicional e inovações (como a digitalização e construção de amplos bancos de dados com imagens de alta resolução), incentivar a multidisciplinaridade (reconhecendo o mérito e a contribuição de taxonomistas, sistematas, geneticistas e biólogos moleculares, entre outros) e integrar a comunidade científica interessada na caracterização de biodiversidade, absorvendo críticas (o "DNA barcode" não substitui a taxonomia), abandonando paradigmas ultrapassados (taxonomia é para poucos) e buscando inovações (o artigo abaixo é um pequeno exemplo).
Veja resumo do trabalho recentemente publicado - versão eletrônica - na revista "Bioinformatics"de 13 de Abril de 2006:
Ribosomal RNA as molecular barcodes: a simple correlation analysis without sequence alignment.

Chu KH, Li CP, Qi J.
Department of Biology, The Chinese University of Hong Kong, Hong Kong, China.

MOTIVATION: We explored the feasibility of using unaligned rRNA gene sequences as DNA barcodes, based on correlation analysis of composition vectors derived from nucleotide strings. We tested this method with seven rRNA (including 12S, 16S, 18S, 26S and 28S) datasets from a wide variety of organisms (from archaea to tetrapods) at taxonomic levels ranging from class to species. RESULT: Our results indicate that grouping of taxa based on composition vector analysis is always in good agreement with the phylogenetic trees generated by traditional approaches, although in some cases the relationships among the higher systemic groups may differ. The effectiveness of our analysis might be related to the length and divergence among sequences in a dataset. Nevertheless, the correct grouping of sequences and accurate assignment of unknown taxa make our analysis a reliable and convenient approach in analyzing unaligned sequence datasets of various rRNAs for barcoding purposes. AVAILABILITY: The newly designed software (CVTree 1.0) is publicly available at the Composition Vector Tree (CVTree) web server
http://cvtree.cbi.pku.edu.cn.

quarta-feira, maio 03, 2006

"ads" do goooooogle

Definitivamente, por incrível que possa parecer a outros blogueiros, sou contra a inclusão de "ads" ("advertisements" ou propaganda mesmo) em blogs de conteúdo importante (bem, cada um com seu gosto e liberdade para escolher o que considera "importante"...). E não é por uma questão ideológica do tipo blogar = movimento com certa dose de anarquia e liberdade que não se rende ao capitalismo selvagem, que alguns eventualmente defendem (nada contra também). Mas muito mais pela quantidade de anúncios inconsistentes e pela incapacidade de filtrar anúncios de natureza altamente conflitante com o conteúdo principal do blog, como um blog científico fazendo propaganda do "Sagrado Coração de Jesus" - ver comentário aqui - ou o blog científico/acadêmico do Osame, SEMCIÊNCIA (que por mais engraçado que seja, também é sério), fazendo propaganda de encomenda de monografias acadêmicas e... sem plágio diz o anúncio!!!). Acho que já comentei por aqui o absurdo que se chegou com esses negócios especializados em vender serviços de teses e monografia, trabalhos exigidos pela academia - normalmente para a conclusão do curso de graduação - que pretende capacitar o aluno no desafio e na aventura de se expressar e apresentar o "estado da arte" de um tema relacionado ao seu curso (que quase sempre é o próprio aluno que escolhe e que deveria ser estimulante para o mesmo, afinal foi ele que optou pelo ensino superior). É simplesmente degradante este cenário... pior ainda a contribuição de blogs científicos na propagação destes anúncios (que se não forem formalmente criminosos - os anúncios, não os blogs - devem estar próximos desta condição...) que sangram o esforço acadêmico e docente - isto sim, quase uma ideologia - de uma forma absolutamente trivial.
Por esta incoerência que beira o ridículo: nota Zero aos "Ads".
Observação: não é também incrível a ironia? O monografista profissional busca o recurso da ÉTICA para fazer sua propaganda: SEM PLÁGIO... será que a gente merece?!

quinta-feira, abril 20, 2006

palestra no CBMEG - Unicamp

Aviso aos navegantes:

Na próxima segunda-feira, 11:00hs da manhã, teremos a oportunidade de assistir à palestra intitulada: "Escalas de espaço/tempo e os padrões de diversidade genética e biodiversidade", que será proferida pelo Dr. João Alexandrino (UNESP - Rio Claro), no auditório Dr. Adilson Leite, no Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (conhecido como CBMEG), da UNICAMP. Não percam esta oportunidade de aprender mais sobre como natureza e evolução operam em conjunto. Quem sabe de bônus a gente ainda possa apreciar uma ou outra imagem do mundo dos anfíbios?! Fica a expectativa e o convite...
ana claudia

publicando o "código de barras" da vida

Mais uma iniciativa que promove a análise de DNA barcodes (ou código de barras de DNA): o periódico científico Molecular Ecology Notes, uma expansão da revista original Molecular Ecology, acabou de incluir 3 novas seções de modo a comportar a publicação de artigos técnicos (tanto opiniões quanto trabalhos completos) e... artigos de DNA barcoding! Esta seria a primeira revista científica a incluir em sua estrutura básica um espaço permanente para a publicação deste tipo de conteúdo. A revista Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences já havia dedicado um volume exclusivamente para artigos analisando estudos de DNA barcoding (Volume 360, Number 1462 / October 29, 2005) no ano passado, e agora foi a vez da MEN expandir este tipo de iniciativa de forma mais concreta. A inclusão de um espaço para diviulgar trabalhos técnicos também é muito bem-vinda, pois na investigação científica de determinado fenômeno, o pesquisador (ou pesquisadora, claro!) muitas vezes desenvolve novas metodologias, estratégias ou adaptações que geram informações valiosas que podem - e devem - ser publicadas em foro específico (nem sempre há espaço para a publicação de discussões técnicas mais extensas em artigos cuja temática principal é outra).
Reproduzo abaixo a mensagem original da revista anunciando esta expansão:
The editors of Molecular Ecology Notes (MEN) and the Consortium for the Barcode Of Life (CBOL) are pleased to announce an expansion of the journal to include:
1. Technical views
2. Full-length technical papers
3. A new section on barcoding papers
The first two initiatives are intended to provide an outlet for comprehensive technical papers and reviews that currently do have not have a home in the journal. The third initiative is intended to recognize the tremendous promise bar-coding holds for ecological studies and to provide a suitable venue for these kinds of papers. We envision that barcoding papers would deposit their data to appropriate databases such as BOLD and GenBank and to follow the standards developed by CBOL. To facilitate this expansion, we are pleased to announce that Brian Golding, McMaster University, has agreed to join our Editorial Board as an Associate Editor for barcoding papers. Jared Strasburg, Indiana University, will assume editorial responsibilities for technical reviews and full-length technical papers.
To read a statement from CBOL endorsing Molecular Ecology Notes (MEN) as a publishing vehicle for DNA barcoding papers visit
Kevin Livingstone, Harry Smith, and Loren Rieseberg, Molecular Ecology Notes
David Schindel, Executive Secretary, Consortium for the Barcode Of Life

terça-feira, abril 18, 2006

Quinto lugar também se comemora!

Um rápido cut-&-paste do periódico científico Bioinformatics sobre o impacto de seus artigos. A revista orgulhosamente divulga que teve um de seus artigos como o quinto artigo mais citado de 2005 (90 citações). E ainda faz propaganda de 3 artigos publicados no periódico Nucleic Acids Research, da mesma editora, que estão entre os 40 artigos mais citados do ano. Um dia a gente chega lá!

Red-Hot Research:
Bioinformatics publishes the 5th ?Hottest? paper of 2005
Oxford Journals are proud to announce that Bioinformatics published the 5th most highly cited paper of 2005. This is according to the March/April issue of Science Watch, the bimonthly newsletter from Thomson Scientific. In their annual round-up of the most influential research of the year, Thomson Scientific evaluated the number of citations received by each paper as indexed in its Web of Science database. In 2005, only the New England Journal of Medicine published articles that received more citations than the most highly cited paper from Bioinformatics. The paper, which received 90 citations, was published in Volume 21, Number 2 of Bioinformatics and is entitled Haploview:analysis and visualization of LD and haplotype maps by J. C. Barrett, B. Fry, J. Maller and M. J. Daly. You can read the abstract of this article, view the full text, and see a list ofthe papers that cited it, free of charge. You may also be interested to know that 3 articles from another Oxford Journal, Nucleic Acids Research, were ranked in the top40 most highly cited papers from 2005. They are: The Universal Protein Resource (UniProt), Amos Bairoch et al. CDD: a Conserved Domain Database for protein classification, Aron Marchler-Bauer, et al. NCBI Reference Sequence (RefSeq): a curated non-redundantsequence database of genomes, transcripts and proteins, Kim D. Pruitt, Tatiana Tatusova, and Donna R. Maglott.

blog na academia

Recentemente recebi um e-mail interessado na minha opinião sobre a relação blog/jornalismo. Não sei se minhas respostas foram utéis para o interessado, mas foi um exercício curioso responder as suas 7 questões. Aproveito para repassar aqui esta experiência, pois acredito que outros "blogueiros" tenham sido também contactados e assim poderíamos compartilhar nossas opiniões. Ressalto que não fiz nehuma reflexão muuuito profunda a respeito dos tópicos abordados, apenas uma rápida impressão. Assim aproveito também para atualizar este pobre blog que carece que uma blogueira mais assídua e dedicada... são tempos corridos estes... espero que ainda algum (a) amigo (a) fiel visite o site e veja (quiçá comente) este post... :). Fiquei curiosa com o resultado do trabalho do Leonardo, tomara que esta curiosidade acadêmica se amplie e possamos ter acesso a este tipo de análise. Sucesso ao Leonardo!
ana claudia
E-mail do Leonardo:
Cara Ana Cláudia,
Meu nome é Leonardo, sou estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Estou fazendo uma matéria sobre a ascensão dos blogs como fonte de informação jornalística. Para compor o texto, gostaria de inserir dados sobre blogs jornalísticos brasileiros (seu blog, ainda que somente científico, tem um perfil informativo que pode caracterizá-lo como jornalístico) e opiniões dos blogueiros sobre a nova conjuntura do jornalismo. Envio sete questões bem simples sobre o assunto. Se não for incomodar, gostaria que elas fossem respondidas até segunda-feira às 20h. Obrigado pela atenção.
1. Quando surgiu a idéia de montar um blog?
2. Quais são suas principais fontes?
3. Qual é a média de visitas do seu blog? Como elas chegam a seu blog e por que elas procuram essa fonte de informação?
4. Com que freqüência você posta? Quanto tempo do seu dia você dedica ao blog?
5. Você trabalha com o quê?
6. Até que ponto o blog ameaça o jornalismo tradicional? O que faz oleitor abandonar o jornal e buscar o blog?
7. Quais são as vantagens e desvantagens dos blogueiros em relação aos jornalistas da mídia tradicional?

Minha resposta:

Olá Leonardo,

Obrigada pela sua mensagem e interesse. Infelizmente só vi sua mensagem agora. Vc ainda tem interesse nas respostas? Estão abaixo:
>1. Quando surgiu a idéia de montar um blog?
R. Um pouco depois que comecei a visitar e comentar periodicamente no blog do jornalista Marcelo Leite (fev de 2005), na época situado no "blogspot", e verifiquei a facilidade técnica de montar um blog e sua utilidade para estender assuntos que normalmente comentava no lab. de pesquisa e que poderiam ter interesse mais amplo.
>2. Quais são suas principais fontes?
R. Material do meu dia-a-dia de pesquisa, notas de revistas científicas (Science, Nature e outras mais específicas da minha área - biologia molecular e evolução), notícias do CNPq, notícias do Jornal da Ciência (da SBPC), notas comentadas em outros blogs científicos (ciência em dia, semciência, ciência e ideias, entre outros), notícias sobre ciência ou política científica veiculadas no jornal Folha de SP, discussões do laboratório sobre questões gerais da academia, e qualquer outro material que eventualmente me chame atenção e que eu tenha uma opinião a respeito.
>3. Qual é a média de visitas do seu blog? Como elas chegam a seu blog>e por que elas procuram essa fonte de informação?
R. Não sei a resposta da primeira pergunta. A divulgação do meu blog é feita via o meu Currículo Lattes (CNPq), minha assinatura de e-mail acadêmico e um link - inicialmente - no site/blog do Marcelo Leite (recebi muitas visitas depois de ser "linkada") e - mais recentemente - em outros sites científicos (ciência e idéias, semciência, gluon), além de ter divulgado o blog via orkut (aliás um dia vou postar algo com relação a este "fenômeno" da internet brasileira). Uma busca no google pelo meu nome resulta em entradas que apontam para matérias do blog, o que pode facilitar que as pessoas encontrem este site. As pessoas buscam estas informações porque gostam de conversar sobre aspectos diversos da ciência em um fórum mais informal que a mídia jornalística, onde o formato dinâmico permite a interação dos leitores com o blogueiro e promove a troca de idéias com total democracia: há diversidade e conhecer esta diversidade de opiniões - muitas vezes de especialistas - sobre temas polêmicos atrai visitas ao blog.
>4. Com que freqüência você posta? Quanto tempo do seu dia você dedica ao blog?
R. Frequência irregular (no momento faz mais de 1 mês que não atualizo o blog). Não posso estimar, depende muito das minhas outras atividades de pesquisa que são prioridade.
>5. Você trabalha com o quê?
R. Genética e evolução, de modo geral. Estrutura e função de genomas mitocondriais, mais especificamente e atualmente.
>6. Até que ponto o blog ameaça o jornalismo tradicional? O que faz o>leitor abandonar o jornal e buscar o blog?
R. Não entendi bem a pergunta... São concepções diferentes, não há ameaça. Leitor de jornal pode ir buscar mais informação e opiniões - principalmente - em blogs especializados, uma vez que o jornal nem sempre tem espaço suficiente para apresentar todo conteúdo associado à determinada reportagem, muito menos há espaço para que se possa opinar a respeito (e ser respondido em sua crítica), em tempo - quase - real.
>7. Quais são as vantagens e desvantagens dos blogueiros em relação aos>jornalistas da mídia tradicional?
R. Não sei como é a "vida" do jornalista de mídia tradicional, então posso apenas especular a respeito... sem muito compromisso. Então acho que essa já é uma vantagem: o blogueiro não tem compromisso formal com uma instituição (o blogspot não fica me "cobrando" por eu não postar diariamente ou exige que eu siga critérios formais de postagem). Ter um blog é uma opção pessoal, não profissional, e esta é uma grande diferença. Uma vantagem seria esta flexibilidade de forma, conteúdo, regularidade, expressão e possibilidade de interação direta e - online - com os leitores, que é muito estimulante e promove maior inclusão de idéias e opiniões. Desvantagem... novamente: blogar não é uma profissão... pode ser um gosto, uma necessidade de expor idéias, se expor, divulgar por idealismo, etc. É um gosto que envolve dedicação e tempo (se se quer um blog dinâmico, como todos deveriam ser...) e este tempo é normalmente o tempo livre do pesquisador (que também é usado para a família, tarefas pendentes, manutenção básica, etc). Mas, desculpe, achei a pergunta um pouco mal-formulada... vantagens e desvantagens com relação a o quê, especificamente?
É isso aí!
ana claudia

segunda-feira, março 13, 2006

SEM CIÊNCIA?

Opa! A temporada de blogs científicos está em alta: mais um blog científico identificado - SEMCIÊNCIA, do Dr. Osame Kinouchi. Nasceu hoje, apesar do Osame ser frequentador assíduo do blogue do jornalista Marcelo Leite, com colocações sempre muito pertinentes. Mais uma boa notícia para a divulgação de ciência na pátria amada. Bem-vindo Osame e sucesso!
Observação: engraçado que uma das principais motivações que fomenta a existência destes novos blogs - SEMCIÊNCIA E CIÊNCIA & IDÉIAS (ao menos pelo que indicam alguns dos artigos "postados" recentemente) é apresentar uma crítica a muitas das opiniões e comentários veiculados no "blogue" do próprio Dr. Marcelo Leite, auto-denominado Dr. Anti-determinismo (ou ao menos reconhecido como tal pela maioria dos visitantes do seu "blogue"). De um jeito ou de outro devemos ao jornalista a mobilização dos cientistas para divulgar ciência e popularizar opiniões e conhecimento antes restritos ao âmbito acadêmico. Querendo ou não, parte do mérito, ao menos a veia provocativa, é do Dr. Milk! A vida tem destas ironias, não é? Por isso mesmo é fascinante!
Abraços, ana claudia

sexta-feira, março 10, 2006

incoerência de contextos...


Comentário-relâmpago: acabei de me deparar com uma união incomum causada, aparentemente, pela inclusão de anúncios do Google em páginas de "blog" (artifício que pode ser configurado pelo usuário para, eventualmente, ampliar a divulgação da sua página ou obter algum outro benefício, não me lembro bem...). Fato é que ao ler o texto entitulado "Alguns Milagres do Êxodo Descodificados" do blog português Divagar Ciência, aparecia ao lado um anúncio do Google com a foto do Sagrado Coração de Jesus com a mensagem: "Veja porque você precisa ter em casa o Sagrado Coração de Jesus." Assim ficou na mesma tela, lado a lado, um artigo mundano desmistificando - através de argumentos científicos - alguns dos milagres mais famosos da Bíblia e um anúncio "sagrado" divulgando religião. Achei curiosa esta associação e interessante como uma pequena nota aqui neste "blog".

quarta-feira, março 08, 2006

Novo blog científico: Ciência & Idéias

Aviso aos navegantes, mais um blog científico discutindo ciência em águas brasileiras. O blog Ciência e idéias tem alguns meses de vida no blogspot, mas como eu só o descobri hoje, passa por novo neste comentário. São 4 autores que se revezam nos textos e reflexões. Tive a oportunidade de conhecer um deles, o cientista de nacionalidade portuguesa João Alexandrino, e pelas amostras "postadas" no blog acredito que surgiu mais um espaço sério e comprometido para divulgar ciência... e idéias. Parabéns ao time (aliás a referência ao timão - desculpem-me os gaviões de plantão - é o único aspecto que eu criticaria do blog :)). Saudações e parabéns pela iniciativa. Bem-vindos! Nota? 10, claro!

ana claudia

terça-feira, janeiro 24, 2006

uma nova AMiGA na rede...

Aproveito este espaço para comentar e divulgar uma experiência recente em Bioinformática (como o próprio nome diz: biologia + informática, uma união promissora e fascinante que visa promover a análise de grande volume de informação biológica - normalmente sequências nucleotídicas - através do desenvolvimento de ferramentas computacionais específicas) do nosso laboratório: o banco de dados AMiGA. Esta simpática sigla significa Arthropodan Mitochondrial Genomes Accessible database, numa tradução livre seria algo como: banco de dados acessível para genomas mitocondriais de artrópodes (insetos, aranhas, crustáceos, etc). O artigo descrevendo este banco de dados está em vias de publicação no periódico científico Bioinformatics, uma revista onde ~80% dos manuscritos submetidos são rejeitados conforme rígidos critérios editoriais (informou o editorial de 15 de dezembro 2005). O genoma mitocondrial animal (sim, mitocondria tem um genoma próprio), é uma pequena molécula de DNA dupla-fita circular (16.000 pares de bases), conservada em conteúdo gênico (normalmente 37 genes: 13 genes codificadores de proteinas, 22 RNAs transportadores e 2 RNAs ribossomais), sem introns ou extensas regiões intergênicas (não-codificadoras) e abundantemente utilizada em análises comparativas e estudos evolutivos. O DNA mitocondrial (ou DNAmt) é um dos mais populares marcadores moleculares empregados em estudos evolutivos para uma ampla diversidade de grupos animais, especialmente informativa é a sequência do gene codificador da subunidade I da Citocromo Oxidase c (iniciativas de pesquisa recentes - e em andamento - adotaram ~600pb deste gene como "marcador universal" para inventariar a biodiversidade global, uma iniciativa ambiciosa que se baseia na técnica conhecida como "DNA barcodes"). Mesmo não tendo o apelo conquistado pela área de Genômica "tradicional" (se é que se pode cunhar de "tradicional" uma área de pesquisa ainda recente, especialmente no Brasil), a Genômica Mitocondrial e Comparativa vem obtendo cada vez maior reconhecimento e produzindo importantes contribuições ao conhecimento científico com relação à evolução deste sistema genômico (acredita-se que a mitocondria tenha se originado de uma associação simbiótica entre um organismo eucarioto ancestral e uma bactéria primitiva) e a sua utilidade como marcador filogenético para entender a evolução e as relações entre as diferentes espécies. A bioinformática tem sido extremamente generosa para a investigação biológica, otimizando a análise simultânea de grandes quantidades de dados e trazendo uma nova dimensão de possibilidades para resolver as sempre intrigantes questões das Ciências Biológicas. Desculpem-me pela possível auto-promoção (será?), mas foi uma desculpa para divulgar um pouco mais o mundo do DNA mitocondrial e começar a alimentar este blog que andava meio parado... é isso.
ana claudia

sábado, dezembro 31, 2005

adeus ano velho...


Feliz 2006! Que surjam mais oportunidades para o desenvolvimento científico do Brasil, que a ciência renove seus compromissos éticos, promovendo e disseminando conhecimento, educação e cidadania. Que seja um ano de oportunidades para a pesquisa e os pesquisadores (principalmente os jovens doutores!). Que haja investimento na universidade pública, na formação de recursos humanos qualificados, valorização dos profissionais de ensino/educação (fundamental, médio, superior...), etc, etc, etc...
e por aí vai...
Abraços a todos e sucessos em 2006!
ana claudia

sábado, dezembro 17, 2005

encontro internacional

Depois de uma ausência prolongada, retorno para avisar que está em andamento o "2005 Annual Meeting of the Entomological Society of America", encontro anual da sociedade Americana de Entomologia (= estudo de insetos). O encontro estava originalmente previsto para ocorrer na segunda semana de Novembro, em Fort Lauderdale na Flórida, EUA. Mas devido ao "mau-tempo", leia-se Furacão Wilma, o encontro foi adiado para esta semana (de 15 a 18 de dezembro). Hoje serão apresentados vários painéis do lab. de Genética Animal da Unicamp, que conta com uma "comitiva" expressiva este ano (incluindo 5 alunos de pós-graduação!). Semana que vem estarei de volta ao laboratório e pretendo retomar a atividade deste blog - desculpem-me aqueles que eventualmente consultam este site pela defasagem... Aliás, hoje encontrei uma Brasileira, professora assistente da Penn State University, com artigos publicados na Science e na Nature (área de Ecologia Química), que me perguntou sobre a situação da pesquisa científica no Brasil e a oportunidade de inserção de jovens pesquisadores. Pergunta difícil... ela tem vontade de voltar para o Brasil, mas dúvidas quanto ao país ter uma política científica de continuidade e investimento que valorize o pesquisador e lhe dê condições de trabalho. Pois depois de uma maratona de concursos em 2005 só posso dizer que eu também tenho mais dúvidas do que certezas com relação ao futuro da pesquisa científica brasileira. Só esqueci de perguntar se ela era menor de 35... para poder continuar atiçando minha velha birra... É isso, espero estar "postando" de forma mais constante a partir de agora, ao menos vale a intenção.

terça-feira, novembro 08, 2005

gênio ou ingênuo?

Sei que vocês não vão acreditar, mas vou arriscar assim mesmo: acho que a idéia que tive (sério, pensei nisso sozinha!) de realizar uma mini-entrevista com pesquisadores brasileiros no exterior revelando alguns "flashes" curiosos sobre expectativa e realidades conquistadas (originalmente uma idéia para não deixar a "II Semana Nacional de Ciência e Tecnologia" passar em branco) foi maquiada, ampliada e contextualizada pela Folha de SP no seu caderno MAIS! de Domingo (06/11/2005). Para agregar valor jornalístico, foram eleitos "gênios" ao invés de pesquisadores comuns (esclarecimento justo: ao menos um dos autores da reportagem - ML - considerou a posteriori que o termo "gênio" não "pegou bem") e compilada uma lista de "perfis" (o que deixa a coisa toda mais sofisticada), ao invés de um mini-questionário impessoal e mínimo. Me desculpem vocês que contribuíram aqui, mas a notícia da Folha, reproduzida no "blogue" do jornalista Marcelo Leite, teve mais IBOPE. Um dia a gente chega lá... primeiro será preciso a medalha de mérito da Nature (= ter uma publicação lá) ou da Science para poder ter passe na mídia. Não se enganem: acho que esses caras (ah é, tem que ser homem também) devem ser feras mesmo e sua contribuição deve ser reconhecida e aplaudida (é verdade!), mas vamos também relevar o importante papel da infra-estrutura Norte Americana de fazer pesquisa no sucesso destes jovens doutores do balacobaco (ah sim, tem que estar ou ter estado sob os gloriosos céus da terra prometida - EUA), para ampliarmos um pouco mais nossos horizontes e vislumbrarmos outros autores do processo de produção de geniosidades. Pensei que minha crise (oriunda de um certo constrangimento com alguns pontos da reportagem) tinha passado, mas vejo que ela é resistente (ô praga!) ... vou submeter um artiguinho para a Nature para ver se passa (a crise, porque o artigo ainda tá difícil, oxalá meu dia virá :) :) )... mas não deve ser antes dos 35 anos - em breve (ah é, tem que ser menor de 35). Eventuais gênios (improvável...) e humanos comuns (alguém, talvez?) que possam estar lendo este comentário, me desculpem pelo tom azedinho do "post", mas estou numa maratona de atividades sem precedentes e acho que preciso injetar células-tronco no cérebro (mas não daquelas contaminadas, como as descobriu o Alysson (um dos perfilados da Folha de SP), quero as que não foram tratadas com tripsina: as células-tronco ISO9000, que provavelmente serão descobertas nos EUA, com financiamento do NSF, publicadas na revista Nature por um líder de equipe do sexo masculino com menos de 35 anos, com formação acadêmico-científica e nacionalidade brasileiras! É isso aí! Sucesso aos perfís brasileiros, incluindo os da supra-citada reportagem, e criatividade e bom-senso ao jornalismo científico do Brasil, em especial ao da Folha SP, que merece reconhecimento e... algumas críticas também, construtivas, por que não?
Desculpem-me aqueles que não entenderam nadica-de-nada deste post-desabafo. Ufa! Chega de crise!

Quem dá mais?!

Incrível: li hoje no Jornal da Ciência sobre a compra e venda de teses que tem movimentado o mercado negro da academia. Uma tese pode render 2.000 reais para o autor-traficante e promover o status, a carreira e o salário do autor-laranja. Só falta conseguir promover também a auto-estima do sujeito (bem, remorso ou conflitos éticos esse pessoal não deve ter mesmo!). Se não fosse piada de mau-gosto, diria que o mercado para pós-graduandos e pós-docs está se ampliando e se diversificando... Peloamordedeus alguém faz alguma coisa: isso já é o fim da picada. Tese agora virou CNH, que se compra de despachantes obscuros?!?! Que frustrante... Nota ZERO!

domingo, outubro 09, 2005

doutores sem fronteira...2

Continuando com os depoimentos sobre a experiência de pós-docs/doutorandos no exterior e a perspectiva quanto ao retorno ao Brasil...
Caso 2: PA
1) Nome ou alguma forma de identidade

PA – 37 anos natural de SP, mas carioca de coração.

2) área de formação/especialização no exterior

Biólogo formado em licenciatura pela UFRJ/92; mestre/96 e doutor/05 pelo IOC/FIOCRUZ; Pos-doutorado em imunologia da tuberculose/em andamento

3) expectativas quanto à experiência no exterior

Tive alguns percalços no início aqui nos EUA, como de praxe para quem está mudando de cultura e ambiente, mas nada que não pudesse ser superado aos poucos. Hoje, posso dizer que esta fase inicial nos serve de pavimentação para que ganhemos maturidade e encaremos as coisas sob uma outra ótica. Assim, vemos o Brasil com outros olhos, e as maravilhas de nosso povo com ainda outros. Mas também vem as comparações culturais, que deixam muito a desejar ao nosso povo quando se trata de coerência, ética, respeito e boa vontade. No que se refere ao trabalho em si, muitas coisas que vejo por aqui poderíamos implementar no Brasil, salvo as limitações orçamentárias e tecnológicas.

4) avaliação do confronto "expectativa X realidade"

Não tive este tipo de conflito pois venho de um laboratório na FIOCRUZ onde quase tudo o que faço por aqui, também poderia ser feito por lá. Porém, as facilidades que aqui encontro são tamanhas em comparação ao Brasil. Do tipo: uma análise que estamos fazendo e que teremos resultados já no mês que vem demoraria pelo menos um ano por lá, caso já tivessemos também os equipamentos montados.

5) expectaiva ou realidade quanto ao retorno ao Brasil

NENHUMA. Infelizmente, nosso país não me deu alternativas senão migrar para os EUA em busca de oportunidades. Não teria condições de viver de bolsas por uma eternidade, mesmo com um diploma de Doutor na mão. Isso sim me deu garantias de emprego por aqui. Concursos públicos são muito escassos na área de pesquisas, apesar do déficit de pessoal. Uma grande pena, pois apesar do investimento e apoio que o Estado brasileiro me deu ao longo dos últimos anos, e quando me sinto mais produtivo do que nunca em minha vida profissional para retornar este investimento ao povo brasileiro na forma de produção científica para nosso país, vim produzir e trabalhar para um país que não me formou ou investiu em minha carreira, mas veio colher os frutos deste investimento alheio.

6) top 5 aspectos positivos e top 5 aspectos negativos sobre sair do Brasil/viver no exterior

POSITIVOS:

Mudança cultural, Recompensa monetária justa, Contato facilitado com cientistas top na minha área, Domínio de uma segunda lingua e Amigos de outras nacionalidades.

NEGATIVOS:

Saudades da família, Saudades da pátria, Frio muito intenso, Inverno depressivo, distância da nossa cultura e Saudades dos amigos do Brasil.

Saudade não tem fim... abraço e sucesso PA, ana

doutores sem fronteira...

Para não deixar passar em brancas nuvens: a segunda SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA reuniu inúmeros eventos em instituições de ensino e pesquisa de todo País. Uma proposta deste blog foi apresentar algumas impressões de doutores brasileiros no exterior, de modo a tirar algumas questões da "marginalidade" nesta oportunidade de discutir o futuro da ciência e tecnologia no Brasil. Os textos enviados para este blog foram publicados na íntegra, o anonimato foi sugerido como uma opção e a proposta foi enviada no formato de um questionário, cada questão pode ser respondida individualmente ou na forma de um texto, integrando todas as respostas. Nas próximas postagens estarei apresentando estes testemunhos e agradeço sinceramente àqueles que gentilmente dedicaram um pouco do seu tempo nestas reflexões. Muito obrigada e sucesso, no Brasil ou fora dele.

As questões:

Texto introdutório: "Estou pensando em publicar no blog respostas de pesquisadores brasileiros, que estiveram ou estão no exterior, a um curto questionário. Pensei em ilustrar as "expectativas e realidades" enfrentadas pelo pós-doc ou doutorando nesta experiência. Seria algo assim:

1) nome ou alguma forma de identidade (apelido, pseudônimo - se quiser ficar anônimo);
2) área de formação/especialização no exterior;
3) expectativas quanto à experiência no exterior;
4) avaliação do confronto "expectativa X realidade";
5) expectaiva ou realidade quanto ao retorno ao Brasil;
6) top 5 aspectos positivos e top 5 aspectos negativos sobre sair do Brasil/viver no exterior"

Caso 1: Helô

"Meu nome é Heloisa, ou simplesmente Helô. Graduei-me em Ciências Biológicas pela UNICAMP, onde também fiz meu mestrado (em Microbiologia) e doutorado (em Biologia Celular). Agora estou nos Estados Unidos, em Nashville, TN, na Vanderbilt University, para um pós-doc, em Biologia Celular, na área de Nefrologia.

A minha expectativa em relação ao meu futuro após essa experiência é que eu consiga um diferencial para, quem sabe, conseguir um emprego no Brasil que me agrade. Quando digo que me agrade, estou falando que seja numa cidade boa, numa universidade/faculdade legal. A chance de vir pra cá apareceu meio que de bandeja, já que uma amiga minha estava aqui, soube da vaga e me avisou. Eu achei que seria uma boa oportunidade, pois, embora trocasse de tecido (de próstata para rim), eu ainda estaria dentro da Biologia Celular e mais especificamente, continuaria com Matriz Extracelular. Outro ponto importante e que me deixou um pouco animada foi ver que existem poucas pessoas no Brasil que publicam nessa área. Será uma chance a mais de poder “introduzir” uma linha nova!

Acho que logo que a gente chega num lugar novo (e nem precisa ser fora do país), a gente cria muitas expectativas, principalmente querer trabalhar muito para ter vários resultados. Bom, logo os ânimos acalmam pois a gente se dá conta de que o tempo passa muito rápido, mas as coisas acabam não andando na velocidade que você gostaria que fosse. Agora estou com seis meses de trabalho e se tivesse que apresentar resultados, não os teria... Chega a ser um pouco desanimador, mas por outro lado as promessas são grandes e a isto associa-se o fato de sermos mais “experientes” e sabermos que as coisas demoram um pouco a acontecer. Meu chefe diz que um bom pós-doc é de 2-3 anos. Tenho que concordar. Por outro lado, acho que para nós, qualquer experiência é válida. O problema de ficar pouco tempo (1 ano) é que provavelmente não dará tempo de fechar um paper (mas isso também depende um pouco da área) e, embora não se perca a publicação, provavelmente seu nome não será mais o primeiro... Mas eu penso que um ano é melhor do que nada. É legal ver o jeito como eles pensam, a realidade do trabalho deles e ver o porque de algumas coisas serem fáceis aqui e também ver alguns defeitos e até mesmo inexperiências, coisas talvez que a falta de dinheiro ou a ciência mais básica resolve mais facilmente.

Por enquanto sei que quero voltar pro Brasil e não penso em outra possibilidade. Mas as oportunidades aqui são muito boas e dependendo do grau de descomprometimento que se tem com pessoas/coisas do Brasil, profissionalmente não há dúvida de que aqui é um bom lugar pra um biólogo. Como faz pouco tempo que estou aqui, não tenho pensado muito sobre as expectativas que tenho em relação ao Brasil. Sei que a realidade é difícil e vejo isso pelos meus amigos que aí estão!

Minha lista de pontos positivos: crescer pessoalmente, trabalhar num país onde se investe na pesquisa, aprender a discutir resultados, conviver com pessoas de toda parte do mundo, aumentar a “network”. Os pontos negativos: estar longe da família e dos amigos, muitas vezes não conseguir se fazer entender (mas este é um problema que varia de pessoa pra pessoa)... Que bom que por enquanto só sei dois! Isso quer dizer que ainda estou bem :)!!!"
É isso aí Helô! Estamos na torcida pelo seu sucesso! ana

sexta-feira, setembro 30, 2005

Contra, a favor ou muito pelo contrário

Às vezes me parece que não tem nada que combine mais com americano do que marketing... Uma batalha judicial está mobilizando leigos e cientistas nos Estados Unidos: pais preocupados com o educação dos filhos entraram na justiça para evitar que o "Intelligent Design" ou teoria do Design Inteligente seja ensinado nas escolas como alternativa à teoria da evolução de Darwin, baseada na seleção natural. Alternativamente, explicam a complexidade e a diversidade biológica pela intervenção sobrenatural. Esta polêmica já não é de hoje, ontem chamavam-se criacionistas, o termo moderno é ID (Inteligent Design), e sabe-se lá o que nos aguarda o futuro. Seja como for, há um abaixo-assinado sendo divulgado na internet (eu recebi um email de um dos pesquisadores mais renomados da área de genômica mitocondrial, o Dr. Jeffrey Boore do Joint Genome Institute) por um período de 4 dias que pretende obter mais de 4000 assinaturas de cientistas (parece que já conseguiu), incluindo arqueólogos, biólogos, evolucionistas, paleontólogos, biologistas moleculares e teólogos até! E vejam pela foto que há opções para todos os gostos, para recém-nascidos, dorminhocos, bebedores de café, animais e, claro, a tradicional camiseta para divulgação da proposta. Depois, com tempo, eu incluo os links para um ou outro site interessante que foi comentado aqui, OK? Inclusive dos fornecedores de "material de propaganda" para quem quiser dar um presente para seu sobrinho recém-nascido... haja criatividade!

segunda-feira, setembro 26, 2005

projeto genoma musical

O "Music Genome Project (MGP)", fundado por Tim Westergren e colaboradores em 6 de janeiro de 2000, desenvolve a idéia de criar um ambiente onde a essência musical de um indivíduo fosse captada (seria por aí a analogia genômica?) . Foram compiladas centenas de "genes" musicais (???) resultando num abrangente "Music Genome". Seria como se cada música carregasse uma identidade musical, algo além do que simplesmente o gênero muscial, uma combinação de atributos mais fundamentais como melodia, harmonia, ritmo, instrumentação, orquestração, arranjo, letra e canto (seriam estes os "genes"?). Nos últimos 5 anos esta iniciativa (MGP), ouviu mais de 10.000 músicas de diferentes artistas, analisando cada atributo individualmente, de modo a criar uma "extraordinária coleção de análises musicais" - segundo seus autores. A proposta é servir como guia pessoal para explorar seu universo musical preferido (mesmo que desconhecido para o próprio interessado) . Confira se seu genoma se identifica com a proposta em www.pandora.com (mais sobre o projeto aqui)

Essa nota (sem abusar do trocadilho musical) saiu semana passada na Folha (de São Paulo) Informática, e como é mais uma alusão ao termo genoma que foge do convencional, achei curioso incluir este comentário.

quinta-feira, setembro 22, 2005

dar nome aos Bos taurus

Bos taurus Linnaeus, 1758. Apesar do inconveniente fonético, este é o nome científico que batiza o boi (ou mais rigorosamente, uma espécie de bovídeo). A nomenclatura binomial de Lineu foi uma das contribuições mais significativas para o desenvolvimento das ciências biológicas. A taxonomia, a ciência que estuda a classificação dos seres vivos, é bombardeada com a descrição de novas espécies continuamente, 24hs/dia... a necessidade de uma descrição criteriosa para a correta identificação dessa mega-diversidade biológica traz consequências: o conhecimento em taxonomia é visto, muitas vezes, como um conteúdo hermético, de difícil acesso e, deste modo, pouco "democrático". A Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) lançou a proposta de criar um registro "on-line" de acesso público para a nomenclatura animal, e acaba de publicar esta intenção como um comentário na revista Nature desta semana ("A universal register for animal names"). A idéia é ter um banco de dados (ZooBank) para armazenar e gerenciar novos nomes taxonômicos, de modo a promover uma maior padronização destes dados e disponibilizar um cadastro com acesso otimizado para a comunidade científica, instruída na arte da taxonomia ou não. Andrew Polaszek (secretário executivo da ICZN) cita a iniciativa e o formato do GenBank como modelos pra o ZooBank, e acredita que eventuais conflitos (cadastro no banco X registro via publicação científica) serão facilmente administrados. Ele aproveita também para sugerir que métodos de taxonomia molecular (como o DNA barcodes) poderiam beneficiar-se imensamente desta iniciativa.
Li uma crítica recente no Jornal da Ciência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) onde o Dr Mário de Vivo, curador do museu de zoologia da USP, afirma ser muito fácil para ele encontrar qualquer informação taxonômica sobre sua área de especialidade na literatura científica disponível e não vê maior relevância na implementação de algo como o ZooBank... pois eu só vejo benefícios (mas não sou taxonomista)!

PS - A crítica do Dr. Vivo pode estar sujeita a algum viés de memória, pois li o comentário apenas uma vez e não sei se distorci de alguma forma seu conteúdo (estou tentando recuperar o artigo onde li isso, se alguém tiver o texto original pode me mandar uma cópia? Obrigada!)

terça-feira, setembro 20, 2005

habeas corpus in mens in-sana

Genoma agora virou argumento a favor da liberdade de chimpanzés: segundo o Jornal Folha de São Paulo de hoje, o promotor Heron Santana (+ 2 promotores, + 4 professores universitários e + 4 diretores de ongs ambientalistas) solicitou um habeas corpus para soltar um chimpanzé (aliás, umA chimpanzé) do Zoológico de Salvador (BA) argumentando (entre outras coisas) que deve-se considerar que o genoma do chimpanzé é 99,6 % idêntico ao genoma humano. Consta inclusive uma citação dizendo que a chimpanzé "é uma pessoa que não pode permanecer presa." Outras informações da reportagem alertam para o fato das condições precárias e impróprias da "carceragem" da pobre macaca, o que por si só já justificaria uma transferência, mas fazer alusão à identidade genômica quase-humana foi uma novidade para mim, um desses desdobramentos imprevistos da ciência ou da má-interpretação e aplicação questionável (no menos precipitada) de seus resultados. Qual será a opinião da macaca sobre isso?

quinta-feira, setembro 15, 2005

Harry e o mundo (não determinista) de Mendel...

Ingenuamente pensei que a inclusão, pela revista Nature, de um comentário sobre analogias entre os princípios de Mendel e as histórias de Harry Potter (comentado anteriormente neste blog sob o título "Harry Potter e o mundo de Mendel") fosse muita "divulgação" (afinal o Indice de Impacto da Nature é 32,182) para apenas uma curiosa circunstância... enfim, ao que tudo indica eu estava enganada:

Fato é que foi publicada esta semana uma réplica (Nature 437, 318 doi: 10.1038/437318d) entitulada: "Harry Potter and the prisoner of presumption" de Antony N. Dodd, Carlos T. Hotta & Michael J. Gardner (cientistas de Cambridge!) mostrando que o assunto é mais polêmico e de interesse mais amplo do que eu imaginei. Estes autores afirmam: "We believe the assumption that wizarding has a genetic basis to be deterministic and unsupported by available evidence", ou seja: "acreditamos que a suposição de que a habilidade bruxesca tem base genética é determinista e não é apoiada pelas evidências disponíveis" (tradução livre).

E eu aqui trabalhando com moscas... seja como for, a crítica ao determinismo genético (vigorosamente empunhada pelo jornalista Marcelo Leite, ver blog Ciência em Dia) também faz parte do mundo de Harry afinal.

Nota: sobre o índice de impacto de revistas científicas, devo esclarecer que o valor 32 atribuído à Nature é calculado com base no número de citações dos artigos desta revista (indiretamente poderia-se extrapolar que o índice de impacto reflete, em parte, a contribuição dos artigos publicados pela revista na produção de conhecimento científico). Dentre as revistas científicas brasileiras, por exemplo, apenas uma (a Journal of the Brazilian Chemical Society) tem índice de impacto maior do que, pasmem, 1 (um, isso mesmo). O índice de impacto desta revista é de 1,161 (qual havia sido o seu palpite?) .

terça-feira, setembro 13, 2005

Ciência verde-amarelo

De 3 a 9 de outubro será realizada a segunda "Semana Nacional de Ciência e Tecnologia" com eventos diversificados (exposições, cursos, palestras, mesas redondadas, vídeo-conferências, etc.) em inúmeras instituições/unidades de pesquisa de todo Brasil. Na semana da C&T Nacional estarei 100% dedicada a outra atividade e, portanto, 'fora do ar' com relação ao blog. Mesmo assim, irei bloggar uma série de depoimentos informais sobre "Doutores sem fronteiras" que contam um pouco do histórico recente de jovens doutores (que sairam ou ficaram no País) e suas perspectivas com relação à fazer ciência no Brasil e o mercado de trabalho. Hum... parece interessante! Em breve, neste blog. Fiquem à vontade para incluir sua história (contato via blog ou aclessinger@hotmail.com).

Agregando valores... outra história

O "Annual Life Sciences Salary Survey" publicado pela revista "The Scientist", dá uma idéia do salário pago aos cientistas de diferentes áreas de especialização das Ciências Naturais nos Estados Unidos. A genética é uma das últimas no ranking! E a diferença de valor é significativa quando comparada ao salário-campeão pago ao profissional da área de descoberta de fármacos/drogas. Nem pensar em fazer uma comparação com os salários (ou melhor, salários-bolsas) dos pesquisadores brasileiros. Fica aí uma imagem para reflexão.

sábado, setembro 03, 2005

congresso de genética

Estou temporariamente "fora do ar" devido ao 51° Congresso Brasileiro de Genética da SBG (Sociedade Brasileira de Genética) na próxima semana. O laboratório entrou no 'frenesi' pré-congresso para preparação de apresentações e trabalhos, nossos painéis podem ser identificados pelos códigos: GA313 (métodos em genômica mitocondrial), GA 315 (estrutura e evolução da região-controle do DNAmt de moscas-varejeiras), GA316 (estrutura da região ITS2 de moscas-varejeiras e potencial filogenético), GA317 (microssatélites em Cochliomyia macellaria), GA318 (microssatélites na mosca-da-bicheira, Cochliomyia hominivorax), GA319 (estrutura e evolução do genoma mitocondrial da mosca-dos-estábulos, Stomoxys calcitrans), GA320 (estrutura e evolução do genoma mitocondrial da mosca-dos-chifres, Haematobia irritans), GA321 (microssatélites na mosca-dos-chifres, Haematobia irritans) e GA323 (análise de marcadores LongPCR-RFLP no DNAmt da mosca-dos-chifres, Haematobia irritans). Vale a pena conferir!

sexta-feira, agosto 26, 2005

Note e Anote: CONNOTEA

Uma idéia bem interessante essa, vinda do mundo virtual, onde o sentido da palavra inovação ganha conotação quase cotidiana:

Um indexador seria uma forma rápida (correndo o risco de ser imprecisa, como já diria o conhecido provérbio) de definir o que é Connotea. Uma iniciativa do Nature publishing group para facilitar a indexação de conteúdos da internet (um serviço de "bookmarking"), principalmente visando facilitar o gerenciamento de conteúdos científicos. Esta iniciativa não é única no gênero, gênero este definido como "Social Bookmarking Tools" (algo próximo a "ferramentas para indexação socializada"), e foi inspirada em del.icio.us, um indexador/gerenciador social de páginas web de conteúdo generalizado.
Uma vez "on-line", o usuário pode acessar sua coleção de sites preferidos de qualquer computador, e ainda torná-los disponíveis para consulta por terceiros (um "bookmark" público). Além disso, a forma de indexar novos conteúdos é dinâmica e os conteúdos podem ser indexados através de palavras-chave (gerando "tags" ou etiquetas) de modo a otimizar consultas neste banco de dados.
Fiquei curiosa sobre a definição desta ferramenta enfatizar a condição "social", para vincular a idéia do compartilhamento (ou socialização) de coleções de "links" individuais. Me pareceu que o termo "public" poderia muito bem (e mais diretamente) transmitir a idéia um serviço que permite o acesso público a essas listas de "links" (eu mesma passei um tempo invocada com o tal "social"). Finalmente entendi que o apelo "social" é mais atraente, basta ver a evolução de sistemas como o (famigerado, para alguns) Orkut, consagrado como "rede social de relacionamentos". O "social bookmarking" parece querer pegar uma carona por aí.
Essa iniciativa (Connotea) foi lançada já em Dezembro de 2004, mas eu comecei a testar a ferramenta agora e achei que valia a pena comentá-la. Nota 9 (provavelmente vou passar a nota para 10 assim que aprender a usar isso direito, e achei o serviço um pouco lento para a consulta em "my library")!

segunda-feira, agosto 22, 2005

e por falar (mal) do Google...

A notícia é velha (dezembro de 2004), mas como eu só vi hoje passa por novidade (!). Já que comentei sobre as teses da Unicamp indexadas no Google, achei informativo e justo também incluir uma visão menos otimista e mais realista sobre uma ferramenta relativamente recente: o "Google Scholar". O "Péter's Digital Reference Shelf de Péter Jacsó começa assim (tradução livre): " o Google Scholar possui grandes falhas na sua cobertura dos registros (arquivos) das editoras..."

O autor deixa um link para que sejam realizados testes comparativos entre um conjunto de bases de dados especializadas na indexação de referências bibliográficas, artigos e resumos de artigos científicos e o "Google Scholar".

Vale a pena dar uma olhada nesta revisão, pois foge ao senso comum (e segundo o autor ele é inflamadamente contestado por isso) e faz uma severa crítica ao sistema Google de buscador na sua versão "escolar".

Mais um trecho da revisão (sem tradução):

"Google, Inc. has the intellectual and financial resources (and the largest group of cheerleaders) to create a superb resource discovery tool of scholarly publications. It needs to:

1 - exploit the highly structured and tagged Web pages with rich metadata readily available in the digital archives of most of the scholarly publishers:
2 - create field-specific indexes for many distinct data elements
3 - offer an advanced menu with pull-down menus for limiting the search by publisher, journal, document type, publication year, etc.
4 - consolidate cited references through the ever increasing DOI registry
5 - collect information of all the relevant materials from the publishers' archive
6 - develop utilities that enable libraries to launch a known-item federated search in the full-text aggregators' databases licensed by the library in order to check if any have the document from a journal that is not licensed digitally from the publisher"

E olha que interessante (ou provocativa, diriam alguns) a frase final:

"I promise that I will write a hagiographic review about Google Scholar when it is done, and done well".

Segundo a Wikipedia:
hagiography é um gênero literário que compreende escritos (ou documentos) que descrevem pessoas sagradas, como líderes espirituais, eclesiásticos e seculares.