Blog informal sobre conteúdos de genética e evolução. Com comentários gerais e específicos a respeito de novidades e polêmicas em ciência.
quinta-feira, junho 21, 2007
crise nas universidades...
*particularmente nunca vi nada errado em haver festas na universidade, mas sou de um tempo quase pré-histórico quando as festas eram eventos quase "artesanais", em horário de "matinê" e promoviam a integração cultural inclusive (como as famosas BIOART dos anos 90) e não super-produções da madrugada.
O blog Roda de Ciência está promovendo um debate sobre o tema este mês. Por favor inculam eventuais comentários aqui.
quarta-feira, abril 04, 2007
Orkut na Academia
04/04/2007 Agência FAPESP
O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo, em São Carlos (SP), promove, no dia 5 de abril, às 11 horas, a palestra Quem você conhece: a revolução da social network.
O evento, que é aberto ao público, será apresentado por Orkut Buyukkokten, engenheiro de software e gerente de produtos do Google, que falará sobre o desenvolvimento do site de relacionamentos Orkut, com enfoque nos aspectos sociais e técnicos para manter um sistema que superou os 40 milhões de usuários no mundo.
Mais informações: eventos@icmc.usp.br
quinta-feira, março 22, 2007
Blog do Marcelo
Eis a saudação do viagene comentada no blog do Marcelo Knobel:
Parabéns pela iniciativa de submeter seu currículo à seleção e, obviamente, por ter sido selecionado. Boa sorte nesta viagem-aventura-científica e que sobre tempo para atualizar o blog (ferramenta extremamente "feliz" para uma oportunidade como esta). Vou fazer um "link" no Via Gene para esta nota da Unicamp e para o seu blog, OK? Espero que além de divulgar suas andanças pelo "caminho de Santiago" científico dos EUA, seu blog também tenha um papel importante como modelo de estratégia de divulgação científica e contribua para promover a validade esta atividade para nossa comunidade científica (a Unicamp já inova neste sentido, mas pré-conceitos ainda persistem). Quem sabe você consegue "emplacar" um blog científico no quadro de blogs da Folha de SP? Futebol, F1, gastronomia, política, etc. já estão contemplados há tempos... será a ciência desinteressante de ser "bloggada" ou serão os cientistas que resistem ao formato e à exposição nestas "condições" :). Enfim, sucesso!
A notícia veiculada pelo site da Unicamp pode ser lida aqui.quinta-feira, fevereiro 01, 2007
língua-mãe ou madrasta?

terça-feira, janeiro 30, 2007
ciência e a arte de falar simples: uma tentativa

Texto inspirado no tema de janeiro para o blog Roda de Ciência: a arte de falar simples
- E o que tem isso a ver com o tema “a arte de falar simples”?
A conexão se fez quando fui convidada para dar uma palestra sobre quem é o biólogo para um grupo escoteiro há quase 10 anos atrás. Senti-me tentada a aceitar o convite pelas razões “históricas” reveladas acima. Devo esclarecer que há no escotismo uma diferenciação de “patentes”, a partir dos ternos “lobinhos” até o “chefe-escoteiro”, e cabe ao escoteiro cumprir determinadas tarefas para receber um grau “superior”. Uma destas tarefas era “entrevistar um biólogo”, e para inovar, o escoteiro desta história, optou por apresentar um biólogo em “carne e osso” (no caso, eu) para a turma. E aí surgiu a oportunidade e a necessidade de adaptar o discurso acadêmico ao formato do “falar simples” para divulgar a ciência feita pelo biólogo. Será que o escoteiro poderia imaginar que a conversa seria sobre a vida e a arte das moscas varejeiras?!
O que parecia uma tarefa simples se transformava num desafio cada vez maior à medida que crescia minha consciência do abismo que pode haver entre estas duas linguagens de divulgação, a acadêmica e a informal. Por isso mesmo é preciso um artista para mediar esta transformação do conteúdo, e nem todos somos Charles Chaplins capazes de traduzir a complexidade da vida humana e suas relações através de obras primas que se revelam para todas as idades e “escolaridades”, numa linguagem “universal”.
Munida de um puçá*, um pôster, uma gaiola de moscas e mais algumas surpresas (como larvas e pupas), fui ao encontro deste desafio. Foi um começo meio desafinado, que foi se transformando conforme via os rostos das crianças e adolescentes respondendo ao mundo novo – do biólogo – que ia sendo apresentado ali. A curiosidade é realmente uma aliada inestimável para o divulgador de ciências e, escoteiros, além de sempre alertas, são criaturas extremamente curiosas (até por serem crianças!). Claro que uma gaiola cheia de moscas verdes e um “tupperware” com carniça e larvas esfomeadas foram elementos importantes para despertar essa curiosidade, seja pelo interesse no sistema biológico em si ou pela perspectiva “meio nojenta” – para quê serve isso?
*Visto que o tema é “falar simples”, fica o esclarecimento: puçá: ferramenta formada por uma vara e uma redinha de filó presa ao redor de um aro que serve para capturar pequenos insetos (classicamente associado à captura de borboletas, mas também serve para pegar moscas! ver foto do "post"); larvas: “filhotes” de moscas (fase do ciclo de vida da mosca, popular “verme”); pupa: casulo (fase do ciclo de vida em que ocorre a metamorfose, transformando a larva em mosca adulta). Tupperware: potinhos de plástico com tampa que revolucionaram os anos 80!
Foi uma experiência inesquecível! Mostrar o ciclo biológico de um organismo, falar de classificação taxonômica, comentar o que são relações filogenéticas (não vale dizer que mosca varejeira “é prima” da mosca doméstica), que mosca tem DNA (inclusive na mitocôndria – mitoquê?), que DNA é uma estrutura dinâmica que conta histórias, histórias evolutivas reveladas por marcas que são passadas por gerações... isso tudo tão fascinante!
E como funciona isso? Interrompe uma pequena apontando para o puçá.
E dá-lhe procurar um inseto para que todos vejam um biólogo em ação. Sorte a minha eu ter conseguido pegar uma micro-mariposa (único inseto voador que assistia à palestra), enquanto me esforçava para não comprometer a figura do biólogo... mal sabiam eles que minhas habilidades com a pipeta (micropipeta, para ser exata) e um tubo eppendorf superam em muito minha desengonçada performance com o puçá (até porque pegar moscas varejeiras com puçá é tecnicamente mais fácil do que pegar mariposas ariscas).
Mas, apesar de divertido, descobri que o “falar simples” é uma tarefa complexa, e sendo arte, requer talento, dedicação e inspiração. Ser simples ao falar de ciência não é o mesmo que ser simplório... ou seja, existe uma linguagem científica, onde diferentes modalidades da ciência adotam termos próprios, o conhecido jargão, para definir conceitos e se expressar da melhor forma possível. O “falar simples” deveria traduzir completamente a linguagem científica? Acho que não é bem assim. No meu mundo ideal, o “falar simples” seria uma ponte para transportar o interessado (ou leigo?) para esse mundo particular, sem “facilitar” a ponto de entediar, nem improvisar a ponto de deturpar a informação. A linguagem científica se utiliza de termos próprios e desconhecidos do público geral para tentar traduzir a própria natureza, assim como Saramago nos provoca a consultar o dicionário para trilhar seus densos – e inspirados – escritos. A arte do “falar simples” está no sucesso de uma divulgação científica que não violenta a linguagem científica, que acrescenta conhecimento àquele que lê – promovendo uma ampliação do universo deste – atraindo-o para uma outra dimensão. Ser um divulgador de ciência não é ser um tradutor, é ser um artista.
quarta-feira, novembro 22, 2006
para ver na tv...
Texto reproduzido na íntegra:
“Tome Ciência”, nesta quinta-feira: Faço o que meu gene manda?
Programa é transmitido às 8h, pela SescTV
A História documentou a necessidade de colonizadores e conquistadores de justificar, com base na ciência, a escravidão, o genocídio e a estratificação da sociedade. Hoje, pesquisadores e leigos perguntam se de fato as grandes mazelas da sociedade têm origem na genética. O comportamento violento, as tendências criminosas, o homossexualismo, a inteligência, o abuso de drogas, a esquizofrenia são herdados? Ou a educação e a cultura desempenham papéis predominantes?E ssa é uma discussão polêmica e apaixonada, debatida por defensores das duas principais correntes do pensamento.
Participantes:
Jorge Moll Neto, neurologista, coordenador da Unidade de Neurociência Cognitiva e Comportamental da Rede D'Or de Hospitais, co-autor, com o neurologista Ricardo Oliveira, de um mapeamento das emoções no cérebro.
Suzana Herculano Houzel, neurocientista do Departamento de Anatomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autora de livros sobre o funcionamento do cérebro e nossas emoções e desejos.
Sérgio Smith, médico e psicólogo do Departamento de Neurofisiologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Ricardo Waizbort, doutor em literatura, que trabalha com filosofia da biologia na Casa de Oswaldo Cruz, da Fiocruz.
A SescTV é transmitida pelo sistema NET digital nas cidades do RJ e SP (canal 90) e pela Net normal para o resto do país (verificar o canal de sua região ), no canal 3 da Sky, no 211 da DirecTV e no 10 do Tecsat. Em SP, também por UHF, pelo canal 14.
O encontro e a discussão destes temas promete...
terça-feira, novembro 21, 2006
email-denúncia: o ensino de biologia em risco?!
"Eu possuo um professor de Biologia que costuma fazer afirmações absurdas e sempre que o questiono ele finge não ter falado determinadas coisas (...) dá explicações ainda piores (...).
Entre muitas coisas, ele disse que cromossomos acrocêntricos não possuem satélite; que o sangue do tipo A é ácido e do tipo B é básico; que existe uma águia com 12 metros de envergadura; que tubarões possuem dentes do tipo siso...
(...) nas últimas aulas ele falou que as pálpebras são uma evolução de chifres. Questionei então como há animais que possuem pálpebras e chifres ao mesmo tempo, então ele disse que nesse caso não são pálpebras, e sim anexos da epiderme.
Gostaria então de saber se há alguma veracidade nisso (...)"
CONTINUA...
Parte II
"Infelizmente o ensino no país está todo errado. Acredito que não seja só na minha cidade, mas no Brasil inteiro segue-se a regra apostilas+macetes e o aprendizado fica pra segundo plano. Até metade do ano eu me irritava com isso, mas conseguia levar. Eu tinha uma visão meio inocente da coisa e era até egoísta - pensava que se eu cursasse Engenharia Mecânica na faculdade poderia me livrar de certas "responsabilidades".
Então quando chegaram as férias de metade de ano, minha mãe me deu um livro do Sagan (O Mundo Assombrado Pelos Demônios), e eu comecei a ler e procurar coisas diferentes. E quando recomeçaram as aulas comecei a questionar mais, e anotar no caderno para pesquisar depois sempre que algum professor falava algo absurdo demais. E o caso do professor de Biologia não foi único. Eu possuo outro (de Biologia também) que é todo místico e adora falar sobre milagres e lições de moral. Um professor de Inglês chegou a falar que o homem não foi à Lua (...). E a maioria não se importa em ensinar a matéria em si, apenas a mostrar como se resolve um exercício.
Quanto aos sisos do tubarão, estávamos numa aula sobre o aparelho digestivo. E como a digestão começa na boca, aprendemos os dentes. Então ele fez um desenho no quadro sobre os incisivos, caninos, molares... e falou "vocês reclamam quando tem que tirar 4 sisos, é porque não conhecem o tubarão que possui XXX dentes do siso" (não lembro agora qual a quantidade que ele falou). Ainda nessa aula, ele falou sobre muitas pessoas estarem nascendo já sem os sisos, e puxou para o lado da evolução. Falou que a galinha não voa porque a asa que ela tem funciona como braços e começou a comparar vários animais. Então disse das pálpebras - não lembro exatamente o que o levou a dizer isto, mas já estou acostumada a ouvir informações que não correspondem exatamente à matéria.
Os cromossomos acrocêntricos pelo menos na minha apostila possuem satélite (mas ele nos mandou riscar!), e pelo que eu pesquisei no Google também possuem. Aí resolvi imprimir e mostrar a ele. Neste dia foi o cúmulo, pois ele teve a cara de pau de dizer que nunca falou que eles não possuíam satélite. Mas ele até nos mandou riscar...
Sobre a ave de 12m de envergadura (que segundo ele vive em algum deserto dos EUA), perguntei a ele onde ele viu ou leu tal coisa, porque a maior ave do mundo vive na Amazônia, e a ave símbolo dos EUA que possui a maior envergadura, pode chegar no máximo a 2.25m. Então ele tentou se esquivar falando que viu num documentário. Eu perguntei qual. Ele disse que não lembrava o nome. Então perguntei qual canal da televisão, porque eu poderia facilmente ver na revista da programação qual programa era. Por fim ele acabou admitindo que o tal documentário PODERIA estar errado.
Este é um dos professores preferidos da maioria dos alunos, outro dia uma menina me falou vários absurdos porque eu e uma amiga costumamos rir das coisas que ele fala. O pior da história não é exatamente ele, é quase todo mundo querer desesperadamente passar em um vestibular sem necessariamente ter aprendido algo e todo esse esquema músicas+macetes... E ironicamente eu estudo em um colégio particular na capital do estado com o 2º menor índice de analfabetismo. (...)
(...)
Uma pequena novidade: eu possuo aula nos dois períodos (matutino/vespertino) e hoje para minha "sorte" as três primeiras aulas da tarde foram trocadas para três aulas seguidas de ninguém mais, ninguém menos que o "famoso" professor. Enquanto explicava os diferentes tipos de tecido, ele falou que a pressão interna no corpo é igual a pressão externa! Se fosse assim, quando nos cortamos o sangue não sairia pra fora. Já encontrei um bom site sobre o assunto, só preciso esperar minha família comprar tinta para a impressora e levarei isto para ele ler (espero que o faça)."
sexta-feira, novembro 17, 2006
a entrevista na íntegra
Apesar de gostar de ver o via gene citado na "mídia" e em um veículo que agrega reportagens de qualidade, a nota publicada foi bastante econômica com relação ao universo de "blogs" científicos brasileiros (em expansão) e fiquei tentada a rever minhas respostas às questões da entrevista: como será que eu contribui para esta visão reduzida sobre a diversidade de blogs científicos?
Com algum alívio vi que indiquei os "links" do Ciência em Dia* como referência. Pensando bem, não sei porque não incluí os "links" do próprio via... mas talvez a Rita Nardy (responsável pela entrevista) possa um dia nos esclarecer porque optou por uma lista tão restrita (será que ela acessa o via? ).
Aproveito para agradecer publicamente à Editora Casa Latina pelo envio de um exemplar da revista!
ENTREVISTA:
Rita Nardy: Andei pesquisando os Blogs nacionais, e achei muitos bons blogs escritos por jornalistas (como o do Marcelo Leite e Salvador Nogueira) e poucos feitos por cientistas (destaque para o seu e o do Prof. Adilson, São Carlos). A Sra tem essa mesma percepção? Resposta: existem poucos Blogs Científicos de modo geral, independentemente do “autor” do blog ter formação formal jornalística ou científica. Para citar um exemplo, só no jornal Folha de São Paulo existem ao menos 2 blogs sobre futebol, 1 sobre cultura e 1 sobre política, mas nenhum sobre ciência**, apesar dos jornalistas Marcelo Leite e Salvador Nogueira – que você citou – serem colaboradores freqüentes deste veículo de comunicação. A minha percepção é que está havendo um aumento – discreto – de excelentes blogs científicos mantidos por cientistas/pesquisadores, principalmente associado ao interesse em promover divulgação científica de qualidade com novas ferramentas e em novos formatos (no caso o blog) e o debate de temas importantes envolvendo políticas científicas, produção de conhecimento, estratégias de pesquisa e fomento, questões acadêmicas, entre outros tópicos de interesse científico que nem sempre geram interesse jornalístico imediato, mas que estão presentes no dia-a-dia do cientista. Ultimamente tenho consultado mais blogs de cientistas do que de jornalistas (algo em torno de 6:1), mas ainda considero que o blog do jornalista Marcelo Leite é uma referência de blog científico brasileiro e contribuiu, direta ou indiretamente, como estímulo para a criação de outros blogs científicos (de cientistas). Por outro lado, é importante trazer para a discussão que o esforço de divulgação científica, principalmente associado ao formato “blog”, dificilmente reverte em reconhecimento acadêmico ou da comunidade científica, podendo desestimular o ingresso de pesquisadores nesta área, acredito que o mesmo não ocorre com o jornalista.
Rita Nardy: A sra. conhece alguma pesquisa feita sobre o tema ou cadastro de blogs de ciência no Brasil?
Resposta: existe uma discussão em andamento no sentido de buscar formas de identificar e integrar os blogs científicos brasileiros, na intenção de formar uma rede de blogs científicos com conteúdos integrados e acessíveis a partir de uma plataforma operacional comum. Mas esta é uma iniciativa ainda embrionária que está sendo discutida por alguns blogs científicos. Pesquisa propriamente dita (atrelada a financiamento específico) ou cadastro formal de blogs de ciência no Brasil eu não conheço, mas um cadastro informal de blogs científicos pode ser encontrado nos “links” listados no blog do Marcelo Leite, do Osame Kinouchi & col.*** e outros.
Rita Nardy: O seu blog tem bastante consistência e informação, o que a motivou a criar o blog?
Resposta: Obrigada pela opinião sobre o via gene. O que motivou a criação do blog foi a facilidade operacional deste recurso e a possibilidade de divulgar alguns conteúdos (informações, discussões temáticas, opiniões, etc.) antes restritos à esfera dos pesquisadores e alunos do laboratório de genética animal (via lista ou grupo eletrônico) para um “público” mais amplo interessado nestas mesmas questões acadêmicas e científicas. Além da divulgação, o blog promove maior interação através da janela de comentários, onde o “visitante” pode manifestar sua opinião, tornando-se um ambiente democrático e de conteúdos dinâmicos. Eu já tinha por hábito enviar comentários, opiniões, sugestões e reflexões sobre tópicos em ciência para a equipe do meu laboratório de pesquisa, via e-mail, então adaptar estes conteúdos e este hábito ao formato-blog só precisou quebrar a resistência do cientista à exposição em um novo ambiente, a internet.
Rita Nardy: A comunidade científica utiliza os blogs como fonte de informação?
Rita Nardy: Nessa "massa" confusa de informação que se transformou a internet, os blogs vem para facilitar o acesso a informação? Por quê?
Resposta: no caso dos blogs científicos normalmente há uma “temática” que orienta os conteúdos apresentados e pode facilitar o acesso a determinado tipo de informação: o via gene normalmente dispõe sobre assuntos ligados à genética, evolução, bioinformática, políticas científicas, aspectos diversos da blogosfera científica, questões acadêmicas ligadas à pós-graduação e formação de recursos humanos para pesquisa científica, entre outros. Neste sentido, o blog promove a discussão e o acesso a informações dentro destas temáticas, principalmente. Mas há iniciativas que visam a discussão de temas de ciência e cidadania, além de assuntos de interesse amplo, incluindo geopolítica, comportamento humano e futebol, até. Essa é uma possibilidade do formato-blog, a liberdade de organização de conteúdos segundo a inspiração do autor.
Rita Nardy: Como o interneuta deve proceder para avaliar as informações constantes em um blog? (Exmplo no caso de ciências seria checar as informações do cientista em questão no currículo lattes, CNPq.)
Resposta: é preciso ter alguma cautela, o blog não é necessariamente – nem pretende ser – uma fonte formal de informação científica, para isto existem publicações e veículos especializados. O blog é um ambiente mais descontraído onde o autor pode especular de forma mais livre dos rigores da publicação científica sobre um determinado tema. Sendo assim, a questão de “avaliar as informações constantes em um blog” não faz muito sentido… publica-se opiniões, especulações, críticas, e manifestações de qualquer outra natureza, conforme critérios próprios do autor do blog. Se o autor for um cientista, provavelmente estará vinculado a alguma instituição de pesquisa, terá o currículo disponível on-line (Lattes/CNPq) e suas “credenciais” poderão ser “checadas”, mas as “credenciais” que importam para um bom blog científico não são necessariamente as mesmas. Na minha opinião, a leitura de alguns dos comentários publicados em um blog é suficiente para se ter uma idéia inicial da sua qualidade como divulgador de idéias científicas.
FIM DA ENTREVISTA
* o Marcelo Leite apresentava uma listagem ampla incluindo diversos blogs e sites, inclusive o Glúon :)
** depois desta data (Julho/06), o jornal Folha de São Paulo incorporou novos "blogs" (pelo menos 5, mas nenhum científico, vale ressaltar).
*** este "blog", ao que tudo indica, foi desativado.
Observação: os asteriscos foram acrescentados posteriormente à entrevista, para incluir notas de atualização.
terça-feira, novembro 07, 2006
Com Ciência Ambiental

Foi publicada uma pequena, mas interessante, nota sobre blogs científicos (reprodução parcial neste link) no 4° volume (Outubro/2006) da revista Com Ciência Ambiental (Editora Casa Latina). Além de divulgar a matéria, com o privilégio de ver o Via Gene publicado num veículo de divulgação científica "tradicional", aproveito para divulgar esta nova revista, que acrescenta qualidade e excelentes reportagens ao universo da divulgação científica brasileira, com um foco especial para as questões ambientais. Desculpem o aviso com atraso (estamos em pleno Novembro e eu aqui divulgando uma notícia de Outubro...), mas o referido volume ainda está nas bancas e vale a pena conhecer a revista! Aproveito para agradecer ao contato da Rita Nardy que me consultou via e-mail e elaborou algumas perguntas quanto a minha experiência com o Via Gene e promoveu a publicação da Nota.
quarta-feira, outubro 25, 2006
4 notas sobre Crodowaldo Pavan

segunda-feira, outubro 23, 2006
garimpando ciência...
“Ele é capaz de ‘farejar’ edições on-line de jornais e descobrir onde está a ciência. Trata-se de um banco de dados que coleta, seleciona e organiza os conteúdos de ciência e tecnologia”, explicou Yurij Castelfranchi, do Labjor, um dos responsáveis pela criação do sistema.
sexta-feira, outubro 20, 2006
sexta-feira, setembro 29, 2006
marca do penalti... gol do Daniel
terça-feira, setembro 26, 2006
Oportunidade Jovens Doutores em São Paulo
é isso...
sexta-feira, setembro 15, 2006
Craig Venter em Petrópolis
Nota relâmpago: Craig Venter - um dos decifradores do genoma humano (tido como o BadBoy da genômica por ostentar a figura de cientista-mega-empresário capitalista, ao qual a mídia ainda acrescenta uma imagem de anti-acadêmico para polemizar ainda mais) estará no Brasil participando de um evento em Petrópolis, RJ, mais precisamente no LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica).Apesar do chamariz (Venter), queria mesmo é divulgar o evento do LNCC:
Global Dialogues on Emerging Science and Technology (GDEST) - BIOINFORMATICS
informações básicas podem ser encontradas no "link" acima e a inscrição (vagas limitadas) pode ser feita neste "site".
deu no DOU (Diário Oficial da União)...
Leia a íntegra da Resolução n° 21 de 12 de setembro:
sexta-feira, setembro 08, 2006
Internet e Academia: the good, the bad & the ugly
GOOD
De modo geral, a INTERNET promove o acesso quase irrestrito à informação (pessoas, opiniões, bancos de dados, artigos, instituições, formulários, “softwares” e aplicativos para uso “on-line” ou “downloads”), a operacionalização deste acesso através de sofisticadas ferramentas de busca (tipo Google, PubMed-Medline, Blast – para os entendidos em sequenciamento :), Wikipedia e outros), a realização de um “n” número de operações (compras/comércio, movimentações bancárias, ensino à distância, vídeo-conferência, “uploads” de documentos, envio de mensagens instantâneas ou via correio-eletrônico) e outras inúmeras atividades (“blogs” incluídos) que nem me atrevo a tentar listar, pois o risco de soar incompleta é grande, dado o grau de inovação das iniciativas em tecnologia da informação. O grande e inegável benefício da INTERNET é a DEMOCRATIZAÇÃO do acesso à informação (não necessariamente o Conhecimento, mas este também pode estar incluído aí) e à comunicação. Invocar a democratização nem sempre significa que não haja um público excluído (seja devido à censura institucional, seja por falta de infra-estrutura básica (computador+provedor)), mas esta situação ocorre a despeito da realidade tecnológica disponível.
A minha impressão atual é de que a Academia tem uma relação íntima e altamente dependente com a Internet. O uso de informação on-line e atualizada já é um vício acadêmico, a comunicação via e-mail permite o gerenciamento de listas/grupos de discussão (de um laboratório, uma classe, um curso, um departamento, da universidade, etc), o contato direto com pesquisadores/professores, a transferência de diferentes conteúdos em uma variedade enorme de formatos (arquivos), além de – supostamente – preservar o sigilo desta informação, e onde cada endereço eletrônico deveria corresponder a uma única identidade.
Páginas da “web” dedicadas a disciplinas, cursos e universidades ou institutos de pesquisa podem ser verdadeiros catálogos com informações sobre praticamente tudo relacionado ao tema. Na página da UNICAMP, por exemplo tem-se acesso desde o regimento geral, e despachos da administração até o cardápio do “bandejão”, sendo possível consultar ramais telefônicos e contatos (email) de funcionários dos mais diferentes departamentos e cursos. Eu mesma já encaminhei uma mensagem de e-mail diretamente ao reitor da UNICAMP há alguns anos para comentar a questão dos recém-doutores e o reconhecimento da sua contribuição nas atividades de pesquisa e ensino da Universidade (para a qual recebi uma resposta quase em tempo real!).
Ainda na UNICAMP, uma iniciativa recente é a digitalização das teses de mestrado e doutorado defendidas na instituição e disponibilizadas via arquivo pdf. As minhas teses de mestrado e doutorado já foram “downloadadas” 30 e 47 vezes, respectivamente, impressionante. Estou curiosa para saber quando (e se) a tese de doutorado do jornalista de ciência Marcelo Leite estará disponível para “download” :). Em uma consulta relâmpago me deparei com o seguinte título: “No “mundo dos jornalistas”: interdiscursividade, identidade, ethos e generos”, de autoria de Jauranice Rodrigues Cavalcanti (tese apesentada para obtenção do título de doutorado), com 98 “downloads” e 370 visitas (fiquei no chinelo... :)). Consulta à palavra-chave “BLOG” gerou apenas um resultado (Entre o publico e o privado : um jogo enunciativo na constituição do escrevente de blogs da internet) de um doutorado em lingüística, mas já confirma que a academia “pousou” seus olhos vigilantes e interrogativos nesta “modalidade” de divulgação on-line. Registre-se ainda 6 títulos para “internet e educação”.
O cadastro e a busca de pesquisadores e grupos de pesquisa operacionalizado pela plataforma Lattes do CNPq é outra experiência que tem tido uma enorme repercussão na comunidade científico-acadêmico, seja pela sua obrigatoriedade seja pela disponibilidade de um extenso banco de currículos com dados completos e atualizados (uma vez que estas informações são consultadas nos julgamentos de propostas de pesquisa).
O portal CAPES de acesso a periódicos científicos é outro ambiente da internet que compõe a linha “democratização” do conhecimento científico, promovendo o acesso ao conteúdo de inúmeros periódicos científicos – mais ainda pode ser melhorado – a um conjunto de instituições consorciadas. Além deste formato de acesso restrito a assinantes ou consórcios, iniciativas de promover o acesso aberto a publicações científicas de alto impacto figura entre um dos maiores benefícios da relação internet-academia (ver exemplo aqui da PLoS – Public Library of Science).
O ensino à distância é uma realidade mais recente, e extremamente popular no caso de universidades particulares, que representa uma inovação na relação professor-aluno (polêmicas à parte, incluo esta atividade sob a guarda de “GOOD”).
Poderia facilmente me estender sobre o benefício da relação internet-academia (pois é o que predomina, na minha opinião), mas não é este o propósito do comentário, mas sim refletir que esta relação “saudável” nem sempre é regra e outros aspectos chamam a atenção...
BAD
Mas... e o que dizer de verdadeiros fenômenos de popularidade como portais de relacionamento social (Orkut) e afins? Salas de bate-papo (ou “chats”), comunicadores instantâneos como o Messenger, Skype, e similares, grupos eletrônicos, como o Yahoo Groups e inúmeros outros aplicativos ou ambientes “on-line” que promovem alucinadamente a comunicação via rede mundial de computadores (blogs, incluídos?)? Algumas destas atividades chegam a ocupar o “status” de pragas acadêmicas, devido à interferência que podem causar quando competem pela atenção do usuário (aluno ou pesquisador ou funcionário) com as “tradicionais” atividades de ensino e pesquisa, função primeira da academia. Sob a perspectiva do uso democrático e consciente dos recursos virtuais, limitar o acesso à Internet, instituindo regras de uso e censura de “sites” ou atividades específicas, parece violar o benefício maior da rede: a comunicação livre.
Patologias à parte, é possível gerenciar o “bad” da Internet na academia, desde que respeitadas algumas regras básicas para uma convivência saudável, no laboratório de pesquisa ou na sala de aula. Assim como se desliga um celular numa sessão de cinema, o uso de recursos de Internet durante o “expediente” acadêmico deveria priorizar o aprendizado e a construção e divulgação de conhecimento científico-acadêmico. A escolha em utilizar o recurso de forma consciente pode ser estimulada, ao invés de “castigar” o mau-uso com restrições e censuras (há diversas instituições ou departamentos que bloqueiam eletronicamente o acesso a determinados “sites” como solução para minimizar abusos de uso da Internet, será que resolve?).
UGLY
Os vilões de praxe estão representados pelos inúmeros e constantes vírus de computador e variantes que contaminam a correspondência de e-mail e outros ambientes de Internet como spams, ad-wares e afins, incluindo mensagens na forma de corrente e propagandas comerciais, ideológicas e inutilidades de natureza variada.
As atividades comentados em “BAD” também podem ser promovidas à classificação “UGLY” quando ocorre o uso indiscriminado da infra-estrutura computacional (normalmente cara) mantida pela academia numa dimensão de larga-escala e com a explícita conivência institucional. Descrevo um episódio (sem dar nome aos santos...): ao participar de um concurso público para vaga de professor universitário na universidade XXX, procurei a biblioteca da instituição para fazer um levantamento bibliográfico e preparar a prova didática (uma aula sobre um tema sorteado com 24hs de antecedência) tive 2 surpresas: 1) havia na biblioteca uma grande quantidade de computadores com acesso IRRESTRITO à Internet disponível para a comunidade acadêmica, predominantemente alunos (horário: 9h30m) e 2) TODOS os computadores estavam ocupados e acessando páginas do Orkut (horário: 12h30m).
No primeiro momento achei que estava no primeiro mundo: computadores modernos para todos, promovendo a consulta ao acervo da biblioteca e a periódicos eletrônicos, porém sem restrição de acesso (o que diferia da estrutura disponível em algumas bibliotecas da Unicamp, onde apenas podia-se navegar pelo sistema de bibliotecas da instituição). Poder consultar emails, ler uma notícia de jornal, visitar algum “blog”, trocar algumas idéias via messenger naquele computador poderia transformar a própria biblioteca num ambiente ainda mais interativo, atraente à comunidade acadêmica por prover o acesso à www, propício para a troca de informações, enfim, ampliar o benefício da internet para atender tanto aos interesses acadêmicos – primordialmente - quanto à diversificada gama de interesses daquele integrante da academia, o que promove o bem-estar e a qualidade das relações entre instituição e membros.
No segundo momento constatei a triste (na minha opinião) realidade: não havia diversidade, o interesse em acessar a internet convergia integralmente, sem exceção, para as páginas do “site” de relacionamentos Orkut. A cena: todos os computadores ocupados, a funcionária da biblioteca me informa que se alguém (eu, no caso) precisar usar o computador para uma consulta aos acervos ela pede que o orkuteiro “libere espaço”. Um tanto constrangedor, não?!
Enfim, a internet na academia deve seguir um padrão liberal ou mais controlado? Será que estamos preparados para gerenciar nossa “liberdade” (ter liberdade para usar o recurso é diferente de fazer “mau-uso” do mesmo)? Será que estamos amadurecidos para fazer escolhas e ampliar os benefícios da relação academia-internet?
quarta-feira, setembro 06, 2006
Charge do Jornal da Ciência - SBPC
Este "post" é pela charge mesmo, muito espirituosa! Está divulgada na página do Jornal da Ciência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).segunda-feira, setembro 04, 2006
notas da EMBO Reports
Sempre encontro comentários interessantes nos conteúdos da EMBO Reports, e algumas notas são de acesso livre, como a que comento neste "post". A opinião (ou "viewpoint") intitulada: "Writing readable prose: When planning a scientific manuscript, following a few simple rules has a large impact" vale a pena ser divulgada e lida. Mais curioso é que cobra da redação científica (logo, do cientista), não apenas o rigor no conteúdo desenvolvido, mas também na apresentação do texto, que deve produzir um resultado palatável e conquistar o leitor também pela forma. Retirei alguns trechos que achei interessante destacar, até porque me "atingem" diretamente (como incluir informação via "parênteses") :). Eis alguns trechos (quem tiver dicas à acrescentar ou discordar delas, pode contribuir para ampliar esta discussão):ana: é impressão minha ou isso tem "tudo a ver" com a discussão de Agosto do Roda de Ciência sobre Divulgação Científica (ver contribuição do via gene)? Enfim, segundo especialistas, conquistar o público vale também para a divulgação científica acadêmica, aquela que prima por figurar nas melhores revistas indexadas e de circulação internacional, então o pesquisador vai realmente ter que arregaçar as mangas e investir e valorizar a forma, assim como faz com o conteúdo.
mídia em luto
sexta-feira, setembro 01, 2006
notas mínimas
1 - repasso uma nota da Agência FAPESP comentando um estudo publicado hoje pela Science (Science express*, Fruit Fly Tracks Global Warming) sobre alterações genéticas em Drosophila subobscura e a caracterização de mudanças climáticas globais baseado em estudos populacionais da relação entre frequências de inversões cromossômicas (nas drosófilas) e o aumento da temperatura ambiental (ver resumo ou, para quem tiver acesso à revista, leia na integra aqui). Material complementar ao artigo - "Material & Métodos" e tabelas - está disponível aqui)
terça-feira, agosto 29, 2006
ciência e divulgação científica: uma comunicação possível?
Ainda estamos em Agosto... então aqui estão algumas impressões sobre o tema do mês.
Desde a iniciação científica, no início da década de 90, tenho formulado uma idéia – mais ou menos flexível – do que é a Ciência (fica a inicial maiúscula como reconhecimento do fascínio que esta palavra evoca em mim): um campo de intensa experimentação teórica e prática, calcado no raciocínio lógico, na argumentação sobre fatos, observações de causa e efeito, elaboração e teste de hipóteses explicativas, embebido na criatividade e na liberdade à formulação de idéias, cuja orientação mais ampla (ou seria presunção?) é a compreensão da Natureza, de como ela opera e de como pode ser explorada (ainda mais presunçoso, não?). Além da formação de novas idéias, há neste fenômeno humano de “fazer ciência” a formação de pessoas, recursos humanos capacitados para pensar e agir cientificamente, o que é algo ainda mais fantástico! Concordo com a Lúcia Malla que esta é uma questão CENTRAL.
Neste ponto surge a educação científica e o ensino de ciências neste breve divagar...
Imagino que o ensino de ciências possa servir como uma “ponte” para me ajudar a desenvolver alguma idéia com relação ao que entendo como Divulgação Científica (já adianto que não entendo nada... mas não deixo de me entusiasmar com a idéia de que ainda posso aprender uma ou duas coisas) .
Ciência, ensino e divulgação são diferentes em conceito e forma, mas como irmãs/irmãos, pertencem a uma mesma família, compartilham valores e co-evoluem, aprendendo umas com as outras. Será que a Ciência serve aos cientistas, o ensino aos estudantes e a divulgação aos leigos? Então: cientista pesquisa, professor ensina e jornalista informa? Seria então algo como: a “produção” de conhecimento – a “transmissão” de conhecimento – a “generalização/popularização” do conhecimento? E, às vezes, tem-se a impressão que esses conceitos são estáticos, dinâmica = zero... Mas, e se o cientista se desafiasse a divulgar?! E se o professor se aventurasse na pesquisa científica e o jornalista experimentasse a veia do ensino de ciências?! Subversivo, não? Ou seria inovador? Um sopro de liberdade em prol do todo científico?
Tudo bem que nem todo cientista tem “talento” para atuar como divulgador ou educador, e ainda há uma “tendência” – dentro do ambiente acadêmico – a uma super-valorização do cientista estritamente (ou deveria dizer “estreitamente”?) pesquisador, que gerencia seu tempo e esforço para total dedicação à produção de dados experimentais e redação de artigos científicos (que são os atuais “eleitos” como credencial para qualificar o cientista – se isso é bom ou ruim é outra discussão, mas é fato). Desviar-se para uma atividade de ensino ou divulgação enfrenta alguma resistência (para dizer o mínimo), como toda atividade/atitude romântica.
É nesse sentido que vejo a necessidade de estabelecer mais linhas de COMUNICAÇÃO entre ciência e divulgação científica: seja o pesquisador dedicar-se, também, para a “popularização” da ciência (algo mais “home-made”, “do-it-yourself” – como esse “blog”, por exemplo) ou ampliar sua interação com a mídia especializada, como consultor, crítico, comentador “free-lance”, etc. Alguém falou da questão do exibicionismo, o tipo “James Watson” de publicidade científica... acho complexo isso, pois é preciso uma certa dose de “exibicionismo” – ou vaidade, que seja - para tolerar a exposição pública e irrestrita. Então exibicionismo não é necessariamente ruim – acho que alguém também comentou sobre isso nessa discussão temática de Agosto, não? Seja como for, a imagem do cientista como criatura distante da realidade mundana, incomunicável (alguém mencionou a visão do conhecimento científico como hermético) e acima do bem-e-do-mal (cujas “verdade” não são questionadas – também comentado anteriormente) precisa de uma reformulação urgente! A comunicação mais dinâmica, promovendo uma interatividade democrática (poderia ser anárquica?) com diversidade de opiniões e idéias é uma realidade possível (como exemplifica o Roda de Ciência), que me entusiasma.
A inovação na comunicação é necessária, uma vez que congressos científicos e eventos formais (onde há extensa e intensa apresentação de trabalhos e divulgação de conhecimentos científicos) ainda são fóruns de participação “privilegiada”, um clube de cientistas. Mas, mesmo estes eventos, vez por outra experimentam (afinal é da natureza primária do cientista experimentar) ou se aventuram no espaço da divulgação e do ensino: vide exemplo da minha área específica que integra a programação do Congresso Brasileiro de Genética da SBG – o Genética na Praça**, onde a “academia” abre espaço para a participação de professores, estudantes e comunidade em geral. Pode ser tímida ainda a manifestação de iniciativas desta natureza, mas há espaço e tempo para que evoluam.
Enfim o comentário que se pretendia breve, foi extenso e, nem por isso, amostrou propriamente as diversas reflexões e questões pontuais que vão se formando na minha – por vezes confusa – cabeça. Nada aqui se pretende absoluto ou final, são apenas idéias – me desculpo desde já se desconexas ou mal-apresentadas – que me ocorrem sobre o tema. Depois de um período “incubada” com pendências e compromissos urgentes da vida – estritamente – científica e acadêmica, me restabeleço com o ideal do pesquisador/educador/divulgador de ciência que vislumbro com admiração, e ofereço esta contribuição ao Roda.
ana claudia
**posso estar enganada, mas não encontrei nenhum "link" para o "Genética na Praça" na programação deste ano do Congresso Brasileiro de Genética, é possível que tenha saído da "estrutura" do evento... o que seria uma pena e invalida parte do meu comentário (ao menos a "propaganda" sobre o que a SBG estaria fazendo em prol do ensino e educação em Genética...). Mas para compensar: achei uma iniciativa curiosa chamada Genética na Escola, vale a pena conferir e reabilita a SBG.
terça-feira, agosto 15, 2006
15/08/2006 Por Eduardo Geraque
Agência FAPESP - "Primeiro, é necessário uma série de cuidados. A partir disso, larvas de moscas varejeiras (Lucilia sericata) podem ser muito úteis para o tratamento de feridas na pele, causadas por diabetes ou outros tipos de doença, como o câncer.
Essa prática, adotada por certas tribos de aborígines australianos – e que segundo relatos, teria sido usada pelos maias –, tem mostrado excelentes resultados. É o que mostra o livro Terapia larval de lesões de pele causadas por diabetes e outras doenças, que acaba de ser lançado pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
“Muitas vezes os tratamentos convencionais disponíveis não conseguem curar determinados ferimentos ou, então, apresentam efeito demorado. Por meio da aplicação nas feridas de larvas de moscas criadas em laboratório e esterilizadas obtém-se a limpeza e a cicatrização rápida das lesões”, explica Carlos Brisola Marcondes, autor do livro e professor do Departamento de Ciências Biológicas da UFSC, à Agência FAPESP.
O livro, além de mostrar a importância da técnica, que teria sido adotada com sucesso em soldados durante a Segunda Guerra Mundial, também mostra suas limitações. Ela não deve ser usada, por exemplo, em cavidades do corpo ou em fístulas.
“Essa técnica é usada hoje em aproximadamente 20 países. Em lugares como Grã-Bretanha, Alemanha e Israel ela tem se mostrado muito útil, servindo para evitar amputações e até salvar vidas”, explica Marcondes.
Segundo o autor, a publicação do livro tem dois objetivos básicos. “Ele pretende informar a classe médica e a população em geral da utilidade da terapia e também incentivar a implantação dessa técnica no Brasil”, disse."
sexta-feira, agosto 11, 2006
pesquisa sobre blogosfera no BR
Os ouvintes terão oportunidade de conhecer o trabalho da pesquisadora Alessandra Aldé, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). A cientista social é uma das poucas brasileiras a se debruçar sobre o assunto a partir de uma visão científica. Essas publicações eletrônicos, por exemplo, já estão influenciando a vida política do país, como ocorreu durante o auge do chamado escândalo do mensalão."
segunda-feira, agosto 07, 2006
mini-me?

Roda de Ciência
Muito breve... sem dar a devida dimensão que a iniciativa merece, mas sem deixar passar em brancas nuvens: está no ar o "blog" Roda de Ciência que pretende ser um espaço da blogosfera científica - em português - para a divulgação de temas que serão apresentados mensalmente e comentados pelos "bloggueiros" de plantão e outros entusiastas das ciências. Neste espaço estão sendo cadastrados "blogs" de ciência e apresentados temas de interesse científico para um fórum de discussão amplo para os próximos meses. O Tema de Agosto é "Ciência vs Divulgação Científica: a importância da comunicação". Estão todos convidados a participar! Parabéns à iniciativa do time do "blog" Ciência & Idéias! sexta-feira, agosto 04, 2006
direto da toca...
só para registrar que esta foi uma boa semana para o via gene, o gráfico mostra que os primeiros dias de Agosto receberam médias de visitas parecidas com a semana pós "efeito Marcelo Leite" no início de Julho, com destaque para a quinta- feira e seu piquinho animador. É só... de volta à toca!terça-feira, agosto 01, 2006
o sábado que vale uma quinta!

segunda-feira, julho 31, 2006
cadê o Osame?
Mas acho importante incluir esta pergunta (desculpem se inconveniente e muito particular - meio coisa de bloggeiro sem assunto... :( ), uma vez que parte do interesse do via gene é promover e preservar a divulgação científica em todos os seus veículos, inclusive - claro - o "blog" científico. Como o Osame "bloga" uma média de 5 "posts" por dia, isso faz com que sua "ausência" deixe um "gap" (uma lacuna) na pequena - mas expressiva - blogosfera científica brasileira.
Dadas as explicações: Osame, onde você está?
Quem tiver alguma idéia, favor incluir via comentários...
abraços e votos de uma breve "recuperação" ao nosso colega de blog!
sábado, julho 29, 2006
"oops effect": orfãos do GenBank
"We know from personal experience that authors of published papers reporting DNA sequences sometimes intentionally fail to deposit their sequences to GenBank and refuse to release them upon request. Is this a rare exception, or do many papers make it past coauthors, associate editors, editors, reviewers, and journal staff without providing the purportedly required data accession numbers?"
nota importante sobre acesso ao patrimônio genético
DECISÃO DO CONSELHO TIRA CIENTISTAS DA ILEGALIDADE
um avanço na comunicação entre IBAMA e comunidade científica no sentido de desburocratizar atividades científicas envolvidas com coletas de material biológico e inventários de biodiversidade, que esbarravam na medida provisória 2.186, que visa combater a biopirataria e a preservação do patrimômio genético.
trecho da notícia:
"A partir de agora, pesquisas taxonômicas que incluam seqüenciamento de DNA, mas que não tenham finalidade econômica ou comercial, não precisarão mais passar pelo CGEN (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético)."
Boa notícia!
um pouco mais sobre a proposta aqui.
quinta-feira, julho 27, 2006
cientista robô?
"An ontology for a Robot Scientist"
(referência: Soldatova, L.N.; Clare, A.; Sparkes, A. & King, R.D (2006) Bioinformatics, 22(14):e464-e471; doi:10.1093/bioinformatics/btl207)
Repasso a seguir um trecho do resumo do artigo (publicado no formato de acesso-aberto ou acesso-livre):
Motivation: A Robot Scientist is a physically implemented robotic system that can automatically carry out cycles of scientific experimentation. We are commissioning a new Robot Scientist designed to investigate gene function in S. cerevisiae. This Robot Scientist will be capable of initiating >1,000 experiments, and making >200,000 observations a day. Robot Scientists provide a unique test bed for the development of methodologies for the curation and annotation of scientific experiments: because the experiments are conceived and executed automatically by computer, it is possible to completely capture and digitally curate all aspects of the scientific process. This new ability brings with it significant technical challenges. To meet these we apply an ontology driven approach to the representation of all the Robot Scientist’s data and metadata.
terça-feira, julho 18, 2006
ciência do BR em alta?
quarta-feira, julho 12, 2006
umas coisas interessantes da Nature desta semana:
Não, o propósito não é fazer propaganda desta empresa (até porque estou mais para a anti-propaganda desde que perdi 4 meses de trabalho com kits-problemas – algo que já comentei em algum lugar deste blog). Mas queria comentar algo sobre a “natureza perversa” das reações de PCRs (até porque eles andam muuuuito na minha cabeça ultimamente, bem mais do que eu gostaria...), e que achei que a tal propaganda se aproveitou disso, veja o que ela diz:
Neste comentário “Does gender matter?” (Nature 442, 133-136, 2006), Ban Barres argumenta contra a noção de que as mulheres não progridem nas áreas das ciências devido a inabilidade inata, que tem sido levada à sério por algumas “autoridades” acadêmicas. A introdução é uma historinha curiosa:
“When I was 14 years old, I had an unusually talented maths teacher. One day after school, I excitedly pointed him out to my mother. To my amazement, she looked at him with shock and said with disgust: "You never told me that he wasblack". I looked over at my teacher and, for the first time, realized that he was an African-American. I had somehow never noticed his skin colour before, only his spectacular teaching ability. I would like to think that my parents' sincere efforts to teach me prejudice were unsuccessful. I don't know why this lesson takes for some and not for others. But now that I am 51, as a female-to-male transgendered person, I still wonder about it, particularly when I hear male gym teachers telling young boys "not to be like girls" in that same deroga-tory tone.”
É um texto que vale a pena ler, só para nos lembrarmos que tais questões são polêmicas vigentes e não devem passar em brancas nuvens...
“But would giving authors such rights (no caso, o direito de publicar/reproduzir livremente seus artigos) really damage journals? After all, many authors already post the final version of their paper on the web regardless of what their rights agreement says. A study by Jonathan Wren, a bio-informatician at the University of Oklahoma in Norman (J. D. Wren Br. Med. J. 330, 1128–1131; 2005), revealed that the final versions of more than one-third of articles in high-impact journals are freely available online” - veja o gráfico que ilustra o post (se eu conseguir incluir a imagem... ela não quer entrar...).
A nota “PS I want all the rights” (Nature 442, 118-119, 2006, de Emma Marris) é uma opinião interessante sobre os direitos autorais de publicações/revistas que não adotam o sistema open-access em conflito com a cobrança de instituições de pesquisa e financiamento para que os autores exijam diretos sobre estas publicações.
natureza: a "mãe" nua e crua
O livro infanil "Tem um cabelo na minha terra: uma história de minhoca" de Gary Larson é recomendado para crianças de 4 a 8 anos no site do submarino, mas na realidade é uma leitura sensacional para qualquer idade (eu mesma fui comprar de presente para a filha de um amigo e acabei comprando 2: um para mim! Bem... talvez eu não seja uma boa referência de "adulto"...). O autor Gary Larson (The Far Side) é famoso por seus quadrinhos cômicos retratando temas de biologia e história natural com uma ironia incomum e impregnado de conteúdo científco. Neste livro, a visão romântica da natureza é descaracterizada em prol da realidade desconcertante do mundo biológico, apresentada ao leitor pela perspectiva de uma família de minhocas (!). O livro foi publicado em 1998 (título original: There's a Hair in My Dirt!: A Worm's Story), após a fase Far Side Story, mas a crítica ao naturebismo romântico é atual e bem-humorada. O que inspirou este breve comentário no Via Gene foi um "post" recente do jornalista científico Marcelo Leite (Ciência em Dia) sobre o livro Challenging Nature - The Clash of Science and Spirituality at the New Frontiers of Life de Lee M. Silver que critica essas "...visões embasbacadas sobre uma Mãe Natureza benevolente, Gaia e quejandos." (palavras de M. Leite). 