quinta-feira, junho 24, 2010

Post-propaganda do núcleo ETC da UFSCar Sorocaba

E-ducação

T-ecnologia

C-ultura

A UFSCar campus Sorocaba conta com um novo espaço para difusão de Educação, Cultura e Ciência que pretende oferecer uma interface entre universidade e comunidade para promover a elaboração de projetos nestas áreas. Ontem foi inaugurada a primeira etapa de revitalização deste espaço (ou Núcleo de Educação, Tecnologia e Cultura), que está passando por uma extensa reforma. Há um auditório para mais de 200 pessoas, salas de informática, sala de projetos e outros espaços a serviço da formação científica e cultural de Sorocaba e região. Dirigentes da UFSCar e figuras públicas e políticas participaram ontem do evento de inauguração e reafirmaram, em praticamente todos os discursos, que a articulação de diferentes esforços, aliando diferentes frentes políticas e acadêmicas em torno de uma proposta comum, funcionou muito bem para que este espaço fosse concretizado (quase que literalmente :)), a exemplo do histórico de implantação do próprio campus da UFSCar na cidade de Sorocaba O prédio onde está instalado o núcleo fica no Bairro Santa Rosália, próximo ao Supermercado Extra. Saiba mais aqui.

segunda-feira, maio 31, 2010

Encaminho ao ViaGene uma mensagem que recebi por e-mail e que mostra um pouco da dor e frustração de pesquisadores do Instituto Butantan sobre as declarações do ex-diretor do instituto.

Caros Colegas,



Não bastasse a tragédia em si, declarações estarrecedoras de liderança científica denigrem ainda mais a imagem da Instituição. Lamentamos.


Abaixo, encaminhamos um texto elaborado por Pedro Nunes e Felipe Curcio do IB-USP, publicado na íntegra no http://colunas.epoca.globo.com/planeta/2010/05/20/cientistas-rebatem-declaracao-de-ex-presidente-do-butantan/


Compartilhamos dessa opinião.

Laboratório de Ecologia e Evolução


Instituto Butantan


Otávio Marques
Maria José de J. Silva
Nancy Oguiura
Ricardo Sawaya
Selma Almeida-Santos
Hebert Ferrarezzi


Apelo dos bobos aos que não querem reconstruir

O incêndio que consumiu tragicamente o maior acervo de serpentes e artrópodes neotropicais sediado no Instituto Butantan atingiu em cheio quase toda a comunidade científica do Brasil e do mundo. O termo “quase”, entretanto, é obrigatório nesta frase. Se um, e apenas um cientista, acredita que a coleção perdida era uma bobagem, e que o que se perdeu nada significa diante de outras questões prioritárias como a produção de vacinas e soros, já não seria unânime considerar o ocorrido como trágico.

Infelizmente, o depoimento do Prof. Dr. Isaías Raw à Folha de São Paulo, em 20/5/2010, atesta esta triste realidade. Segundo o Dr. Raw, a coleção “é uma bobagem medieval” e a única função do Instituto Butantan é “fazer vacina para as crianças” e não “cuidar de cobras guardadas em álcool”.

É curioso como a opinião pessoal do Dr. Raw destoa da visão da imensa maioria da comunidade científica. Pode-se até respeitar que ele acredite que o Instituto Butantan devesse se dedicar unicamente à pesquisa aplicada, deixando de lado a pesquisa básica, ainda que a história diga o contrário. Fosse assim, o acervo de mais de 80 mil serpentes e 450 mil artrópodes não teria sido construído em 100 anos de trabalho, à revelia de gente que opina como o Dr. Raw e da falta de apoio pelo poder público.

Parte da história da fauna brasileira foi incinerada. Espécies raras, criticamente ameaçadas de extinção, estavam somente representadas no acervo perdido. Outras, só foram descobertas e trazidas ao conhecimento público graças à existência deste acervo. Isso sem contar as várias espécies novas, ainda não catalogadas pela ciência, cujas descrições estavam em andamento com base em espécimes que se perderam no incêndio.

E porque tanto fogo? Seria de fato bobagem armazenar espécimes em um líquido combustível como o álcool? Este procedimento de estocagem é padrão internacional. Qualificá-lo como “bobagem” é o mesmo de dizer que são “bobos” todos os museus de renome mundial, nos Estados Unidos, na Europa e em outros centros de excelência de pesquisa em zoologia. Será que o único investigador inteligente no mundo é de fato o Dr. Raw? Será que todos os inúmeros colegas que se comovem com a perda do acervo do Butantan estão de fato perdendo seu precioso tempo juntando esforços para reconstruir esta “bobagem”?

Como, até o momento, nenhum colega manifestou-se de forma semelhante ao Dr. Raw, sua afirmação parece vazia, desrespeitosa e, acima de tudo, cruel. Mesmo o “mais importante zoólogo vivo do Brasil” (conforme relato da própria Folha), apesar da crítica descabida ao trabalho dos investigadores do Butantan, reconhece a importância do acervo no mesmo artigo em que o Dr. Raw expressa sua controversa opinião.

Para dar alguns exemplos práticos e diretamente aplicáveis de como as coleções científicas do Instituto Butantan eram usadas, entre muitas outras aplicações, é através de acervos assim que a classificação de serpentes e artrópodes peçonhentos é possível. Graças a “bobagens” como esta, é possível identificar a existência de diferentes grupos de ofídios ou aracnídeos e assim desenvolver soros específicos e mais eficientes para cada um desses grupos. A impressionante produção científica do Dr. Raw é principalmente embasada em imunização.

Teria ele a consciência de que o desenvolvimento de soros e vacinas eficientes depende da identificação precisa do patógeno, bem como do estudo de suas relações de parentesco? Ficamos curiosos em saber como Dr. Raw foi capaz de produzir tanto conhecimento sem o apoio de sistematas e taxonomistas, profissionais que trabalham com o tipo de “bobagem” que o fogo destruiu.

Mais sensato seria se o ex-presidente da Fundação Butantan optasse pelo silêncio e celebrasse a tragédia no conforto de sua residência. Vir a público com declarações infundadas, reducionistas e sarcásticas é inadmissível e confunde a opinião pública que estava, até então, tendo uma rara oportunidade de vivenciar uma discussão sensata sobre a importância de se preservar e investir em coleções científicas como a que se perdeu. Entretanto, a considerar pelo seu estilo de gestão, historicamente criticado e visto como deletério por muitos dos colegas que trabalham no Instituto Butantan, a declaração do Dr. Raw não surpreende a ninguém que o conheça.

Neste momento tão inoportuno, seu sarcasmo e sua arrogância apenas tornam seu depoimento mais dolorido. É como se, durante o velório de um ente querido, a família fosse obrigada a aturar um lunático invadindo o salão, estourando uma garrafa de champagne e celebrando a ausência definitiva do morto. Por sorte, em algum momento, vozes inoportunas terminam por se calar, de um modo ou de outro. Assim desejamos.

Que falem os que tem algo de construtivo a dizer. Que falem os que sabem o quanto é difícil renuir recursos para a pesquisa de base no país. Que falem os que tem consciência que sem a investigação de base, “cientistas brilhantes” como o Dr. Raw não teriam escrito sequer uma linha aproveitável de ciência. Os demais, por favor, respeitem esta perda irreparável do patrimônio público.

Felipe Franco Curcio
Pós-Doutorando
Depto. Zoologia do Inst. de Biociências da USP

Pedro M. Sales Nunes
Doutorando
Depto. Zoologia do Inst. de Biociências da USP

segunda-feira, maio 17, 2010

A CIÊNCIA PERDE UM ACERVO INESTIMÁVEL: INCÊNDIO DESTRÓI COLEÇÕES DE SAPOS, COBRAS E LAGARTOS DO INSTITUTO BUTANTAN

O incêndio que ocorreu neste final de semana no Instituto Butantan atingiu em cheio a Ciência Brasileira. O que tem sido divulgado na mídia não reflete a real dimensão da tragédia, a perda - de forma tão devastadora e definitiva - deste acervo biológico. Este impacto não se mede apenas em números de espécies e amostras de répteis, anfíbios e aracnídeos. Obviamente os números são importantes para saber que se perdeu uma das maiores coleções de cobras do mundo. Mas apenas esta informação não traduz o que isso realmente significa em termos de pesquisa científica, os diversos projetos em andamento que foram interrompidos e sabe-se lá como alunos e pesquisadores irão superar este trauma e reconduzir seus esforços e sonhos para a reconstrução de uma nova perspectiva científica. Uma coleção não é apenas um punhado de bichos mortos guardados em frascos cheios de formol... são estudos sobre estratégias de vidas, ocupação de habitats, padrões de distribuição geográfica, registros históricos de ocorrência de espécies em áreas de florestas que talvez nem existam mais, registros de espécies endêmicas (ocorrem apenas em uma região determinada) e raras, estudos de identificação de novas espécies ainda desconhecidas da ciência (que correm o risco de continuarem assim... apagadas do registro biológico, fumaça biológica). Com certeza há uma infinidade de outros estudos que podem ser elencadas aqui com muito mais propriedade por zoólogos, taxonomistas e  sistematas (como geneticista - mas também bióloga - deixo uma contribuição mais tímida e generalizada sobre o impacto desta perda, convido os especialistas da área para incluírem relatos mais específicos). Alguns breves depoimentos podem ser vistos aqui. Com relação ao que circulou na mídia, o texto que eu achei mais interessante e informativo foi o do "site" do Estadão (http://www.estadao.com.br/), inclusive com direito à Glossário (leia aqui). Uma frase muito perturbadora atribuída ao zoólogo Francisco Luis Franco, curador da coleção que virou cinzas, revela: "Todas as outras coleções estão vulneráveis do mesmo jeito." Recorro ao via gene para tentar expressar, de alguma maneira, minha solidariedade com aqueles mais diretamente envolvidos neste triste fato que se registra na história da ciência Brasileira neste ano de 2010. Lembro ainda que no ano passado, durante o encontro de 10 anos do programa Biota-FAPESP, muito se falou da necessidade de investimento para manutenção de coleções e museus de biologia para salvaguardar estes patrimônios biológicos e científicos. Eis aí um exemplo do que pode acontecer se ignorarmos esse apelo.
O sentimento realmente é de luto.

sábado, abril 24, 2010

"molecular tools" ou as famosas "ferramentas" moleculares

"Ferramentas moleculares" é um termo amplamente empregado em textos e artigos científicos quando se referem às tecnologias e processos (ou metodologias) que empregam equipamentos e protocolos da área de biologia molecular. Em meus textos acadêmicos e científicos e em aula, eu também recorro ao termo em inúmeras oportunidades, mas não sem uma certa resistência com relação ao conceito que eu formei sobre as famosas "ferramenteas moleculares" e à interpretação mais óbvia e - talvez - mas difundida que se encontra na divulgação deste termo. Como este espaço tem uma pequena pretensão de divulgar idéias e conceitos em ciência e tenho a liberdade de expressar minha experiência no assunto da forma mais particular e pessoal que quiser (por ser um blog, mesmo que científico), gostaria de estender um pouco mais o conceito de "tools" agregando a minha visão. 

Um texto que eu considero muito esclarecedor e elevo à qualidade de "clássico" da literatura da área de biologia molecular e evolução trata da técnica de PCR (ou Polymerase Chain Reaction - em inglês), detalhando a participação de cada reagente (soluções e enzima) no processo, integrando o papel de gradientes de temperatura que variam dentro de ciclos programados em um equipamento chamado de 'máquina de PCR" ou termociclador. O texto em questão é de autoria do pesquisador Stephen R. Palumbi, e se refere ao capítulo 7 do livro Molecular Systematics, editado por David M. Hillis, Craig Moritz e Barbara K. Mable, versão 1996 (Sinauer Associates).


Naquela época, o livro foi um marco por apresentar a fundamentação teórica de inúmeras estratégias moleculares, esclarecendo vários aspectos relacionados à rotina de laboratórios e grupos de pesquisa no uso de técnicas modernas em estudos em biologia evolutiva e evolução molecular, incluindo protocolos experimentais e resolução de problemas comumente associados às "ferramentas moleculares" (incluindo não só PCR e estratégias derivadas - RAPD, AFLP, Microssatélites (ainda em sua infância) - como também análises de Isozimas, RFLP, Hibridação DNA-DNA, etc.). Acredito que este tipo de publicação promoveu a popularização de estudos evolutivos integrando áreas como zoologia, botânica, genética e biologia molecular (entre outras).


Há algumas passagens muito interessantes e reveladoras neste texto, onde o autor afirma que uma das coisas mais surpreendentes sobre a reação de PCR é que ela funcione tão bem para tanta gente, considerando-se a complexidade de interações químicas e termodinâmicas inerente ao sistema ("The fact that it works so well for so many people is one of the most astonishing things about it"). Outros dois trechos que me causam grande simpatia e identidade ocorrem quando o autor afirma que: 1) a máquina de PCR é uma ferramenta EXPERIMENTAL (maiúsculas por minha conta!) ("... an important aspect of PCR that is frequently overlooked: a PCR machine is an experimental tool, not just a troublesome gadget designed to produce a DNA product") e 2) que cada reação de PCR é uma oportunidade experimental ("...it is important to treat the PCR process as an experimental opportunity").

São contextualizações como estas que revelam claramente o conflito presente na interpretação do que vem a ser uma "ferramenta molecular". Uma chave-de-fenda, um martelo ou uma solda elétrica poderiam ser considerados "oportunidades experimentais"? O uso de uma ferramenta, ou de uma receita, seguindo instruções recebidas após treinamento ou mesmo sem ele, sempre geram o resultado previsto (excluindo-se a possibilidade de erro do "operador"). Ao menos essa é a idéia básica normalmente associda ao benefício de usar uma ferramenta: a chave-de-fenda sempre é operada da mesma forma para apertar um determinado tipo de parafuso à determinada superfície; a criatividade não seria um requisito importante neste cenário.

Conduzir um experimento que involva uma reação de PCR, ou qualquer outra metodologia molecular, requer que seja seguido um protocolo experimental, MAS NEM SEMPRE o resultado obtido (ou a ausência deste) concorda com o resultado esperado (qualquer um que já tenha feito algumas reações de PCR poderá depor a meu favor neste aspecto :)). Segundo Palumbi, mesmo um biólogo molecular experiente tem dificuldade de prever com precisão como uma alteração em algum dos componentes da reação irá interferir na qualidade do resultado final. Outra dificuldade é o orientador definir para o aluno (ou vice-versa) porque determinada reação de PCR resultou na ausência de amplificação ou na amplificação de múltiplos produtos ou produtos inespecíficos. Isto se deve à natureza EXPERIMENTAL dessa "ferramenta". É exatamente essa "natureza" que difere entre a máquina de PCR e máquina de solda... há uma forte demanda pelo exercício intelectual, constante e investigativo, no uso de ferramentas moleculares para garantir a obtenção dos resultados esperados conforme expectativa e cronogramas apresentados nos projetos conduzidos pelo grupo de pesquisa.


Estando isso esclarecido, não tenho maiores restrições ao uso do termo "ferramenta" para designar certas estratégias ou técnicas moleculares. Imagino que esta opinião não seja uma unanimidade na comunidade científica, pelos exemplos que tenho visto associados ao uso do termo de forma superficial e simplória, mas compartilho com vocês minhas impressões sobre este assunto. Comentários e críticas são bem-vindos!


ana claudia


PS - a inspiração desta postagem veio - principalmente - pela discussão do texto de S. Palumbi realizada recentemente na disciplina "Métodos Moleculares para Caracterização da Biodiversidade" inserida no Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação da UFSCar - Sorocaba. Outra fonte de inspiração mais "crônica" refere-se à resistência da minha orientadora (de IC e pós) com relação ao uso deste termo nas diversas oportunidades de revisão dos meus textos acadêmicos (agradeço pela oportunidade de refletir sobre isso durante minha formação :)).

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

há cinco anos nascia o via gene...

"Parabéns prá você... nesta data querida..."

Aos trancos e barrancos da vida acadêmica, vai sobrevivendo com muita alegria e satisfação o blog via gene.

Comemoro nesta postagem seus 5 anos de vida! Apesar de estar longe dos "top 10" melhores blogs de ciência brasileiros, talvez o via gene possa se orgulhar de estar entre os 10 primeiros... em idade... :)

Enfim, o via precisa melhorar seus assuntos, sua regularidade, sua frequência de postagem (faltou alguma coisa?), mas não tem problemas com sua persistência (3 x 1)!

um abraço a todos que ainda prestigiam, visitam e comentam no via gene (foi um privilégio contar com vocês ao longo destes 5 anos),

ana claudia


terça-feira, fevereiro 16, 2010

ciência, academia e violência

Tiroteios em escolas e universidades são frequentemente noticiados na midia internacional, quase sempre ocorrendo nos Estados Unidos. Aí está o filme-documentário "Tiros em Columbine"do polêmico diretor e ativista político Michael Moore que não me deixa mentir. Claro que a realidade brasiliera também noticia - e com certa frequência - a ocorrência de tiroteios e mortes em escolas (uma amostra, outra amostra), normalmente motivadas por questões envolvendo tráfico de substâncias ilícitas e questões "territorias" envolvendo gangues formadas nas escolas ou mesmo fora delas.

Mesmo assim, considerando este "traço" da cultura americana (conforme a visão de Moore), sempre me surpreende uma notícia de violência explícita como ocorreu semana passada na Universidade do Alabama, EUA. Mais surpreendente porque os holofotes não focaram em adolescentes introspectivos, nem estrangeiros de comportamento anti-social, mas em uma docente e pesquisadora de ~40 anos de idade, com reconhecida capacidade científica, incluindo experiência acadêmica na famosa universidade de Harvard, prêmios científicos e sócia (junto com o marido) de uma empresa de biologia molecular e celular, uma neurocientista. Esta cientista, professora assistente de biologia, foi - armada (!) - a uma reunião com uma comissão formada por outros docentes da instituição para discutir sua permanência na universidade. Nos Estados Unidos, a sistemática de contratação de docentes pelas universidades inclui um longo período probatório (que pode chegar a até 10 anos, se não me engano) como professor assistente, ao término deste período o docente é avaliado com relação à sua produtividade em pesquisa, qualidade e esforço como docente e atuação em serviços (algo como aqui conhecemos por atividades de extensão). Caso esta avaliação indique que o docente atingiu (ou superou) as metas previstas, ele fará parte do quadro de docentes permanentes (passando de Professor Assistente para Professor Associado ou "Tenured Professor") da instituição, sendo garantida a - tão desejada - estabilidade no emprego*. Note-se que nas Universidades Federais brasileiras estes mesmos termos, Professor Assistente e Prof. Associado, não possuem a mesma definição adotada nos Estados Unidos (Assistente = com mestrado; Associado = livre-docente; entre os dois figura a posição do Adjunto = com doutorado); e o período de estágio probatório é de apenas 3 anos.

Voltando ao caso americano: durante a tal reunião, a professora que estava sendo avaliada realizou uma série de disparos matando 3 pessoas e ferindo outras 3 (uma em estado grave). Pela divulgação na mídia, a motivação do crime foi a resposta negativa da comissão avaliadora quanto à promoção da titulação acadêmica da solicitante, Dra. Amy Bishop. 

Muita informação está sendo apresentada sobre a personalidade de Amy Bishop, que era tida como extremamente arrogante (mas especula-se que era uma cientista brilhante e uma docente dedicada), sobre um episódio violento do seu passado (aos 20 anos ela foi considerada inocente pela morte do irmão, de 18, por ter disparado uma arma "acidentalmente"...) e sobre a possibilidade dela ser doente mental ou estar sob o efeito de anti-depressivos. O que inspirou este texto foi a postagem do blog Terra Sigillata, de Abel Pharmboy, UA Huntsville Dr. Amy Bishop holds active NIH R15 AREA award. Outro texto relacionado é o "post" mais recente Amy Bishop UAH case: What role should personality or collegiality play in tenure decisions? Ambos os textos estão repletos de comentários com opiniões e curiosidades sobre o sistema acadêmico norte-americano. Talvez um pouco distante da nossa realidade, mas vale a pena dar uma olhada, especialmente quando a violência traz como protagonistas professores de biologia.  

Um trecho extraído do blog de Abel Pharmboy em que ele cita uma entrevista com um professor de psicologia da Universidade do Alabama que foi publicada no jornal Decatur Daily:

"In today's Decatur Daily, staff writer Eric Fleischauer has an extended interview with UAH psychology professor Eric Seemann. You really should read the whole thing because it provides an inside view of Bishop's personality and relationships. But here is a critical passage:

Despite her excellent research ability, Seemann was not surprised she struggled to obtain tenure.

"Amy was kind of hard to get along with," he said. "I've talked to people who said, 'Wow, she can be really arrogant,' or be really headstrong. I knew that to be true. But at the same time she was brilliant. She was really one of UAH's rising research stars. People I know in biological sciences would say, 'She's a great researcher, but she's lousy to work with.' "

She was brilliant and she knew it.

"At one meeting I was with Amy, she was complaining to a group of us. She said she was denied tenure not because she was a lousy researcher -- she's not, quite the opposite -- and not because she didn't have good classes, she believed she did -- I think some might say otherwise -- but because she was accused of being arrogant, aloof and superior. And she said, 'I am.' "


É ou não é de deixar qualquer um perplexo?

abraços aos eventuais leitores de todas as horas,

ana claudia

* Richard Dawkins na obra "A grande história da evolução" comenta que haveria uma "degeneração" das estruturas cerebrais de alguns acadêmicos durante o desenvolvimento que se segue ao contrato permanente (ou efetivação). pg. 432 da edição em português da Cia das Letras :)  

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Vôo improvável...

Nota curiosa do cotidiano de um laboratório de genética molecular:

Hoje estávamos (eu e meus alunos) dedicados a fazer uma extração de DNA para testar um novo protocolo experimental. Eu falando da importância de realizar esse procedimento em um ambiente limpo e livre de "n" possíveis comtaminações para que a extração do DNA das nossas amostras fosse bem-sucedida e assim todos os outros procedimentos de genética molecular que se seguem a uma extração.

Nestas análises, o controle do que está acontecendo no ambiente "macro" (luvas, tubos, reagentes, gelo, centrífugas, pinças, ponteiras, micropipetas, etc.) é fundamental para tentarmos saber o que pode estar acontecendo no ambiente "micro" (as interações moleculares dentro de um tubinho com capacidade máxima para 1ml e meio - esse é o nosso MAIOR tubo!).

Então, lá estava eu nessa conversa toda, cheia de controles (todas as janelas e portas fechadas - nesse calor ABSURDO que anda fazendo - para evitar as tais possibilidades de contaminação do nosso ambiente de trabalho por sujeiras microscópicas quaisquer) quando adentra um gaviãozinho (!!!) no laboratório por um pequeno vitrô... passarinho (tipo pardal) e morcego eu já vi entrar em laboratório, além dos inúmeros insetos, camundongos e tradicionais lagartixas de parede, mas gavião? E ainda por cima o bicho parecia manso... ou no mínimo desorientado. Ele encontrou uma janela aberta, planou até ela e... voltou para se aninhar em uma bandeja com meia dúzia de tampões feitos de gaze e algodão que são utilizadas para tampar (tampão = tampar) frascos ESTÉREIS (descontaminados!). Que bicho estranho, parece que preferiu ficar no laboratório a sair para a natureza selvagem. O dito cujo acabou sendo convidado a se retirar quando a bandeja onde estava foi levada para fora (ele nem se incomodou de ir de carona). Que eu saiba, não voltou ao laboratório, mas voltou para uma varanda próxima e parece querer ficar por aqui mesmo!

O gaviãozinho parece com este da foto, mas não sou especialista então não arrisco nenhuma tentativa de identificação taxonômica... vou consultar os ornitólogos de plantão para tentar descobrir qual é a espécie de gavião-de-laboratório. Este simpático penado da imagem acima chama-se Falco sparverius, popularmente conhecido como quiri-quiri. Soube que são especializados em caçar insetos (entre outras coisas), ainda bem que ao entrar no laboratório não atacou nossas preciosas amostras (umas moscas varejeiras que morreram pelo bem da ciência - alguém se importa que varejeiras morram?).

Enfim, fico na torcida para que o gaviãozinho encontre seu lugar ao sol (longe do laboratório) e para que as nossas extrações de DNA tenham funcionado e participem ainda de muitas dissertações, teses e artigos científicos!


quinta-feira, fevereiro 04, 2010

pão na chapa

Em 2010 faz 20 anos que ingressei na universidade, no curso de Ciências Biológicas da UNICAMP, turma 90!

Graças à internet, podemos manter contato, planejar encontros e trocar emails sobre concursos públicos (!) - por incrível que pareça este tema é recorrente nas nossas comunicações.

Mas eu queria mesmo era falar do pão na chapa. Na época em que estava na graduação esse era o pedido tradicional no "café da manhã" na cantina do Bello (cuja estrutura física não existe mais ao lado do prédio do IB, resta apenas na memória de quem por lá passou algumas - ou inúmeras - tardes agradáveis embaixo dos flamboyants - estudando, fazendo trabalhos em grupo ou tomando cerveja (!!!!!) é... isso mesmo, naquela época a cerveja e a universidade coexistiam - pasmem). Ah é, havia o truco (que eu nunca consegui aprender a jogar - uma falha na minha formação).

Voltando ao pão na chapa: hoje vivi um momento de nostalgia quando fui procurar uma papelaria em um local da cidade de Sorocaba chamado de "Largo do Divino". Apesar de estar em Sorocaba há ~2 anos, devo ter passado 95% do meu tempo no trecho casa-trabalho-casa, portanto ainda existe uma Sorocaba completamente inexplorada e desconhecida por mim. Há uma capela antiga muito simpática (que parece ter uns 140 anos) que é a alma do bairro, e a casa do "Divino", claro. E nas ruas do bairro tudo faz referência (ou reverência) ao Divino: Drogaria do Divino, Papelaria do Divino (era a que eu estava procurando), Lanches Divino (esses prometem...), e outros vários nomes com o mesmo "sufixo". É engraçado como isso gera uma "identidade visual" marcante, dá uma impressão que você entrou em outra dimensão... nessa dimensão tem uma padaria chamada... panicenter (não sei o que poderia ter acontecido com a padaria do Divino... ), onde comi um saudoso (veja bem, eu não disse saudável...) pão na chapa acompanhado de um pingado (ou café com leite).

Acabei fazendo este "link" acidental entre Sorocaba e meus idos anos da graduação, tudo por causa de um pão na chapa (será que existe alguém que nunca comeu um pão na chapa?). Mas assim aproveito para falar um pouco da cidade que abriga o novo campus da UFSCar que trouxe na carona professores e estudantes de várias regiões do Brasil. Sorocaba nunca mais será  a mesma, nem nós!

Em boa hora: parabéns aos formandos das primeiras turmas dos cursos de Ciências Biológicas (Licenciatura e Bacharelado) e Turismo! Que vocês ainda possam se encontrar nos próximos 10, 15 ou 20 anos para lembrar dos dias em que comiam pão na chapa num trailer improvisado (espero que estejam todos empregados nas datas acima mencionadas!).  

A postagem hoje só não mencionou que o pão com ovo também era outro sucesso da culinária da cantina do Bello! Mas esse assunto fica para outra oportunidade. Afinal este seria um blog científico, não gastronômico (muito menos de gastronomia universitária: pão com ovo, pão na chapa, miojo, bandeijão, cachorro-quente da tia Maria, etc.).

Bom início de ano

domingo, dezembro 13, 2009

40% dos estudantes brasileiros não têm acesso à internet, mostra pesquisa

Vejam só:

Dados do IBGE divulgados sexta-feira na Folha-OnLine mostram que mais de 40% dos estudantes brasileiros não tinham acesso à internet em 2008.

Entre os estudantes, a principal razão para estarem desconectados é o fato de não terem acesso a um computador (46,9%). Para pessoas com a faixa etária acima dos 40 anos, as principais razões eram desinteresse e dificuldades com o uso.

A reportagem completa está aqui.

REFLEXÃO:
Sempre penso nisso (mas não sabia dos dados oficiais) quando me deparo com declarações de que os blogs científicos podem auxiliar na educação de ciências... mas com qual abrangência? Acho que talvez seja mais "educativo" um grupo de alunos tentar montar um blog científico... como era atraente (ou motivador) fazer um jornalzinho na escola (quem já teve essa experiência?).

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Identificação baseada em DNA ("DNA-based id")


Algumas impressões sobre o encontro sobre DNA barcoding que ocorreu na FAPESP na semana passada e outras histórias do passado:

Além do meu interesse em falar um pouco mais deste assunto, fui provocada pela Maria Guimarães (via comentário na postagem anterior), a compartilhar minhas impressões sobre a técnica de análise de DNA barcodes (no original "...o que você acha dos barcodes? o simpósio mudou alguma coisa na tua percepção?"). Aliás, recomendo uma visita ao blog da Maria (ciência & idéias) para ver o relato - muito bom - que ela faz sobre o encontro.

Maria, o simpósio não mudou muito a minha percepção sobre as análises de DNA barcodes... na verdade, eu venho acompanhando discussões nessa área há algum tempo e fico atenta a algumas mudanças no discurso original (face às inúmeras discussões e polêmicas que os artigos originais de 2003 promoveram) e, claro, aos avanços obtidos nas áreas de caracterização de biodiversidade e outras aplicações menos audaciosas - mas muito interessantes do ponto de vista científico (como você bem comentou o exemplo apresentado pelo Dr. Eduardo Eizirik sobre a identificação de itens de dieta alimentar de felinos através desta técnica).

A primeira vez que vi o Paul Hebert (idealizador da "proposta" de utilizar um trecho que gene COI como "identificador" taxonômico) foi no congresso da Sociedade Americana de Entomologia (ESA) de 2004, em Salt Lake City, onde ele proferiu uma palestra com o título: "Probing life diversity with DNA barcodes" (dá para acessar um arquivo gravado desta palestra se você for membro da sociedade). A reação da platéia (sistematas, taxonomistas, geneticistas e outras criaturas do mundo da entomologia) foi bem crítica, com vários questionamentos sobre a validade da metodologia proposta e sua pretensa "universalidade" para resolver todos os problemas de identificação do mundo biológico. Na platéia estava um pesquisador que eu admiro muito, Dr. Felix Sperling (atualmente na Universidade de Alberta, no Canadá), que possui um amplo conhecimento científico sobre taxonomia e sistemática de borboletas, marcadores moleculares e evolução. O Dr. Sperling apresentou uma série de recomendações (ele era famoso por tecer seus comentários na forma de recomendações, e foi um dos primeiros críticos da idéia de P. Hebert no seu formato original) que poderiam trazer maior "robustez" à análise de DNA barcodes: obter a caracterização de uma região maior do DNA mitocondrial (não apenas de 650 pares de bases do gene COI); usar outros métodos além do Neighbor-joining para obter árvores filogenéticas e etc. (minha memória não vai muito além...). Enfim, a impressão que tive na época foi de que P. Hebert foi divulgar sua idéia em uma comunidade não muito receptiva, onde pesquisadores com uma longa história na análise de marcadores moleculares, incluíndo sequências de COI e outros genes mitocondriais, divergiam da idéia de que seria possível identificar um marcador UNIVERSAL para discriminar todas as espécies animais.

P. Hebert continua até hoje este esforço de divulgação da sua proposta (frente a platéias menos resistentes, talvez) com a intenção de criar novas oportunidades de incorporar uma etiqueta de identificação molecular às diferentes espécies que compõm a  biodiversidade existente no planeta (com um foco sobre os ditos países megadiversos, claro).  Mas o discurso já mudou bastante (inclusive já havia mudado em 2004, como bem havia observado o Dr. Sperling, com relação aos artigos originais): a taxonomia - baseda na análise de caracteres morfológicos - permanece como uma força importante que não será substituída pela análise do DNA; outros genes (além de COI) têm sido incorporados à análise dita de DNA barcodes (16S e outros genes mitocondriais, regiões nucleares como ITS, etc.); outros métodos de análise dos dados foram incorporados (a análise de redes de haplótipos apareceu em uma das palestras), enfim, o DNA barcoding "stricto senso" parece que está se modificando em prol de uma abordagem mais ampla e - possivelmente - mais informativa. Esta é uma das minhas impressões sobre o que foi apresentado no evento.

Uma coisa que me incomoda um pouco é a idéia de novidade contida na análise de "DNA barcodes"... há certamente uma caráter inovador nesta proposta: a questão da larga-escala é novidade. Obter etiquetas moleculares para 10.000 espécies de aves é uma proposta que pode ser operacionalizada a partir de uma plataforma similar às utilizadas em genômica. Associar estudos de caracterização de biodiversidade com  plataformas de sequenciamento de DNA foi uma "sacada" de mestre pois otimiza de forma significativa a obtenção de informações genéticas específicas (= da espécie).

Por outro lado, muito que que tem sido identificado como contribuição da análise de DNA barcodes é, no meu entender, um legado das análises de marcadores moleculares de forma geral. Me incomoda um pouco o fato de se confundir uma análise tipicamente de Sistemática ou Filogenia Molecular (que seria a tataravó do DNA barcode) com a idéia do barcode. Da mesma forma, identificações taxonômicas baseadas em DNA (em inglês, DNA-based id) são abordagens que já vêem sendo conduzidas há mais de 15 anos (isso com relação a insetos, se formos falar de microorganismos, esta prática deve ter mais de 30 anos). Então neste ponto, não há novidade. Volto a falar do Dr. Sperling para citar um artigo que ele publicou em 1994 (quase 10 anos antes de P. Hebert cunhar o termo DNA barcodes) onde ele identifica uma série de espécies de importância forense (Sperling, FAH , GS Anderson and DA Hickey (1994). A DNA-based approach to identification of insect species used for postmortem interval estimation. Journal of Forensic Sciences 39: 418-427). Outro estudo interessante que conta com a participação do Dr. Sperling trata da caracterização estrutural e evolutiva de um trecho do DNA mitocondrial (envolvendo os genes COI e COII) de insetos (Caterino, MS, S Cho and FAH Sperling (2000). The current state of insect molecular systematics: a thriving Tower of Babel. Annual Review of Entomology 45: 1-54).

Ainda algumas outras publicações com o título que remete à identificação baseada em DNA:

2001. Wells, J.D., and F.A.H. Sperling. DNA-based identification of forensically important Chrysomyinae (Diptera: Calliphoridae). Forensic Science International 3065: 110-115;

2001. Wells, J.D., T. Pape, and F.A.H. Sperling. DNA-based identification and molecular systematics of forensically important Sarcophagidae (Diptera). Journal of Forensic Sciences 46: 1098-1102;

2001. Wells, J.D., F. Introna, Jr., G. Di Vella, C.P. Campobasso, J. Hayes, F.A.H. Sperling. Human and insect mitochondrial DNA analysis from maggots. Journal of Forensic Sciences 46: 685-687

Enfim, acredito que a análise de DNA barcodes possui em enorme potencial, mas seu impacto será maior ou menor de acordo com os diferentes desafios que diferentes grupos taxonômicos apresentam e é necessário termos consciência disso. Além disso, há desafios e mistérios (mais ou menos conhecidos) que assombram o mundo do DNA e dos marcadores moleculares, como os pseudogenes. Como eles podem ser importantes nesta discussão sobre DNA barcoding? Uma revisão importante surgiu recentemente num artigo intitulado: "Many species in one: DNA barcoding overestimates the number of species when nuclear mitochondrial pseudogenes are coamplified" (PNAS, 2008 vol. 105 no. 36 13486-13491). Quem me alertou sobre este artigo foi o Professor Dalton de Souza Amorim, durante participação em outro encontro promovido pela FAPESP na ocasião dos 10 anos do programa Biota (Biota +10).

Vai uma foto que obtive num dos site do Professor Felix Sperling, deve ser de uns 10 anos atrás, pois ele está bem do jeito que o conheci em 2000 no Congresso Internacional de Entomologia que foi em Foz de Iguassú. Foi nesse congresso que ele me mostrou o artigo do Caterino et al. 2000 (e eu estava toda feliz com a publicação do meu segundo artigo), e em anos posteriores tive a oportunidade de re-encontrá-lo em outros eventos científicos. Pena que esse ano não vou conseguir participar do Encontro da Sociedade Americana de Entomologia (que ocorre na próxima semana em Indianápolis). Enfim, Cinderela já virou abóbora a essas horas e amanhã cedo ainda tenho que dar aula... Maria, obrigada pela provocação. um abraço aos eventuais leitores deste espaço.



domingo, dezembro 06, 2009

DNA barcoding na FAPESP


Na semana passada houve um evento de dois dias chamado "The Biota-FAPESP International Symposium on DNA Barcoding". O primeiro dia foi mais dedicado à divulgação dos últimos avanços em relação à análise dos "códigos de barras da vida" em plantas e, no segundo dia, o foco foi sobre alguns amplos projetos envolvendo animais, como o "All Birds Initiative (ABBI)"  e o "Fish Barcode of Life Initiative (FISH-BOL)", além de uma excelente palestra com o Dr. Laurence Packer (York University, Canada) que tratou do uso desta técnica em abelhas considerando uma abordagem de Taxonomia Integrativa (linha distinta da Taxonomia - alfa ou clássica ou tradicional (termo aliás repudiado pelos taxonomistas que já consultei, informalmente)). Ainda na sexta-feira (dia 4/12), foram apresentados alguns trabalhos desenvolvidos por pesquisadores brasileiros sob o título: "Uses of DNA barcoding and potential applications for research in Brazil", incluindo um primeiro conjunto de palestras com os professores Dr. Fabrício Santos, Dr. Eduardo Eizirik e Dr. Cláudio Oliveira e um segundo conjunto de palestras com a Dra. Mariana Lúcio Lyra, Matheus Pepinelli e a Dra. Cristina Miyaki.


Dentre as autoridades do mundo do "DNA barcoding", estiveram presentes (e deram palestras) o Dr. Paul Hebert (University of Guelph) e o Dr. David Schindell (do CBOL/Smithsonian Institution).


O evento foi organizado pelas professoras Dra. Mariana Cabral de Oliveira, Dra. Cristina Miyaki e Dra. Lúcia G. Lohmann do Instituto de Biociências da USP.


Esta postagem é só uma pequena nota para incluir algum comentário mais atual ao via gene que anda sofrendo por conta da "falta de dar conta" da autora. Mas volto em breve para comentar sobre algumas impressões gerais do evento.


Notas que não posso deixar passar: encontrei os blogueiros Maria Guimarães e João Alexandrino participando do evento, isso foi muito bom! E também pude colocar em dia algumas conversas com a professora Maria Cristina Arias, que me introduziu no mundo do sequenciamento de DNA nos idos anos 90 (acho que nos conhecemos em 1996, apesar de que eu já havia ouvido muito falar dela).


espero que alguém ainda esteja captando os comentários do via... :)

domingo, agosto 30, 2009

Resumo dos trabalhos do 55° CBG

Clique aqui para ver o resumo do Congresso Brasileiro de Genética sobre estudos do gene COI (genoma mitocondrial) de marsupiais e clique aqui para acesso ao resumo sobre uma experiência didática para o ensino de genética baseada na biografia do Prof. Crodowaldo Pavan.

Estes dois trabalhos serão apresentados em forma de painél amanhã no 55° Congresso Brasileiro de Genética, em Águas de Lindóia.

Até lá!

ana claudia

sábado, agosto 01, 2009

o que ver no Congresso de Genética

Pessoal,
Desculpe-me quem achou que que haveria uma análise comentada da programação do 55 Congresso Brasileiro de Genética. O que eu pretendia com este "post" era apenas sugerir a quem estiver em Águas de Lindóia durante o evento (30 de Agosto a 2 de Setembro) que visite 2 painéis:
1) CRODOWALDO PAVAN: A BIOGRAFIA COMO PROPOSTA DE INTEGRAÇÃO INTERDISCIPLINAR NO CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
AVALONE, MCK, OLIVEIRA, CR, PRANDINI, A, ROCHA, A, FERNANDES, HL, LESSINGER, AC
código: EN025
2) CARACTERIZAÇÃO DE "PRIMERS" TAXON-ESPECÍFICOS PARA OTIMIZAR A AMPLIFICAÇÃO DA REGIÃO DENOMINADA "DNA BARCODE" EM MARSUPIAIS NEOTROPICAIS
BARBAN, JV, CARMIGNOTTO, AP, LESSINGER, AC
codigo: GA 163
Ambos serão apresentados oficialmente na segunda-feira, dia 31 de agosto, entre 18 e 20 horas.
O primeiro trabaho trata de uma experiência que comentei muito brevemente aqui quando deixei uma mensagem sobre o falecimento do Prof. Crodowaldo Pavan..
um abraço
viagene

quinta-feira, maio 28, 2009

fazendo o de sempre...

O que estou fazendo agora? Preparando a aula de amanhã, lendo os textos de segunda-feira, torcendo para as larvas virarem moscas logo (é, até isso eu faço...), corrigindo provas, cobrando resumos dos alunos (é até esta semana!), pensando em novos experimentos para dar vazão às "velhas" idéias, pensando em novas idéias para resolver velhos problemas... enfim, estou fazendo o de sempre! E apesar de sempre fazer isso (e mais alguma coisa), não há uma rotina muito concreta na vida científica e acadêmica, são novidades e desafios diferentes a cada dia, "pepinos" (coitado deste membro das cucurbitáceas, fadado à representar os problemas do cotidiano) e realizações te esperam no dia seguinte (claro que isso também acontece com todo mundo que resolve levantar da cama e fazer alguma coisa, não é exclusividade da vida na universidade... mas ainda acho que a universidade abriga uma diversidade de acontecimentos e oportunidades ímpar, impossível morrer de tédio... (talvez morrer de raiva ou morrer de rir seja mais fácil :)). Mas hoje o dia reservou uma notícia especial: meu primeiro orientado (quer saber mais?), que atualmente cursa um programa de doutorado nos Estados Unidos, acaba de ser contemplado com um prêmio acadêmico por seu histórico em pesquisa, ensino e serviços. Esse reconhecimento me leva a pensar que fazer "o de sempre" e dedicar-me a esta vida que escolhi traz enorme satisfação. Esse premiado aluno é de São Sebastião do Paraiso (MG), me deu vontade de comemorar como um tradicional pãozinho com manteiga Aviação (uma marca registrada da cidade).

sábado, abril 11, 2009

O que Mendel queria com as ervilhas?

Reproduzo aqui uma mensagem que enviei a estudantes dos cursos de Ciências Biológicas que assistiram a minha última aula e tiveram uma breve apresentação sobre Mendel (o Pai da Genética), sob uma perspectiva... mas o interessante sobre essa história é que existem discussões atuais e bem fundamentadas sobre o que - afinal de contas - Mendel queria com as famosas ervilhas? E há versões diferentes... Além do comentário provocando os estudantes no sentido de promover a leitura de artigos científicos a respeito, indico aqui também um blog (História da Ciência) que traz uma apresentação bastante completa sobre o contexto social, cultural e histórico em que Mendel se inseria (leia aqui). A foto ilustra o botânico Karl Wilhelm von Nägeli que, de acordo com uma versão da história, foi responsável por induzir Mendel a estudar uma espécie de planta com um sistema reprodutivo extremamente complexo (e que não "obedecia" as Leis de Mendel).

Eis a mensagem:

"Pessoal,

Lembram-se da aula de hoje? Foi contada uma versão sobre a história de Mendel, sua investigação na busca da compreensão de padrões gerais de herança baseada na condução de experimentos com cruzamentos controlados e análise das classes fenotípicas e proporções fenotípicas recuperadas nas gerações F1, F2, etc.

Na aula foi apresentada uma versão dos fatos, normalmente a mais difundida e amplamente aceita. Mas comentei que há estudos que trazem uma interpretação diferente dos fatos, trazendo divergência e tornando esta história inconclusiva em vários aspectos importantes... o que faz com que a história da ciência e seus personagens sejam tão fascinantes quanto as próprias descobertas científicas e seus desdobramentos.

Indico aqui um artigo publicado no ano passado (outubro)*, na revista científica Journal of Heredity, que trata exatamente de um estudo que apresenta o "lado b" (usuários de MP3 e afins talvez não entendam a analogia...) ou seja, uma interpretação alternativa sobre onde Mendel realmente queria chegar com seus experimentos (baseando-se inclusive na análise da correspondência de Mendel a um botânico famoso da época chamado Nageli).

Especialmente interessantes são a Introdução do artigo e o texto do item "The Hieracium Enigma", recomendo aos mais curiosos esta leitura."

*devo ter me enganado com a data da publicação, pois a referência é deste ano (2009):
Journal of Heredity 2009:100(1):2–6.

em busca do tempo perdido...


é possível dar aulas, pesquisar e escrever um blog científico, simultaneamente? Quem sabe a resposta?
o via gene está em busca de opiniões e experiências ...

alguém se identifica com a figura?

:) ana claudia

sábado, abril 04, 2009

Novo blog jornalístico sobre ciências - Folha/UOL

O site da Folha de São Paulo - UOL publicou hoje uma nota sobre um novo blog de ciências chamado LABORATÓRIO, vale a pensa dar uma olhada.
ana claudia

Crodowaldo Pavan 1919 - 03/04/2009

Até ontem vivia Crodowaldo Pavan,

até ontem era parte da história viva da Genética no Brasil,

Ontem terminou... e hoje Pavan está na nossa memória,

na memória do aluno de graduação que fomos - inspirados por palestras que convocavam o jovem estudante de biologia a ver na ciência um caminho a seguir,

na memoria de quem somos agora - já no meio do caminho, trabalhando para provocar a curiosidade científica em outra geração de alunos de biologia e contando histórias sobre a nossa caminhada e, principalmente, dos caminhos trilhados por pessoas que construiram o conhecimento científico que hoje estudamos.


Crodowaldo Pavan foi uma destas pessoas. Elaborar sua biografia não é a intenção desta nota, mas foi um projeto proposto a um grupo de alunas do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UFSCar - Sorocaba, com o objetivo de resgatar conceitos de genética básica através do estudo da biografia de quem dedicou a vida estudando biologia. Por conta de um trabalho de uma disciplina de graduação, jovens estudantes tiveram a oportunidade de observar o Prof. Crodowaldo Pavan (na época com 88 anos) falar de ciência com um inesgotável entusiasmo típico da juventude. Crodovaldo Pavan possuia inúmeras excelentes qualidades, como atestam - também inúmeras - publicações sobre sua biografia, na minha memória, ficará sempre a imagem de um professor carismático que sabe falar ao jovem e conquistá-lo para a vida científica.
Esta é uma qualidade e tanto.

Destaco aqui uma nota do Vice-Presidente da República que vi hoje no jornal:

"O Brasil perdeu um grande filho com a morte do cientista Crodowaldo Pavan. Suas pesquisas, especialmente na área da genética, destacaram-se no mundo inteiro e conquistaram, para ele e para o Brasil, o respeito da comunidade científica internacional. O País que todos queremos para nossos filhos e netos precisa de brasileiros como Crodowaldo.
Meus pêsames a seus familiares e admiradores.
José Alencar Gomes da SilvaVice-Presidente da República Federativa do Brasil"

A aventura de fazer ciência perde um grande idealista e provocador (que nos provoca a fazer ciência :)), mas as idéias continuam naqueles que o conheceram e que ainda conhecerão sua história (neste sentido, esta é uma tímida contribuição e um convite para que mais histórias sejam contadas).


um abraço,

ana claudia

terça-feira, dezembro 23, 2008

divulgação - pós-graduação

Pessoal,

sem desculpas... o viagene anda (aliás, não anda, está parado...) perdido numa calmaria sem fim, perdeu inclusive boas possíveis oportunidades de divulgação neste segundo semestre, uma delas uma entrevista pelo caderno de ciências do Jornal "A Tribuna" da cidade de Santos (São Paulo) sobre blogs científicos e outra uma palestra da simpática divulgadora de ciências (posso chamá-la assim?) Maria Guimarães que tratou do tema na sua apresentação da II Semana da Biologia da UFSCar - Sorocaba em novembro.

em algum momento pretendo resgatar o tempo perdido e retomar uma rotina mais digna de um blog científico - mas não será agora - escrevo apenas para divulgar neste instrumento (se há ainda alguma divulgação no texto publicado por aqui...) a página do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação da UFSCar - campus Sorocaba:

www.ppgdbc.ufscar.br

onde consta uma base de informações importantes sobre o programa e estão divulgadas notas importantes sobre o exame de seleção (datas, programa, estrutura, docentes-orientadores, etc.)

voltarei em breve com mais tempo e textos...

abraço,

ana claudia

terça-feira, agosto 12, 2008

Diversidade Biológica e Evolução

Registro aqui uma ótima notícia que recebemos da CAPES há poucas semanas sobre a aprovação da proposta de pós-graduação (nível Mestrado) em DIVERSIDADE BIOLÓGICA E CONSERVAÇÃO na UFSCar - campus Sorocaba.
A notícia também foi divulgada via site da UFSCar e pode ser lida aqui..A relação dos novos cursos de pós-graduação aprovados pela CAPES no último APCN (aplicativo para propostas de cursos novos) pode ser vista aqui. É interssante ressaltar que dentre os cursos novos, foram aprovadas outras duas propostas envolvendo a palavra Diversidade Biológica (ou Biodiversidade): 1) Diversidade Biológica e Conservação no Trópicos (Universidade Federal de Alagoas) e 2) Ecologia e Conservação da Biodiversidade (Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus, BA). Dos cursos "antigos" esta palavra também compõe o nome dos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Amapá (Biodiversidade Tropical) e da Universidade Federal do Amazonas (Diversidade Biológica), que contam com programas de Mestrado e Doutorado, notas 4,0. Como "prata da casa", aproveito para citar outro curso da UFSCar que também envolve a temática da bodiversidade e que atualmente apresenta nota 5 para seus programas de Mestrado e Doutorado, o curso de Ecologia e Conservação de Recursos Naturais.
O Mestrado em Diversidade Biológica e Conservação da UFSCar possui duas áreas de concentração: 1) diversidade biológica e evolução* e 2) ecologia e conservação. * Esta área de concentração foi erroneamente descrita na notícia divulgada no site da UFSCar (onde está escrito Diversidade Genética e Evolução, leia-se: Diversidade Biológica e Evolução). Na área de concentração em Diversidade Biológica e Evolução estão incluídas 2 linhas de pesquisa: Diversidade Genética e Evolução e Taxonomia, Sistemática e Biogeografia. Na outra área de concentração (Ecologia e Conservação) destacam-se as linhas de pesquisa em Mecanismos e Processos Ecológicos e Conservação e Manejo.
A linha de pesquisa em Diversidade Genética e Evolução, engloba o uso de marcadores moleculares para o estudo da diversidade genética em diferentes grupos de organismos. Inclui análises de estruturação populacional e definição de unidades evolutivas significativas, além atuar na resolução de unidades taxonômicas, bem como no estudo os processos que levam à diversificação.
Aviso repassado aos interessados. Teremos seleção de candidatos em breve e o início do curso está previso para março de 2009! Que venham os candidatos!
ana claudia


quarta-feira, julho 23, 2008

Blogs científicos em português I

aproveito para incluir aqui um comentário que fiz no blog do Brontossauro, que dizer, do Carlos Hotta (Brontossauros em meu jardim) sobre o "post" Deveríamos Educar com Blogs de Ciência? Como eu cheguei atrasada na discussão, trouxe meu comentário para cá para atualizar esta conversação interessante. Como o comentário é breve, acho que não está muito adequado como "post" do mês para compor a temática "A Blogosfera Científica em Português" do Roda de Ciências. Sem promessas, mas a temática está tentadora e gostaria de compor um "Blogs científicos em português II"... vamos ver, ao sabor dos ventos...

Eis o comentário enviado ao Brontossauros... :

Faz tempo que estou sem tempo para a "second life" no mundo virtual dos blogs científicos. Finalmente, no intervalo entre o hoje e o amanhã, deixei de lado (por alguns minutos) o destino provável do travesseiro para visitar um dos meus roteiros preferidos na web: os cativantes blogs científicos em português! É uma qualidade patente dos textos de alguns autores que seguem escrevendo, sem sucumbir à rotina dos compromissos urgentes (profissionais, acadêmicos, familiares, etc.): a Maria, a Lúcia, o João, o Mauro, vc (Carlos Hotta) e alguns outros. Tudo bem não ser comparável aos EUA em matéria de "blogs" e "posts", também não o somos em termos de publicações científicas, recursos para pesquisa, IDH, e tantos outros números... isso não descredencia a qualidade informativa e interativa de alguns dos nossos poucos blogs científicos, apenas a nossa escala é outra, sem conotação de melhor ou pior, apenas diferente, reflexo das milhares de outras diferenças que carregamos, não seríamos incoerentes no mundo do www, não é? Deixo aqui minha opinião de que ensino de ciências é diferente de divulgação científica, compartilha-se interesses comuns, mas vejo que existem diferentes metodologias e objetivos em cada área. Neste sentido um blog de ciências pode tanto ser um instrumento de formação em ciências (ensino), quanto de divulgação científica, e ainda pode proporcionar a integração ensino/divulgação.

Incluir comentários aqui


Em transição... transcrição e tradução

Prezados eventuais, resistentes e persistentes leitores do via,

Passada a primeira aventura (no bom sentido) acadêmica no novo ninho (UFSCar-Sorocaba), ou seja, o primeiro semestre de 2008, dedico-me agora a preparar o roteiro de aventuras didáticas do segundo semestre visando promover a formação de estudantes de Biologia em Genética Molecular.

Sobrará tempo para o viagene, possivelmente não... mas a esperança é a última que morre... não é assim que se diz?

No semestre passado houve a experiência de utilização do ambiente Moodle para complementar atividades em sala de aula da disciplina de Genética, aprendizagem com relação à elaboração de avaliações integradas entre disciplinas diferentes de uma mesma grade horária, reflexões e troca de idéias sobre sistemas de avaliação e de como motivar os alunos e estimular sua participação em sala de aula (ou mesmo fora dela...), entre outras...

Depois de tanto alimento para o cérebro gerado na experiência e na prática didática, falta estômago para digerir tudo rapidamente e eficientemente, e é ao que me dedico agora (além de preparar aulas, recuperações, pareceres científicos e projetos, claro). Neste clima de reflexão, voltei ao blog e insisto em encontrar uma forma de incluí-lo nos assuntos urgentes e pendentes que merecem minha atenção... mas, não só o blog sofre com minha incompetência gerencial, após eleger os alunos como prioridade absoluta, por tudo que eles representam ao meu aprendizado como docente e pelo que, talvez, eu possa contribuir para o aprendizado deles com relação à genética e também, por que não, à postura profissional, humana e ética (com relação a um modelo para inspirar ou para evitar :)).

Numa estratégia desesperada para trazer o via gene à tona, pensei em expor aqui um pouco da vivência na academia e algumas reflexões sobre ela (as publicáveis, claro!).

A experiência da avaliação integrada é uma inovação pedagógica que trouxe muito aprendizado e perspectivas interessantes inclusive no campo da divulgação científica. Aguardem o próximo "post" para saber mais :)

de volta,

ana claudia

terça-feira, março 18, 2008

blogueira desnaturada

caros visitantes esporádicos do via gene,


antes de mais nada: minhas sinceras desculpas! O "blog" anda às moscas... aliás nem isso, pois tem muita ciência interessante sendo feita - e a ser feita - sobre moscas... tenho duas teses e alguns artigos científicos que comprovam o quanto essas criaturas têm a nos ensinar sobre biologia, genética, evolução e outras histórias.


mas escrevo para registrar minhas desculpas e justificar que o "blog" está sofrendo as consequências da "síndrome do mundo real" que acometeu a autora, agora que migrou da maravilhosa "ilha da fantasia" (convenhamos, nem tããão fantasia assim :)) para a "hard life" (mas nem por isso menos divertida) que é o exercício da profissão docente na destemida UFSCar no novo campus de Sorocaba. Destemida porque encara o desafio da formação acadêmica de excelência, do crescimento e da implantação do novo campus e da germinação de novos núcleos de pesquisa e proto-propstas de pós-graduação, tudo isso sob o olhar curioso da sociedade que não espera menos do que o sucesso absoluto! Muito bom isso, não?


então... provavelmente vamos continuar lee - een - tooo - ooos nas postagens aqui no Blog até que uma rotina saudável seja estabelecida, que inclua a atividade de divulgação e blogação conforme ela merece ser feita.


quem sabe até seja possível encontrar algum potencial colaborador para as matérias do via gene entre os estudantes da UFSCar-S? Está lançada a provocação!


Estou em falta com o Prof. Osame e o Prof. Adilson por não ter respondido aos seus comentários em "posts" anteriores. Caríssimos: estou atenta aos desenvolvimentos recentes e apoio e admiro as iniciativas de integração e divulgação dos blogs científicos brasileiros. Estou na área, mas "very busy"... então, finalizo como comecei: me desculpem. Hei de me reorganizar e garimpar mais tempo para essas iniciativas tão necessárias e bem-vindas da divulgação científica. Parabéns a vocês!


Abraços,


ana claudia

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

UFSCar campus Sorocaba II



Prédio a esquerda na foto: salas de aula
Prédio ao fundo: salas de professores

UFSCar campus Sorocaba I

Semana que vem o campus novo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos - www.ufscar.br) em Sorocaba será "ocupado" pela comunidade acadêmica e administrativa. As aulas no campus novo re-começam a partir do dia 17/03/08.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

e nem nos damos conta...

continuando o "copy&paste" de textos re-publicados no Jornal da Ciência (JC e-mail 3405, de 06 de Dezembro de 2007), aqui vai mais um artigo sobre o desempenho de alunos brasileiros em Ciências avaliado recentemente pelo PISA (ver "post" anterior).

No pé do ranking, aluno brasileiro acha que sabe mais ciência do que finlandeses
Antônio Gois e Angela Pinho escrevem para a “Folha de SP”:
Quando fazem as provas de ciências do Pisa (exame internacional divulgado anteontem que compara o desempenho de jovens de 57 países), os alunos brasileiros ficam nas últimas posições.
No entanto, ao serem questionados sobre o próprio conhecimento da disciplina, eles se mostram mais confiantes até mesmo do que os líderes do ranking, os finlandeses.
Ao responder a um questionário na prova, em 2006, 81% dos brasileiros que fizeram o teste disseram que "geralmente conseguem dar boas respostas a testes de ciências na escola". No Japão, sexto país com melhor desempenho na prova, 29% escolheram essa opção.Na Finlândia, 69% disseram dar boas respostas, próximo à média de 65% dos 30 países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), entidade que organiza o Pisa.
Os itens em que os brasileiros foram mais reticentes foram "eu consigo entender facilmente novas idéias em ciência na escola" e "temas de ciência na escola são fáceis para mim": 62% concordaram.
Para Marta Barroso, professora do Instituto de Física da UFRJ que já estudou o desempenho dos brasileiros em ciências no Pisa, é natural que alunos que saibam mais sejam mais críticos ao avaliar seu desempenho: "Lembre-se que "quanto mais eu sei, mais sei que nada sei". Certamente um aluno japonês tem mais idéia do que seja aprender e entender ciências que um brasileiro.Ela diz, no entanto, que também podem ter contribuído o fato de o questionário aplicado aos alunos ser muito longo -com perguntas pouco usuais para o estudante- e a possível percepção do estudante de que responder àquelas questões não era importante ou que poderia ser usado para puni-lo.
(Folha de SP, 6/12)

a ciência foi pro espaço... no mau-sentido

Só repassando a notícia que foi publicada ontem no site do Jornal da Ciência (JC e-mail 3404, de 05 de Dezembro de 2007), já um recorte do jornal Estadão:


"Pisa: Em ciência, 61% estão no pior nível

27,9% dos alunos não chegam nem ao grau mais baixo de compreensão
Resultado do Pisa (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes*) divulgado ontem mostra que 61% dos alunos brasileiros estão abaixo ou no pior dos 6 níveis de desempenho em ciência determinados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Ao dividir por área de conhecimento, a avaliação evidencia que os brasileiros tiveram melhor desempenho em biologia, deixando outras áreas, como astronomia, ainda com piores resultados.Em uma escala de 800 pontos, 390 foi a nota do Brasil em ciência no Pisa, o que rendeu ao país o nada honroso 52º lugar entre as 57 nações que participaram da avaliação.O Brasil ter ficado no pior nível de desempenho representa que 33,1% dos estudantes que fizeram a prova têm conhecimento científico muito limitado e só conseguem elaborar explicações científicas óbvias ou seguidas de informações já evidenciadas.Entretanto, o Pisa traz outro dado crítico: 27,9% dos alunos nem sequer atingiram tal escala, pois tiveram desempenho abaixo do nível 1.
Segundo Maurício Bacci, coordenador do curso de Ciências Biológicas da Unesp/Câmpus Rio Claro, os resultados do Pisa ilustram a realidade do ensino de ciência no Brasil. “Os alunos chegam às universidades sem formação prática. Com isso, os professores universitários acabam tendo de recuperar conteúdos de ciência que deveriam ser adquiridos na educação básica.” Entre os principais problemas apontados por Bacci, estão a falta de salários atraentes aos licenciados em Biologia, Física e Química e as condições de trabalho oferecidas nas escolas públicas. “É preciso estruturar as escolas públicas com laboratórios e, principalmente, investir em material humano.”
Áreas do conhecimento
O Brasil obteve melhor classificação na área dos sistemas vivos (a biologia), com pontuação 403. Em sistemas físicos (ciências químicas e físicas), a nota foi 385. Já em sistema espacial e planeta Terra (cosmologia, geologia e astronomia), fez 375 pontos, melhor apenas que Colômbia, Catar e Quirguistão.
De acordo com Luiz Carlos Menezes, professor do Instituto de Física da USP, a diferença de desempenho entre as áreas é pequena, mas pode ser reflexo da ênfase dada às ciências da vida nos últimos anos do ensino fundamental.“Hoje, ciência é sinônimo de ciências da vida no ensino fundamental. Os professores que atuam nessa etapa de ensino são licenciados em Ciências e não em Física e Química, com isso há uma tendência a valorizar essa área.” Embora os Parâmetros Curriculares Nacionais sinalizem para a necessidade de ter astronomia, cosmologia e geologia no ensino fundamental, Menezes diz que essas áreas foram praticamente varridas do currículo. “É preciso dar ênfase a essas áreas na formação de professores e nos livros didáticos.” O especialista em física explica que faltam professores formados para dar aulas que motivem os alunos a aprender. “Uma coisa é o aluno ser capaz de olhar para o céu e entender as razões que fazem o Sol nascer no leste. Outra é o professor fazê-los decorar os nomes dos planetas, sem relação alguma com a vida prática.”
O Pisa mostra que, em relação às competências adquiridas em ciência, os brasileiros ainda deixam a desejar. Apenas 33% aplicam o conhecimento científico para resolver um problema. Outro dado alarmante: 35% não tiram conclusões por meio de evidências científicas nem refletem sobre as implicações sociais da ciência e desenvolvimento tecnológico.
Marcelo Knobel, professor do Instituto de Física da Unicamp, acredita que o melhor caminho para reverter esse quadro é o investimento no professor. “Um licenciado em ciências, quando ensina a audição do corpo humano tem de apresentar aos alunos conceitos de som. As áreas do conhecimento biológico e físico têm de estar integradas e, para isso, é preciso bons programas de formação.”
Na escola
Vivian Froes, de 17 anos, no 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Jair Toledo Xavier, na Brasilândia, zona norte da capital achou a prova fácil. “Caiu bastante aquecimento global.”Mas Vivian, que quer ser professora de História em escola pública, afirma que o péssimo desempenho do Brasil no Pisa mostra que algo está errado. “Minha escola é boa, temos de fazer até Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Nem todas são assim e tenho medo do que encontrarei quando me formar professora. Os baixos salários e a violência desanimam.”
(Maria Rehder)(O Estado de SP, 5/12)
*O Pisa, exame considerado o mais importante do mundo em educação, é realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a cada três anos. Cerca de 400 mil alunos de 15 anos, de 57 países, fizeram a última prova.