quarta-feira, maio 23, 2012

UFSCar conversa sobre a Rio +20: divulgando


CICLO DE PALESTRAS (UFSCAR SOROCABA)
CONVERSANDO SOBRE A RIO+20

O que temos?O que queremos?O que sabemos?

Ciclo de palestras abordando tópicos diversos em torno do evento Rio+20,sob a ótica de profissionais de áreas de atuação distintas, com o objetivo de criar um espaço para a discussão e ampliação do senso crítico em um momento em que as informações estarão se proliferando através dos meios de comunicação.

Início: 19/04
Local: Anfiteatro ATLab  (UFSCAR - SOROCABA)

 Dia/mês   horário   Convidado                                     Tema


24/mai      13:00     Dr. Alexandre Nunes de Almeida    Economia (ATLAB 124E*)

31/mai      13:00     Dr. Fernando S. Franco                  Qualidade alimentar

14/jun       13:00     Dra. Luciana Camargo de Oliveira   Resíduos sólidos

21/jun       13:00     Dr. Antônio Fernando Gouvêa         Educação

28/jun       13:00     Dra. Janaina Braga do Carmo          Emissão de gases

*sala pequena em corredor em cima do Auditório – capacidade 20 pessoas

quarta-feira, maio 02, 2012

uma página para um laboratório

o via gene envolve um tipo de atividade que me diverte, me realiza, me provoca, me dá uma voz em um universo que explorei pouco até agora, o da Divulgação Científica, se comparado com o outro de onde vem minha formação profissional e dedicação integral. Estes universos se comunicam, timidamente, mas pelo menos há um diálogo, sussurrado... Como divulgação, fomentando este "diálogo", deixo no via gene o endereço de uma página informal (totalmente em construção e tendo como "mestre-de-obras" uma leiga) que apresenta minha cara-metade no universo paralelo da vida universitária: Laboratório de Genética Molecular Animal.

sexta-feira, abril 27, 2012

Você fala sobre ciência onde? Na fila do caixa...?


Matéria-prima para nossa reflexão! Ou "para nooooossa alegria" como preferirem.

Ontem meu marido comentou que estava na fila do caixa de um restaurante (Chácara Sta Vitória) quando lhe saltaram aos ouvidos as palavras "evolucionismo" e "criacionismo" em meio a uma conversa animada do grupo a sua frente.

Gente, ESTOUREM as champanhes!! Que a reflexão e o debate científicos possam figurar também entre as temáticas cotidianas de um indivíduo aleatoriamente selecionado da população Brasileira seria... seria... enfim, utopia... Isso não deve ser fácil de encontrar em lugar nenhum do mundo, nem nos países denominados desenvolvidos, pois depende em parte do nível de escolaridade das pessoas, o que remete ao verdadeiro objetivo deste "post": divulgar uma matéria do blog Radar Econômico que apresenta a evolução da escolaridade em vários desses países, ver aqui. Aviso aos mais sensíveis: a imagem (um gráfico) pode ser desagradável, causar palpitações, suor frio e náuseas entre outros sintomas (nos mais otimistas causa "vontade de fazer alguma coisa").

Na minha percepção, a historinha do encontro casual contada acima é mais a exceção do que a regra. Normalmente o assunto "ciência" é temática reduandante e super-explorada em intensidade inversamente proporcional à distância das universidades e institutos de pesquisa (onde o tema abunda). Ou divulgamos mais e melhor a ciência que tanto valorizamos para que alcance outras paisagens ou trazemos todo mundo para perto das universidades, ou ainda: tudo ao mesmo tempo agora - pois a questão é urgente!

Obs: depois que meu marido descreveu que quem verteu tais conceitos sobre os demais tratava-se de um sujeito baixinho (mas para ele todo mundo é baixinho), meio calvo e todo animado, já desconfiei que o responsável por essa fala "descontextualizada" (no bom sentido, viu?) fosse o Prof. Evandro da UFSCar de Sorocaba, que estaria "perdido" em terras distantes do campus universitário :). Será?

segunda-feira, abril 23, 2012

Sobre ciência e escotismo: sempre alerta!

Sessão nostalgia: escrevo apenas para não deixar passar em branco o dia do escoteiro: PARABÉNS! E deixo como nota um "post" de 2007 de onde recrutei uma experiência com escoteiros em Campinas para ilustrar a importância de "falar simples" sobre ciência sem se perder em chavões herméticos nem em analogias simplórias. Eis o "post"! Feliz dia do escoteiro!


sábado, abril 21, 2012

genética e moral

Muito interessante a matéria do colunista do Jornal Folha de São Paulo, Hélio Schwartsman publicada em 17 de abril (ver aqui) intitulada "Problemas Morais". 

Logo de cara são apresentadas 3 historietas que ferem nossos tabus e nos provocam a decidir se determinadas situações são certas ou erradas, trazendo algum constrangimento ao nosso "sujeito moral" que se debate com nossa racionalidade. Refletindo: se não sabemos discernir o certo do errado, nossa existência ética pode estar comprometida (paro por aqui antes de cometer alguma violação conceitual no universo teórico da filosofia - o que não seria difícil).

A seguir o colunista apresenta algumas idéias desenvolvidas pelo psicólogo Jonathan Haidt no livro "The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion" (a mente do justo: por que pessoas boas não se entendem em política e religião), ver vídeo aqui.

Segundo Schwartsman, o autor (Haidt) argumenta que a construção do senso moral do indivíduo determina seu olhar sobre o mundo, levando às visões que reconhecemos como conservadoras, liberais e neutras: o senso moral "pode ser decomposto em seis sentimentos básicos: proteção, justiça, liberdade, lealdade, autoridade e santidade (pureza), que constituiriam uma espécie de tabela periódica do instinto moral. O mapa ético de cada indivíduo seria uma combinação de diferentes proporções desses "ingredientes"".

Agora, o que chamou mais a minha atenção (e preciso averiguar as referências originais para apresentá-las a vocês - estas referêncais não estão apresentadas na coluna) foi o trecho abaixo:
"Para tornar as coisas ainda um pouquinho mais difíceis, cada indivíduo tem o "mix" de intuições que tem (e que faz dele conservador, liberal ou centrista) menos por causa de interesses escusos e opções ideológicas e mais por causa da genética. Estudos com gêmeos e adotados mostram que algo entre 33% e 50% das atitudes políticas de um indivíduo são determinadas por genes"

Determinação genética de comportamento político - será? Isso me lembra um filme (trailer) do Woody Allen com uma situação hilária - como apenas W. Allen sabe construir - apresentando uma família inteiramente democrata, exceto por um filho adolescente republicano (atribui-se este "desvio" a uma pancada que o indivíduo levou na cabeça...). Ao final do filme, após nova pancada, a criatura republicana retorna ao seu estado original (possivelmente atrelada a sua porcentagem de determinantes genéticos, se a informação do parágrafo anterior procede). Nome do filme: "Todos dizem eu te amo" de 1996; ótimo elenco!

Enfim, sugiro a leitura do texto do H. Schwartsman para refletirmos sobre isso e lembrarmos de buscar outras interfaces de diálogo (em temáticas como futebol*, arte, educação, etc.) se quisermos estabelecer uma via de comunicação com nossos contemporâneos, com quem compartilhamos um breve e intenso período de vida neste planeta e dos quais precisamos para saciar nossa necessidade de interação social.

Afinal, concordo com a opinião apresentada: "Como cada grupo fala idiomas diferentes (embora os conservadores arranhem um liberalês, muito a contragosto), estamos fadados a não nos entender. Pensamos e sentimos sob parâmetros diferentes. Isso significa que o debate raramente será produtivo. Apenas em casos excepcionais os argumentos de um lado levarão um legítimo representante do outro a mudar de ideia. No fundo, as discussões servem mais para que bons debatedores possam exibir suas virtudes lógico-oratórias a membros de seu próprio grupo."

Finalizando, deixo uma última cena em que Haidt nos remete aos primórdios da história do homem (mas que muitas vezes me parece muito mais familiar e cotidiana do que eu gostaria):

"Ali, cada membro do bando era, ao mesmo tempo, um aliado indispensável e um concorrente impiedoso"

Enfim, leitura imperdível! 
*nem sempre futebol será uma temática unificadora, dependerá do time em foco!

terça-feira, abril 17, 2012

 Hoje vi esta propaganda numa revista... Precisei pensar bastante para tentar entender "a mensagem"... confesso que não entendi...
Conflitos:
1) a evolução biológica de Darwin não refere-se a uma idéia de progresso... no sentido de aperfeiçoamento visando atingir a forma ideal (mas na propaganda a idéia parece ser que esta é a melhor cerveja, o produto final do processo evolutivo, ou seja, coisa que não existe). O slogan "a evolução da cerveja" representa esta visão de progresso, não?
2) o nome Santa Fé, seria uma ironia; pois devido justamente a ela (a fé) Darwin quase não publica sua obra "A Origem das Espécies" e passa anos sofrendo pelo conflito entre sua crença religiosa e sua teoria científica;
3) a propaganda afirma que "ninguém jamais teria argumentos para questionar a Teoria da Evolução" se Darwin tivesse experimentado essa cerveja. Por quê? Ele teria sido mais eloquênte? Seria inspirado por ela a romper os paradigmas da época e outras ignorâncias que até hj persistem de forma mais convincente? Ou daria uma garrafada na cabeça dos seus críticos (ou numa versão melhor: beberiam todos juntos e a "verdade biológica" prevaleceria)? Fico com a impressão que foram precipitados com o legado de Darwin... Alguém disse que essa cerveja "seria resultado da Seleção Natural agindo sobre a diversidade de cervejas...", deve ser biólogo evolucionista (sub-grupo selecionista), mas ainda acho que a propaganda passa outra idéia. Afinal, não só de Seleção Natural e feita a Evolução e a mão do acaso não conta?

Enfim, foi uma surpresa encontrar Darwin como garoto-propaganda de cerveja (crédito à agência Draftz). Agora vou ter que experimentar essa variedade para verificar se há justificativa para escapar da Seleção Natural (que ceifa as variantes menos adaptadas ao "meio"). 

Interessante como a imagem de Darwin associada a seja-lá-o-que provoca reações imediatas em biólogos: "não basta acreditar em evolução, tem que participar!" Se alguém entendeu a mensagem que me escapou, por favor me esclareça.

Como me disse um passarinho cor-de-rosa: beba bem gelada e esquece!

quinta-feira, abril 12, 2012

Apoio à Divulgação Científica: um comentário


Registro aqui o comentário do meu grande amigo Lee (também vem em versão séria e executiva aqui - mas cadê o paletó??). O blogger está se recusando a incluir comentários no quadro de comentário das postagens (espero que o problema seja resolvido logo). Aproveito para divulgar um o SGC (para maiores detalhes procurem o Lee, que responde pela coordenação científica e colaborações internacionais):

Ana,
Dei uma fuçada no Via Gene (como é de costume, quando sobra um tempinho meu!) e achei legal a entrada sobre divulgação científica e resolvi contribuir. Porém parece que não deu certo, mas sorte minha que eu havia copiado a mensagem – aqui vai!

“Oi Ana! Com certeza o Glaucius esta fazendo um belíssimo trabalho no CNPq! Daqui deste lado, a divulgacao cientifica esta sendo levada muito a serio! Um exemplo é a Wellcome Trust, que tem uma linha de financiamento inteiramente dedicada a projetos de divulgação científica ('public engagement') e que está aberta tanto a cientistas quanto a artistas e qquer forma de comunicação - o investimento é da ordem de 3 milhões de libras por ano (!). O interessante é que a Wellcoms Trust é a maior fundação privada de financiamento de pesquisas biomédicas do Reino Unido (investe mais dinheiro nessa area do que o governo do Reino Unido!!).

Quem estiver interessado: http://www.wellcome.ac.uk/Funding/Public-engagement/index.htm 

Aqui do lado do prédio onde trabalho, tem um Centro de Pesquisa de Genética Humana (Wellcome Trust Centre for Human Genetics), onde o diretor resolveu colocar divulgação científica como uma das responsabilidades de qquer pesquisador contratado para trabalhar no centro - seja ele um post-doc ou um "full professor"! beijos à blogueira!

LeeMan"

sexta-feira, abril 06, 2012

Mais sobre SciAm BR e a decisão editorial equivocada


Mais do mesmo. Quem se revoltou como eu com a nota homeopática da Scientific American Brasil vai gostar de ler o que o Luís Carlos escreveu no seu blog Chi vó, non pó. E se alguém se interessa, pode ler também a retratação e justificativas (?) do Editor-Chefe da versão brasileira Ulisses Capozolli no blog da redação.

domingo, abril 01, 2012

primeiro de abril!

Manchete de hoje:

As filogenias moleculares resolveram - definitivamente - em poucas horas todos os conflitos de relações de todos os grupos animais, vegetais e de microorganismos!

quarta-feira, março 28, 2012

Pseudogenizar?? Só americano mesmo para inventar nome...

CoverLi hoje um artigo na PNAS sobre a evolução de paladar em mamíferos (Jiang et al. (2012). Major taste loss in carnivorous mammals. PNAS, v. 109 (13): 4956 - 4961), especificamente tratando da perda de receptores para determinados sabores em carnívoros. Os autores já haviam identificado que gatos são indiferentes a componentes adocicados e explicado que isso ocorre devido a alterações no gene Tas1r2* , que codifica o receptor Tas1r2. Sem receptor para determinado sabor não há como o animal sentir determinado gosto. Evolutivamente, além de gastronomicamente, é importante o animal "perceber" o que come, afinal é uma atividade extremamente associada à sobrevivência da espécie, não? E os bichos que engolem inteiro sem mastigar, sentem o sabor*2?  Se, anyway, as criaturas nem sentem mais o sabor, a "natureza" (academicamente chamada de "seleção natural") torna-se menos intolerante com relação à preservação das funcões do receptor (no caso, do Tas1r2) e não exige mais o certificado ISO9000 daquela estrutura. Pois bem, se não há mais "ninguém supervisionando", ninguém vai notar se começarem a aparecer organismos com defeitos de fabricação justamente neste receptor, não é? Se não notarem, estes individuos desprovidos de paladar para algum sabor terão as mesmas probabilidades que quaisquer outros (mesmo com paladar sofisticado) de reproduzir e popular com seus descendentes a próxima geração. Enfim, um cenário no qual determinada espécie não sente determinado sabor pode ser uma realidade. E é! Os autores do estudo concluem que a perda de função do receptor de sabor em mamíferos é uma fenômeno amplo e está diretamente relacionado a especializações alimentares. E os pseudogenes sugeridos no título... onde entram na história? Lembram o Tas1r2? Se não há ninguém supervisionando, mutações espontâneas que assolam o gene - e escapam dos sistemas de reparo - permanecerão na população e serão transmitidas geneticamente aos descendentes (são elas as responsáveis pela perda da função do receptor - num cenário com "supervisor intolerante" os organismos que possuem mutações neste gene não estariam mais entre nós, entende?). Qual nome se dá ao gene agora que ele está mutado e perdeu a capacidade de codificar uma proteína funcional? Ele perde seu status de gene, caindo no ranking genético para a posição de pseudogene (pseudo = falso, parece mais não é: denorex! Alguém ainda lembra dessa propaganda da idade da pedra lascada?). Segundo os pesquisadores, que analisaram 12 espécies de caranívoros, 7 destas espécies PSEUDOGENIZARAM o Tas1r2 de forma independente (eventos múltiplos) em resposta a mutações que corromperam o quadro de leitura do gene ("ORF-disrupting mutations"). Nunca tinha visto o emprego deste termo: pseudogenização, gene pseudogenizado, vós pseudogenizais... compreensão imediata do sentido, mas que é estranho, é! Apesar do genes ser "pseudo", a ciência é da boa! :)  
*1 a regra diz que, no texto, os nomes dos genes devem vir em itálico para não confundir com a proteína que eles codificam e o leitor identificar, mais facilmente, a qual a entidade - gene ou proteína - faz-se referência.
*2 a avó de certas pessoas que eu conheço vive repetindo que é preciso "saborear os alimentos", isso porque certos animais e certas crianças só sabem o que comem pelo sentido a visão!

segunda-feira, março 26, 2012

Scientific American Brasil: mas que idéia foi essa?!

Fora de contexto... para dizer o mínimo. Foi com indignação que terminei de ler a nota intitulada "A eficiência questionada da homeopatia" (edição 199 - abril 2012) do quadro SAÚDE que compõe a seção AVANÇOS sobre homeopatia para plantas nesta revista vista por alguns como "uma das melhores revistas de divulgação científica" do Brasil. É triste constatar que quando houve a inserção de um conteúdo especificamente nacional (muito desejável quando se tem uma versão BR), selecionou-se uma matéria carregada com uma dose extra de ideologia... inquestionável a visão parcial e pseudocientífica do texto ali publicado. O título parece ir em um sentido enquanto o conteúdo se desenvolve em outro... a autora indica que o erro mais comum daqueles que questionam o efeito da homeopatia refere-se ao desconhecimento sobre  os princípios da física quântica que o regem, desvencilhando-se de argumentar sobre as bases químicas que representam a maior fragilidade do método de potencialização empregado pelas práticas homeopáticas.  Imaginei que a formação da autora fosse nessa área, justificando sua incursão nos domínios quânticos, mas não é... Antes de chegar a este texto, li outros, da mesma revista, mas depois de experimentar essa sensação descontextualizante, desisti de continuar lendo o que quer que fosse dessa edição. Respeito opiniões pessoais sobre o tema, mas não as editoriais. Podem me bombardear... mas não resisti. 


quinta-feira, março 15, 2012

Será mesmo? Divulgação científica avança um degrau!

Soube hoje em conversa informal com minha orientadora (seria "ex-", mas acho que soa antipática a referência "ex-orientadora" e raramente a utilizo), que uma revolução está se formando no horizonte da divulgação científica: o esforço do pesquisador em promover oportunidades de divulgação científica pode entrar no cálculo de produtividade do indivíduo e servir como mais um critério na lista de parâmetros medidos para avaliar a "performance" do cientista. Na minha perspectiva isso é revolucionário e recebo a notícia com grande entusiasmo e com esperanças renovadas de que esta iniciativa contribua para que a ciência seja cada vez mais popular e acessível à comunidade a quem ela serve.

Mais detalhes sobre este assunto na notícia divulgada no Jornal da Ciência, edição de hoje. Ficam os fogos de artifício como minha manifestação de apoio à iniciativa do Presidente do CNPq, Glaucius Oliva, ao fundo imaginem o som de "Fireworks" de Katy Perry...

nota 10!

domingo, fevereiro 26, 2012

diário de uma coleta

The day after... antes do trabalho propriamente "de bancada" em um laboratório de genética molecular, existe um outro que nem sempre parece óbvio aos olhos de quem pensa nas práticas de estudo do DNA: a coleta de campo, onde são obtidas as amostras para estes estudos de DNA.

O cenário de pesquisa aqui é a análise da variabilidade genética de moscas, considerando tanto as diferenças genéticas entre os indivíduos de uma mesma espécie (variabilidade genética intraespecífica) quanto a diferença genética entre as espécies (variabilidade genética interespecífica).

Mas... de onde vem estes indivídos cheios de informações genéticas que serão comparados para que as diferenças entre eles sejam evidenciadas e interpretações sobre diversidade biológica sejam formuladas?

A busca por estas evidências fomenta projetos de pesquisa e a formação de jovens pesquisadores de iniciação científica e pós-graduação, além de alimentar o moto-continuo da construção de conhecimento científico. E a resposta sobre a origem das amostras, neste exemplo de pesquisa, é a natureza. As moscas doadoras de DNA são oriundas de ambientes naturais bem preservados como Mata Atlântica, Cerrado, etc. 

E lá vão os pesquisadores (sim, geneticistas também podem) aventurar-se nas matas e campos para encontrar (e capturar) o DNA, quer dizer, as moscas!

Registro no via gene alguns “flashes” de visitas com intuito exploratório para conhecermos um pouco mais sobre a diversidade de algumas moscas do Parque do Zizo (uma RPPN em São Miguel Arcanjo/Tapiraí - SP) e em uma área preservada do Instituto Arruda Botelho (Itirapina - SP). Este comentário/post em particular é dedicado ao Parque do Zizo.
 
Querido diário:
Coleta com puça

No dia 1° de fevereiro realizamos uma viagem para o Parque do Zizo (próximo a São Miguel Arcanjo, SP) e, ainda na estrada, nos deparamos com a carcaça de um cachorro do mato atropelado (o estado geral de decomposição indicava que fazia tempo). Junto à carcaça encontramos muitas moscas de hábitos saprófagos, como espécies da família Calliphoridae, adultos e larvas, além de besouros decompositores e outros insetos.

Apesar de ser uma nota triste (o atropelamento), conseguimos nossas primeiras amostras aqui, tomando o devido cuidado para não sermos vítimas na estrada durante esta atividade.

E seguida um pouco da vista mais adiante quando a estrada se transforma em uma trilha conforme se aproxima do parque:
Acesso ao Parque do Zizo
Manacá-da-serra

A estrada vai se modificando até transformar-se em uma paisagem cada vez mais cercada pela vegetação, úmida e esteticamente reconfortante, convidando os pesquisadores a conhecê-la e explorá-la.

Paulo (IC) e Gilson (piloto oficial UFSCar)
A viagem teve apoio incondicional do Paulo (esquerda) na coleta propriamente dita e na caracterização do ambiente e do Gilson que nos conduziu até nosso destino e de volta à UFSCar, demonstrando habilidade para apontar pegadas de animais silvestres e discorrer sobre búfalos, pesqueiros e gastronomia durante todo o percurso. Ao fundo começa-se a visualizar o portão de entrada do parque. Agradeço a estes colaboradores, movidos a sanduiches e guaraná, pelo apoio.
 
O córrego que nos recepciona

Há várias trilhas no parque mas, nesta visita técnica para caracterização da área, nós fomos mais conservadores e exploramos apenas duas rotas: uma ao longo deste córrego (Rio Ouro Fino) e outra morro acima, revelando dois ambientes bem distintos. Mais informações sobre as trilhas aqui.
Pesquisador e seu material de coleta
Estamos nas instalações do parque, que possui estrutura de pousada, muito utilizada por observadores de aves e outros curiosos da natureza selvagem. Para a coleta, estamos munidos com puçás, gaiolas, iscas e frascos de "n" utilidades, além de perneiras e chapéus para garantir nossa segurança e podermos nos concentrar mais nas moscas do que nas cobras que eventualmente poderiam querer participar do roteiro (felizmente, não vimos nenhuma cobra).
Lindas bromélias

Lindas bromélias sobre tronco caído
A cada trecho percorrido uma infinidade de bromélias saudava os visitantes e se distribuia em arranjos decorativos preparados ao acaso como se espera encontrar em uma mata natural bem preservada. Neste caminho nos deparamos com outras entidades plenamente integradas ao seu habitat natural:



Qual espécie de anfíbio será esta?
Encontramos este indivíduo sob a água (esquerda), deixou-se fotografar, imóvel, parecia fazer parte do fundo do córrego.
.
camuflado: siga o dedo indicador...

Foi quase sem-querer que encontrei este outro pequeno anfíbio que se confunde com os gravetos e folhas secas do chão da trilha. Além da coloração muito semelhante ao substrato, o corpo tem estruturas que lembram mesmo um gravetinho.

o que vc achou do meu disfarce?
Espécie: Ischnocnema guentheri

Agradeço ao Prof Fernando Rodrigues, da UFSCar - Sorocaba e seus contatos pela disposição em investigar a identidade taxonômica dos anfíbios que encontramos durante nossa coleta (ainda vamos chegar nas moscas!).

Espécie: Physalaemus olfersii

Encontramos ainda mais uma espécie de sapinho no chão úmido da trilha do rio Ouro Fino. Também esta espécie utiliza-se da estratégia de camuflagem para confundir os observadores, ou predadores de plantão. Transformam-se em "folhapos" ou "sapolhas", de tão integrados aos folhiços. Estão vendo a criatura na parte superior da imagem?



Trilha e Rio Ouro Fino: coleta na margem

Na trilha do Ouro Fino selecionamos este ponto para as coletas, disponibilizando iscas (peixe em decomposição) para atrair espécies de moscas saprófagas e tentarmos capturá-las com redes entomológicas (o famoso puçá), classicamente associado à coleta de borboletas, mas que é um recursos precioso na captura de dípteros.


 
Finalmente: A MOSCA!


E nossa personagem principal, a MOSCA. Muitos indivíduos permanecem pousados sobre a vegetação nas vizinhanças da isca, aguardando uma oportunidade para compartilhar da novidade, muitas vezes machos com segundas intenções observando as fêmeas que se aproximam para se alimentar ou ovipor na isca.


 
a mosca na isca de peixe

Na mosca! A isca atraiu especies de moscas das famílias Calliphoridae (foto) e Sarcophagidae principalmente, além de espécies parecidas com moscas das frutas e outros organismos que não resistiram ao "banquete", como vespas, formigas e besouros. Como uma visita de reconhecimento fomos bem sucedidos. Iremos testar outras estratégias e metodologias para amostrar as moscas do Parque do Zizo, incluíndo diferentes armadilhas e maior diversidade de iscas.


que pernas enooooormes!




Aproveitamos para registrar mais algumas espécies curiosas que foram "acidentalmente" coletadas pelo puça junto com as moscas coletadas sobre as folhas. Seria um opilião essa bolinha com 8 pernas? Havia uma infinidade destes organismos num certo ponto da trilha

 
Neste trecho estávamos em outra trilha, que subia um moooooooorro em zigue-zague e conforme subíamos, o ambiente ia ficando menos úmido e nada de sapinhos se avistava pelo caminho. Mas encontramos esse monte de ... e ficamos imaginando quem teria "depositado" isso ali. Há uma trilha conhecida por ser frequentada por antas, seria esta uma evidência?


Parente do carruncho?

 As bromélias são famosas por abrigar uma diversidade de hóspedes atraídos pela fonte de água e outros nutrientes. Encontrei esse besouro lindo passeando pelo interior de uma bromélia e registro aqui mais um habitante do Parque do Zizo. Alguém sabe que espécie é esta?




frutos em abundância




Para não dizer que não falei das flores... não são exatamente flores, mas registro aqui também algumas espécies vegetais para aqueles que possam ter sentido falta de um "pé de árvore" neste longo comentário.




Teiú - o guardião do parque


Retornamos da coleta e nos deparamos com este simpático teiú tomando conta da entrada da pousada. Logo que viu que nossas intenções eram das mais nobres, realizar pesquisas científicas, nos deu as costas e seguiu seu caminho tranquilo. 






até a próxima...

Re-encontramos o Gilson e fomos presenteados com uma carona de trator até o carro, que estava nos aguardando ao final de uma estrada de terra íngrime que nos deu um suadouro mais cedo quando chegamos ao parque. Ao longo do caminho registramos ainda algumas pegadas de jaguatirica (se não me engano...) e de um marsupial. 

Vejam as fotos:




duas pegadas e uma formiga...

As duas pegadas estão lado a lado: à esquerda (dedos longos) seria referente a uma espécie de marsupial e a da direita (dedos curtos) seriam as "almofadinhas" de um felino, possivelmente uma jaguatitica. O que a formiga está fazendo aí é uma incógnita, assim como o que se passou entre o felino e o marsupial - se é que houve alguma coisa...


Sr. Francisco Balboni - Chico



Nossos sinceros agradecimentos ao Sr. Francisco Balboni, administrador do Parque do Zizo que permitiu nossa visita ao parque. Como retribuição, o via gene traz esta "matéria" especial.




Araucárias

Nos despedimos do parque com esta imagem das araucárias e com a perspectiva de conhecermos mais sobre a diversidade genética destas moscas. Em breve serão "postados" o relato e registros fotográficos da viagem de coleta que realizamos na última sexta-feira (24/02/2012) em uma área de cerrado do Instituto Arruda Botelho, em Itirapina, próximo à Represa do Broa.


biologia é 10! ana claudia

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

é fácil preencher o currículo Lattes?


Retornando em 2012, após o carnaval... ao via gene!

Depois de um longo intervalo em silêncio e após ter conseguido desarrumar de forma irreversível (até onde meus "poderes" alcançam) o layout do via G, retomo o contato. Faltam ainda todos os meus saudosos "links" e outros dispositivos que figuravam absolutos neste pequeno sistema, mas entre mortos e feridos salvaram-se - quase - todos. Em algum momento, quando eu tiver paciência (nunca - diriam alguns), resgatarei os "links" perdidos...

A motivação deste comentário veio por intermédio de uma consulta feita por um aluno sobre como preencher alguns dados menos "óbvios" (talvez menos formalizados na estrutura acadêmica) nos formulários do currículo Lattes do CNPq. Exceto por um "link" para "perguntas frequentes", não encontrei um manual on-line... então comecei a resgatar minhas experiências com esse sistema revolucionário que é a plataforma Lattes (e cheguei à conclusão que não sou a pessoa mais indicada para responder mas, como me interessei pelo tema, arrisquei mesmo assim).

Preciso confessar que eu sou do tempo pré-Lattes, quando sofríamos para decidir sobre um modelo de currículo de pesquisador (fosse IC, pós-graduando ou doutor) que não omitisse nenhuma informação relevante ,nem incorporasse dados sem valor científico (como experiência de co-editora do jornalzinho da escola ou prêmio de atriz coadjuvante numa peça do Garcia Lorca e essas coisas que nos acompanham e talvez sejam curiosas para apresentar num blog, mas nunca num currículo científico). Havía a SÚMULA da FAPESP, que orientava a apresentação de informações importantes ao se submeter uma proposta de auxílio, e mais uma variedade de modelos.

Sendo uma testemunha ocular pré-histórica - no que se refere à plataforma "Lattes" - pude vivenciar a revolução que foi a implementação deste sistema. Para mim, jovem estudante na época, era fascinante participar desta comunidade virtual de pesquisadores brasileiros (na época eu participava de uma lista sobre temas de evolução organizada pelo Dr. Brian Golding chamada EVOLDIR, e já me sentia parte da famosa "comunidade científica internacional"). A plataforma "Lattes" era nosso "orkut científico" (hoje seria um "facebook científico"), e vivíamos inseridos na "rede", fazendo todo tipo de busca, fuçando literalmente na vida - científica - alheia.

Alguns pesquisadores da velha guarda não se emocionavam tanto com a novidade, preocupados que estavam em preencheer inúmeros campos do formulário com seus extensos currículos ou preocupados com o tipo de informação requerida nos campos a preencher: junto com a formalização dos dados na nova plataforma surgia um instrumento virtual de acesso amplo e irrestrito que permitia a qualquer um avaliar produtividade científica e quaisquer outros indicadores de desempenho acadêmico ou científico a partir dos dados inseridos ali. E a avaliação do pesquisador, tópico sempre polêmico devido à dificuldade de consenso sobre uma sistemática "universal" que seja fiel ao perfil avaliado, passava por uma reformulação, respondendo em parte a um modelo que valorizava mais a produtividade do pesquisador traduzida principalmente na publicação científica. Foi um marco na história dos currículos de cientistas e pesquisadores com implicações a curto, médio e longo prazo.

Enfrentado críticas ou sendo reconhecida como uma das maiores conquistas em termos de base de dados sobre uma comunidade científica, a plataforma Lattes está hoje intimamente incorporada no dia-a-dia da ciência brasileira e não há uma iniciação científica que passe à deriva.

Mas, voltando à questão que originou esse longo comentário, o preenchimento do currículo Lattes, é uma tarefa fácil? Como foi sua primeira vez?

Inclui abaixo minha resposta ao aluno, com algumas modificações, e convido os eventuais leitores do via a comentarem. Na ativa ainda...

ana claudia

Olá Fulano,
Tudo bom e você?
Sobre seu contato:
Preencher o "currículo Lattes" não é tão auto-orientado como parece inicialmente: uma mesma informação pode "aparecer" de formas diferentes em diferentes currículos.
Causas? Diversas:
1) porque já houve uma reformulação do programa e surgiram novas alternativas para melhorar o preenchimento, mas nem todo mundo consegue reorganizar os dados que foram armazenados anteriormente, principalmente num currículo extenso, porque dá muito trabalho;
2) porque alguns dados poderiam ser dispostos em mais de um lugar;
3) porque alguns dados não possuem campo adequado nos formulários disponíveis;
4) porque as várias áreas do conhecimento possuem idiossincrasias difíceis de serem incorporadas num "formulário universal" (justificando 2 e 3);
5) porque parece haver um certo oportunismo por parte de alguns "autores", contaminando a plataforma “Lattes” com informações duvidosas ou que supervalorizam o histórico científico do autor (aqui a coisa fica grave).
O MAIS IMPORTANTE: nunca deixar a informação ambígua (é uma coisa, mas parece outra...) ou errada (pior ainda). Apresente a informação da forma mais clara e honesta possível.
Lembre-se: o “Lattes" objetiva, principalmente, apresentar informações de um perfil de PESQUISADOR para a comunidade científica, dificilmente funciona como o CATHO ou algo do gênero, para facilitar contatos para emprego, então a forma de apresentar a informação é diferente, e o que valorizar também...
Para a questão que você me descreveu, entendo que haveria mais de uma forma de incluir estas atividades no seu currículo. Se quer incluir como projeto, reflita: Qual sua definição de projeto? A (sua) comunidade científica* compartilha deste conceito? Se sim, ok: inclua como projeto.
... se não? Pense bem nas principais características da atividade, ela pode ser reconhecida como projeto de pesquisa científica; ou é pesquisa de outra natureza; ou trabalho técnico; etc.? Sem bolsa, sem financiamento, sem orientador, sem vínculo formal... fica mais difícil mesmo de classificar uma atividade, não sei te orientar com base apenas nas informações que você descreveu. Minha IMPRESSÃO é que se você cadastrar como PROJETO, corre o risco de ficar ambíguo, pois a comunidade científica espera maior formalidade (a que eu “acompanho”, pelo menos).
*a forma de apresentação de algumas informações é óbvia, mas de outras nem tanto... nestas últimas podem haver diferentes interpretações por diferentes comunidades científicas (humanas e biológicas, por exemplo), fazendo com que a inclusão de um mesmo tipo de informação no “Lattes” ocorra de forma diferente (em campos diferentes, por exemplo).
DESCULPE não poder te dar a receita do que fazer. O preenchimento do “Lattes” é uma tarefa importante para qualquer pesquisador no Brasil (ou fora), mas não é tão simples. Seja o mais honesto possível. O campo "outras informações relevantes", ao final do currículo, é perfeito para incorporar quaisquer atividades "menos ortodoxas" que completam seu histórico acadêmico e/ou científico - parece ter sido sua opção, provavelmente eu faria o mesmo.
Algumas observações rápidas sobre a apresentação do seu currículo “Lattes”...

E paro por aqui neste comentário :)

quinta-feira, setembro 29, 2011

Desculpem-me pelos transtornos... O via gene experimentou algumas alterações bruscas de formato hoje enquanto eu testava novos modelos de interfaces disponibilizados pelo Blogger. Infelizmente as mudanças trouxeram problemas para a visualização da maioria dos textos (pois originalmente os textos do via possuem letras em cores claras contra um fundo preto) que não foram corrigidos automaticamente e que eu não tenho a menor idéia de como resolver (considerando-se que eu não quero perder mais do que cinco minutos com isso :)). Para minha surpresa, a opção de "restaurar" as alterações retornando ao modelo original não funcionaram como eu esperava. Então, o via gene ficou com um "corte de cabelo" meio diferente... mas que ainda lembra o original. Espero que vocês não estranhem muito... ainda estou estranhando um pouco. E aind preciso treinar melhor minha aproximação com os novos modelos, que seriam bem interessantes, não fosse o fato da distorção que me frustrou um pouco.

domingo, setembro 25, 2011

a origem extraterrestre das bases do DNA

Figura 1: Imagem do glorioso filme E.T.
A Genética Molecular é uma disciplina que explora a natureza molecular do gene e alguns dos principais processos que operam na "rotina" de transmissão da informação genética, cujo fluxo se inicia na molécula de DNA (descrita em 1953 por James Watson e Francis Crick), que é então transcrita em uma molécula de RNA que será traduzida durante a síntese de uma proteína* (esta dinâmica ilustra o famoso "Dogma Central da Biologia Molecular"). 

* Nota: nem toda molécula de RNA transcrita a partir do DNA é traduzida em proteína (estão aí os rRNAs, os tRNAs, os snRNAs e inúmeros outros que não podem ser esquecidos!). O mRNA (mensageiro, transcrito final), este sim, segue para a síntese protéica, intermediando a relação Genótipo (DNA) - Fenótipo (proteínas e enzimas).

Dentre as primeiras imagens associadas ao estudo da Genética Molecular está o substrato fundamental da síntese de DNA, o desoxirribonucleotídeo trifosfato, que é constituído por um açúcar (uma pentose, no caso a desoxirribose, o "D" do "DNA"), 3 grupos fosfato (cuja ligação se dá com o carbono 5' da pentose) e uma base nitrogenada (são econtradas 4 bases diferentes no DNA, classificadas em purinas (A e G) e pirimidinas (T e C)) (Figura 2).

Figura 2 - Bases nitrogenadas "comuns"
 
No mês passado, foi publicado um artigo na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) descrevendo a abundância e a distribuição de bases nitrogenadas e estruturas análogas encontradas em meteoritos ricos em carbono (um tipo raro). A principal dificuldade dos estudos que analisam a composição dos meteoritos (oriundos do espaço sideral) é descartar a possibilidade de contaminação por compostos terrestres e validar a origem extraterrestre do material analisado. Este artigo conseguiu identificar bases nitrogenadas e análogos raros e medir suas abundâncias em diferentes meteoritos, utilizando-se da técnica de Cromatografia Líquida - Espectrometria de Massa. A origem extraterrestre das bases nitrogenadas foi validada por uma série de observações que incluiram a identificação de padrões de diversidade  molecular associados com a formação de séries de nucleobases estruturalmente homólogas e raras (ou ausentes) no ambiente terrestre, a obtenção experimental destas bases a partir de  reações em Cianeto de Amônia em laboratório (simulação do ambiente químico do meteorito, gerando as bases Adenina, Purina, Hipoxantina, 6,8-diaminopurina, 2,6-diaminopurina, Guanina e  Xantina, em ordem decrescente de abundância) e o uso de controles experimentais ou "branco" (amostras genuinamente terrestres) com precisão para identificar a presença de até uma parte por bilhão de um componente (as bases 6,8-diaminopurina e 2,6-diaminopurina, por exemplo, nunca foram detectadas nos controles, incluindo amostras de gelo Antártico e de solo de locais onde os meteoritos foram originalmente encontrados).

Considerando-se que estas unidades, as bases nitrogenadas, são fundamentais para estrutura dos ácidos nucléicos (DNA e RNA), e que estes são componentes essenciais para o desenvolvimento da vida na Terra (como a conhecemos), o artigo conclui que os meteoritos podem ter providenciado um "kit" básico de componentes moleculares essenciais para origem da vida neste planeta e possivelmente em outros (registre-se que também já foi encontrada grande diversidade de aminoácidos e análogos nestes meteoritos).

O título do artigo original:
"Carbonaceous meteorites contain a wide range of extraterrestrial nucleobases", o primeiro-autor (e vários outros) são da NASA, agência espacial americana. Um vídeo bem informativo sobre este estudo, com narração do primeiro-autor do artigo, pode ser visualizado aqui
Este semestre, este artigo foi apresentado para os alunos dos cursos de Ciências Biológicas da UFSCar - Sorocaba como forma de aproximar os conteúdos tratados em sala de aula - no contexto da Natureza Molecular do Gene - aos desafios atuais da pesquisa científica em áreas de fronteira de conhecimento. E, convenhamos, esta perspectiva extraterrestre associada à origem do nosso DNA é ou não é de arrepiar? Caso alguém tenha interesse, posso compartilhar maiores detalhes sobre a atividade desenvolvida em sala de aula (esta primeira versão foi satisfatória, mas pode ser aprimorada), sugestões neste sentido são bem-vindas.

anaclaudia

quarta-feira, setembro 21, 2011

Encontro Hipertexto 2011

Imagem do ClustrMaps sem o "maps"
Percebi um "mini-surto" de acessos ao via gene há poucos dias atrás e fiquei pensando sobre a origem destes acessos ("antigamente" havia uma ferramenta que gerava dados muito informativos sobre quem acessava nossos blogs, não lembro se era uma versão anterior do ClustrMaps ou um aplicativo similar, chamava-se MAPSTAT).  O fato é que era muito divertido ver os resultados do MAPSTAT, como vocês podem ver (ou relembrar) nesta postagem antiga do via gene.

Na minha imaginação, correlacionei o aumento dos acessos à divulgação do Caderno de Resumos do Encontro Nacional de Hipertexto e Tecnologias Educacionais (Hipertexto 2011), que será realizado na próxima semana (dias 26 e 27 na UNISO). 


quarta-feira, agosto 10, 2011

A educação e as tecnologias digitais


Arquiteturas hipertextuais e tecnologias educacionais

...é como se denomina o Grupo de Discussão criado por Luiz Antonio Garcia Diniz; Gustavo Rojas e Tárcio Minto Fabrício da UFSCAR- São Carlos que compõe a programação do evento "IV Encontro Nacional de Hipertexto e Tecnologias Educacionais: hipercomunidade, escola e tecnologias digitais: entre o não ainda e o já passou"

O  objetivo  deste  G.D.  (número 25 na programação) é  a  reflexão  e  aprofundamento  analítico  de  práticas  de  divulgação científica  e  ensino  de  ciências  que  têm  como  objetivo  a  consolidação  de  plataformas metodológicas construídas ou a serem construídas visando contribuir com uma cultura científica. Nesse vasto campo de conhecimento em constituição, há de levar em conta a recente mudança de paradigma dos meios de comunicação e práticas informacionais e, nesse sentido, estaremos abertos às experiências mais diversas, tendo em vista a matriz  interdisciplinar que permeia tais reflexões. Assim,  consideramos  importante  abrir  a discussão para os  campos das experiências artísticas  visando  a disseminação  científica, para o  jornalismo de divulgação  científica, para as redes  hipertextuais  de  cunho  educacional,  para  as  metodologias  de  educação  ambiental,  ou ainda,  àquelas  relacionadas  a  campos  específicos,  tais  como  a  astronomia,  a  física,  enfim,  ao conjunto de saberes que estruturam nossa sociedade. Nesse sentido, nosso G.D. busca ampliar e agregar um conjunto de  saberes bastante expandido que envolve pesquisadores, estudantes e professores que se sentem em relação de proximidade com os temas propostos.

O via gene foi convidado a se apresentar... estaremos lá!

As inscrições continuam abertas até 30 de agosto.

sábado, agosto 06, 2011

Di-google-ação Científica: Ferramentas para o cientista-divulgador

Saiu esta semana no Jornal da Ciência uma notícia sobre uma iniciativa do Google com potencial para revolucionar a divulgação científica integrando o cientista ao universo tecnológico disponível e em desenvolvimento em comunicação. Para a fonte original e detalhes, clique aqui